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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

O século da  ciência

O terceiro século AC pode com justiça ser denominado o século da ciência e das invenções, assim como o século anterior tem sido chamado do período axial, pois corresponde, por mínimos que fossem os contactos entre as diversas regiões do mundo, a uma tomada de consciência global do homem em relação a si mesmo. 

Isaias em Israel, Buda na India, Conf;ucio na China, a consolidação do conhecimento de Zoroastro na Pérsia e o século de ouro da filosofia na Grécia com Sócrates, Platão  e antes deles, os chamados pré-socráticos, em varias cidades em torno do Mediterrâneo, nos falam desta fixação dos estudos e reflexões sobre o homem.

Ao final deste século e inicio do seguinte o mundo passa por uma das mais significativas transições da sua história. Um conhecido historiador do renascimento cunhou o conceito das três idades que a terra viveu: a dos deuses, a dos heróis ( que são filhos de um deus com um humano, como o Hércules da mitologia) e a dos homens.

Ninguem melhor do que Alexandre o Grande personifica esta transição. Rei de um pequeno estado da Europa Oriental- a Macedônia-  que seu pai havia transformado numa máquina de guerra e de  pilhagens partindo inicialmente para a conquista da Grécia, ele estendeu este conceito de exército profissional, vivendo da sucessão de conquistas  pelo então conhecido mundo. Sua pratica era a da pilhagem para remunerar seu exército. Mas seu ideário, quando entrou em contacto com os antigos impérios persas, assírios, medas  foi além da visão  limitada grega que aprendera de Aristóteles, onde o mundo ideal era o das cidades-estado.

Ao longo de suas campanhas,  onde foi conquistando todos os países e povos do Egito ao Cáucaso e ao Hindukush e da Grécia até a o norte da India, foi fundando cidades e mudando um pouco a feição das varias regiões conquistadas. Nestas cidades instalava seus soldados e para elas, depois da sua morte com a partilha de seu império entre os seus generais, afluíram estudiosos e divulgadores da cultura grega. Quando Alexandre morreu em 323 AC  estava pensando em dominar a Sicilia e Roma. Estas inúmeros cidades , nos dois séculos seguintes  cultivaram a herança da cultura grega e  este período, de grande desenvolvimento centrado em Bagdá e em Alexandria do Egito, é chamado do Helenismo.

A filosofia e as ciências não são construções que caem do céu, como as religiões. Elas se desenvolvem em contextos sociais e políticos favoráveism como foram estes séculos no Oriente. As ciências naturais como promovido por Aristóteles, tutor de Alexandre, já haviam sido equiparadas às ciências humanas e sociais Contrariamente a seu tutelado, que se considerava filho de Zeus, e portanto o último e o maior dos homens da Idade dos Heróis (talvez para melhor impor sua autoridade sobre os diversos povos conquistados), Aristóteles era um homem da ciência e através de suas obras viemos a ter um conhecimento dos filósofos naturais que o precederam,  e especialmente dos matemáticos  e engenheiros que combinando a ciência com a  inovação, criaram varias e proveitosos inventos.

O maior consolidador dos conhecimentos matemáticos até esta época foi Euclides,  a quem é atribuida a serie de livros coletada nos "Elementos", que até o século XIX era a base para o estudo das matemáticas ( geometria, álgebra e aritmética). Discípulo  dele foi  Arquimedes e, depois , seguidor Demócrito , terceiro diretor da Biblioteca de Alexandria, cidade fundada por Alexandre.

Demócrito ira se notabilizar por provar o formato esférico da terra e medir o seu tamanho. Arquimedes estabelecido em Siracusa ganhou fama no mundo antiho e alguns dos seus experimentos ganharam uma divulgação fantástica no mundo antigo , Dentre eles a engenhosa maneira de resolver um problema  envolvendo quantidades de ouro e prata utilizadas na confecção de uma coroa e o raio da morte - o uso de vários espelhos côncavos ( provavelmente escudos de bronze polidos) para concentrar os raios solares e incendiar navios que sitiavam Siracusa. Combinando matemática e física  com alavancas e polias ,conseguia movimentar cargas pesadíssimas com facilidade. E dizem que falou : "Deem-me um ponto de apoio que eu movimentarei o mundo. 

Nos 50 anos que medeiam  a morte de Alexandre da primeira guerra púnica, onde os romanos derrotam os cartagineses e começam a afirmar a sua superioridade no mundo antigo, as ideias desses inventores e matemáticos se difunde e viabilizam estradas, abóbodas, aquedutos, grandes obras públicas. Abre-se o campo da ciência aplicada que a partir de então vai se desenvolver sem parar.

 



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