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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

DESENVOLVIMENTISMO


Ao final da Segunda Guerra Mundial o mundo se viu confrontado com algumas novas questões:


- pela primeira vez na história o confronto entre países havia adquirido um caráter global , ou seja, não eram mais as guerras entre  países europeus que arrastariam o resto do mundo para conflitos. A divisão passou a ser entre o mundo soviético, socialista- ao qual se juntou a China- e o mundo ocidental capitalista - ao qual se juntaram países perdedores como Alemanha e Japão;


-áreas periféricas a estes blocos tenderam a  não se alinhar automaticamente a nenhum deles, como India , América Latina e Oriente Medio este  desde sempre conflitado internamente pela sua riqueza em petróleo, escassez de água, implantação formal de Israel - um pais criado pela ONU - em cima de pleitos ancestrais dos judeus e fundamentalismos religiosos;


A redução das desigualdades internas nestes países não-alinhados e em países vizinhos aos lideres de cada um dos blocos  virou o grande tema politico para eles. Vários caminhos foram tentados, alguns deram certo outros não. Os lideres dos blocos procuravam oferecer vantagens a quem se alinhasse com eles, Os pa'ses "espertinhos"procuravam obter vantagens dos dois lados,


O primeiro grande caminho , objeto de algumas formulações em estudos internacionais , foi o desenvolvimento planejado com base na autosuficiência dos países que buscariam independer de importações. Assim produzindo tudo dariam emprego à sua gente e constituiriam parques complexos de produção fugindo de um passado em geral exportador de matérias primas para os países mais avançados. Vários órgãos nacionais e internacionais como o BNDE, a SUDENE ,Banco Mundial apoiaram esta rota financiando projetos de usinas hidrelétricas, estradas, siderúrgicas etc . O Brasil em particular implantou logo depois da guerra o Plano Salte, depois um Plano  de Metas,  depois de 1964 planejamento centralizado a cargo do IPEA, depois I e II PND e continuou insistindo nesta rota com os recentes PAC no Governo Dilma. Desenvolveram-se,  mas as tremendas desigualdades internas permaneceram pois o foco eram os projetos ( que obviamente melhoravam a vida das pessoas afetadas mas não necessariamente de todas as pessoas do pais).


Outros países partiram para investir em educação e saude, constituindo mão de obra preparada  e qualificada e inserindo-se nas cadeias mundiais de produção e consumo, como Coreia e Singapura  e depois de 1970, China, Vietnan e mais recentemente India. Estes se deram melhor. A renda cresce mais rápido, a população galga índices de educação melhores  e o crescimento é menos concentrador de renda. Não que enormes problemas tenham sido eliminados e, dentre eles, um problema do autoritarismo politico.


No Brasil um debate de altíssimo nível marcou a discussão entre estas duas rotas _  o debate Roberto Simonsen x Eugenio Gudin, realizado logo no pós guerra nos salões imponentes do recém inaugurado  Ministério da Fazenda, O Professor Dias Leite, futuro Ministro secretariou este debate. 


Roberto Simonsen defendeu o planejamento centralizado e o papel do Governo no apoio à criação e ao fortalecimento da industria nacional, ele membro destacado da FIESP. Eugenio Gudin, um liberal, defendeu o Estado no seu papel clássico de segurança, saude e educação , eliminaçao de barreiras à importações e exportações e inserção competitiva na economia mundial..


Roberto Simonsen perdeu o debate mas suas teses foram aceitas pelas instituições governamentais e até o grande questionamento posto na mesa pelo Governo Collor, prevaleceram, Essa politica centralizada chamada de desenvolvimentismo, nacionalista, cuja expressão perversa era : "vamos fazer crescer o bolo antes de reparti-lo" e o abuso de criação de empresas estatais,  agravou enormemente a concentração de renda, que continua sendo um enorme problema nacional e fonte da nossa instabilidade política.



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