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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 Prudente de Morais

Um dos personagens muito interessantes da história do Brasil é o nosso terceiro presidente da república Prudente José de Morais Barros.

Nascido no interior de S.Paulo numa região para onde se deslocava o núcleo da exploração econômica do café e de outros produtos Prudente,  conviveu desde cedo com uma nova elite agrária.

Fugindo do modelo escravista, introduzindo trabalhadores assalariados ou meeiros , muito dos quais imigrantes que já chegavam de países mais avançados o panorama político e social  de S.Paulo local muito se alterou . A escola de Direito local tornou-se indubitavelmente a melhor do Brasil. Prudente lá se graduou .

É no interior de São Paulo que surgem os primeiros clubes republicanos  e depois o Partido Republicano Paulista, ao qual ele se filia depois de uma passagem , como deputado, pelo Partido Liberal.

Liberal autêntico muito ativo é surpreendido pelo golpe militar que proclama a República . Dela se aproxima contudo e é escolhido Governador de São Paulo que renuncía para , como Deputado  por São Paulo se aproximar do centro de poder.

Com muita habilidade política e parlamentar se candidata como representante civil e é eleito o primeiro presidente não militar, em sucessão à Deodoro e Floriano.

O país estava dividido entre radicais saudosos da monarquia e militares positivistas que viam conspirações por todo lado. Neste contexto manobrou para administrar o país em meio a crises econômicas causadas ( ou alimentadas ) pela má política econômica do Ministro Ruy Barbosa, consolidando num “funding loan” os inúmeros dívidas mal negociadas. Superou revoltas ( a maior dela a de Canudos).

Estabeleceu em bases tão sólidas quanto possíveis um regime civil onde o poder seria compartilhado por esta elite agrária de São Paulo e Minas Gerais, que duraria até 1930.

A rebelião de Canudos no Nordeste foi aniquilada pelo exército de forte ideologia positivista , que a identificou como uma revolta monarquista, caso precoce de fake-news de origem militar porque era mesmo um movimento de místicos e miseráveis.

Um militar, Euclides da Cunha, em memoráveis artigos para o jornal O Estado de São Paulo denunciou o genocidio e mais tarde celebrizou-se bom a autoria do  livro Os Sertões que narra esta história.

No exercício da Presidência Prudente sofreu  um atentado no dia que recebia tropas vitoriosas de Canudos , num gesto de apaziguamento, num momento onde a sociedade civil começava a perder de vez o encanto com os militares, já muito contestados desde Floriano.

No atentado faleceu o Ministro da Guerra.

Não obstante essas vicissitudes , completou o seu mandato em 1898 e passou a Presidência para Campos Sales que deu continuidade à sua política.

Após a Presidência voltou a advogar em sua Piracicaba natal onde veio a falecer de tuberculose em 1902.

Por sua atuação pré e pós proclamação da república e sua habilidade política, Prudente de Morais, merece ser considerado um dos nossos grandes estadistas.



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