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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 O POSITIVISMO NO BRASIL

Na Europa do século XIX, no momento onde as consequências negativas da Revolução Industrial se mostraram mais agudas, diversas reações da sociedade procuraram corrigir seus efeitos .

Jornadas de trabalho mais humanas, regulação do trabalho feminino e infantil , vilas operárias , saneamento e melhorias urbanas foram algumas das iniciativas de empresários e pensadores como Saint Simon, Richard Owen e outros.

Marx e Engels conceberam a sua doutrina de luta de classes e uma filosofia materialista da história, que veio a ter grandes consequências para a humanidade.

Na França um outro pensador, Auguste Comte, concebeu uma outra teoria de “cientificar” o estudo da sociedade, a exemplo do que , desde o Iluminismo vinha se fazendo com os progressos da química e da física nos estudos da natureza. O objetivo era portanto tratar os fenômenos sociais como ciência, descobrir as leis que os regem e aplica-las na construção de sociedades ideais.

Essas teorias, denominadas positivistas, ganharam adeptos no exército francês e na Escola Politécnica , mas em nenhum lugar geraram impactos tão grandes como no Brasil. Aqui  a pregação de professores da Escola Militar e da Politécnica difundiram seus conceitos, generosos s racionais em teses mas profundamente impositivos e uniformizadores, restritivos à liberdade individual.

Quando a República foi proclamada as duas grandes forças políticas que se compuseram foram os militares positivistas, adeptos de um regime autoritário, unitário , modernizador e a fazendeirada conservadora e federalista. Ambas patrimonialistas.

Desde então vivemos a consequência deste estranho conubio de diferentes, mas que se unem na repulsa ao liberalismo democrático.

A democracia convive com ideias discordantes, credos diferentes, adversários. O positivismo, o fascismo ou o marxismo são por autodefinição , donos de uma verdade científica, de um credo único,e não existem adversários porque quem discorda é inimigo.

Deodoro e Floriano foram positivistas. A doutrina perdeu o pé e só voltou ao poder com Getúlio . Após o breve interregno dos anos JK voltamos ao período dos militares positivistas sucedidos por uma “nova república” quase anárquica na sua ingovernabilidade, eis que amparada numa coalização onde o ponto comum era extrair da sociedade o máximo de benefícios para os seus servidores. Agora o discurso oficial voltou a ser uma versão piorada do positivismo.

A Assembleia da ONU realizada esta semana, mostra uma preocupante fragmentação do ideário de uma fraternidade mundial em benefício do que poderíamos considerar a disseminação de positivismos neonacionalistas ( que são estatistas, ditatoriais e antidemocráticos) pelo mundo afora.

 



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