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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

Memoria familiar e história.

Olhar a história sob o prisma inverso, em vez dos fatos do Estado ou do Governo,  mas do prisma de uma entre muitas famílias que formam o complexo tecido social,  interessantes reflexões podem ser despertadas e estas iluminam a visão que temos do nosso país.

Este é um exercício que cada um de nós pode fazer olhando nossas famílias e assim entender a evolução e as mudanças na vida urbana, desde a metade do século XIX até nossos dias.

Philippe Hypolite D’Aché embarcou em Morbihan na Bretanha em 1851 e no mesmo ano desembarcou no Rio de Janeiro . Tinha 20 anos de idade e jovem oficial , havia abandonado a marinha francesa e se desentendido com a família aristocrática. Seguindo um impulso, embarcou no primeiro navio que deixava o porto.

Nunca mais voltaria a ver os seus embora décadas depois reatasse correspondência com sua mãe.

Chegando ao Rio hospedou-se logo num hotel na Rua Direita, hoje Primeiro de Março.

Vagando por esta rua cruzou com um francês que havia feito umas reformas no castelo de sua família em Pointivy. Este francês, empreiteiro de obras públicas no Rio, conversa vai conversa vem, inteirando-se da situação de Philippe o contrata como preceptor e professor de francês das filhas.

Poucos anos depois já vemos Philippe como Professor de Matemática e Astronomia da Academia de Marinha, precursora da Escola Naval.

Casa-se com uma moça irmã da mulher de um colega professor , brasileiro de boa família, que viria ser secretário do Conde D’Eu, genro do Imperador.

Abre-se assim pela competência e pelas relações familiares o seu círculo social .Sempre como professor ensina na Escola Central e de lá torna-se um fundador da Escola Polithecnica, hoje a Engenharia da UFRJ. O Imperador registra, no seu diário, interlocuções com ele.

Na ocasião  da fundação da Escola Politechnica completa sua tese de doutorado ( hoje PH.D) e torna-se professor titular .

Possui já uma grande família. Mora em Santa Teresa e aloja estudantes que se preparam para o vestibular à faculdade,   em construção própria no terreno da sua casa.

Seu filho mais velho virá a ter grande destaque no exército brasileiro- Marechal Napoleão Aché, que comandou a missão militar e médica brasileira enviada à França na Primeira Guerra Mundial.

Sua filha mais velha casou-se com Arquias Cordeiro, médico no subúrbio carioca do Meyer, cuja rua principal leva seu nome. 

Seu filho Felipe Aché fundou o laboratório farmacêutico Aché  e se notabilizou também como um dos importadores e criadores do gado Zebu , que foi estudar na Índia e trouxe para o Brasil.Foi prefeito de Uberaba , centro disseminador do gado Zebu no Brasil.

Outros filhos de vida mais discreta foram Alfredo - oficial de Marinha - e minha avó Maria Eugênia Aché Pillar.Mas o estudo de suas famílias revela um mapa da dispersão de seus descendentes pelo Brasil, contando a vida da nossa terra.

Pouco menos de 170 anos após sua chegada o número de descendentes vivos que levam  seu sangue monta a 180 pessoas.

Certamente boa parte não sabem esta história. As pessoas em geral , perderam o interesse nessas genealogias num mundo que desconsiderou um pouco estes networks familiares, pretensamente por ser mais focados no mérito mas certamente pelo fim da família patriarcal e sua substituição pela nuclear.

Hoje pouco se sabe além dos avós, desinteresse que tem um efeito negativo na coesão social .

O cultivo da memória familiar deve ser a base de valorização do conhecimento histórico a serviço da evolução social e econômica da família, bem como de alimentar a sua visão de contínua confiança no futuro e no valor da educação .

 



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