Edição anterior (2015):
domingo, 17 de maio de 2020
Ed. 2015:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2015): domingo, 17 de maio de 2020

Ed.2015:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

William Harvey  (1578-1657)


Na semana passada vimos como a descoberta do corpo humano , seus órgãos, nervos, veias, artérias só foi possível graças aos trabalhos de Vesalius, dissecando cadáveres  nas suas aulas de anatomia na Universidade de Pádua e na posterior publicação de seu livro magnificamente editado e, até hoje, reeditado.


A universidade tornou-se o centro mais importante da Europa em estudos. Alem de Vesalius,  Galileu ensinou lá por uns tempos mas a sua excelência estava na medicina. O próprio Vesalius, belga de nascimento já tinha ido para lá por causa disso. E assim não devemos estranhar que um rico jovem inglês, Harvey,  vocacionado para a ciência médica para lá se dirigisse e trabalhasse com alunos de Vesalius..


Harvey tinha bem na cabeça dois conceitos vindos de Aristóteles, escritos portanto 1800 anos antes. 


O primeiro é de existir na natureza a evolução dirigida para a perfeição, sendo o círculo, que então se acreditava marcar a rotação dos planetas, uma destas manifestações. A palavra circulo é de mesma etimologia de ciclo, que  comanda eventos como o ciclo da água, o ciclo da vida etc. 


O outro conceito  é o da  forma das coisas mostrar para que servem, ou vice-versa, as formas são as mais adequadas para que as coisas da natureza cumpram as funções que possuem. E assim também, apontava  Aristóteles, no corpo humano, ao falar de músculos e ossos. 


Nos órgãos internos do corpo humano, porém, somente com os trabalhos de Harvey, foi desvendado no detalhe, o maravilhoso  funcionamento dos ciclos de digestão, respiração, eliminação de suores e resíduos da digestão, e sua grande descoberta, a circulação sanguínea. Isso começou quando ele observando de todas as formas, o funcionamento do coração, inclusive começando a dissecar animais ainda vivos, viu que ele era , na realidade, uma espécie de bomba como sugerem os dois ventrículos, o formato apontando a sua função.  


Na década de 1930 os arquitetos da escola  Bauhaus reabilitaram esta visão com o conhecidíssimo dito "forms follows function", empregado ao desenho de móveis, utensílios, edificações.


 Harvey,  dissecando,  ainda vivos, animais de sangue frio como répteis, cuja pulsação é mais lenta, constatou que o coração era o órgão chave no impulsionamento do sangue que circulava pelo corpo. O detalhe da transformação do sangue venoso em arterial somente foi descoberto, já no fim da sua vida, por um seu aluno, Marcelo Malpigui , isto em torno de 1650.


A contribuição  de Harvey para o entendimento do funcionamento dinâmico dos órgãos internos dos corpos vivos foi enorme. Tendo repetido a experiencia De Aristóteles de quebrar um ovo fecundado a cada dia para identificar o progresso da formação de um ser, com a pequena mancha mais escura de sangue se formando, depois começando a pulsar e todo resto do corpo do embrião  evoluir.  A morte ocorria quando esta pulsação se interrompia, pulsação que na verdade fazia mover o sangue no seu ciclo de arterial para venoso, ou seja era um bombeamento, não um simples pulsar , com isso fazendo o sangue venoso transitar pelos pulmões e voltar oxigenado pelas artérias.


Naturalmente isso permitiu a melhoria no tratamento de uma série de doenças e numa valorização da ciência como caminho para ensejar vidas mais longas. Harvey tornou-se um dos médicos mais famosos da história e foi médico de reis da Inglaterra.


É surpreendente como ainda hoje exista uma refutação da ciência por parte de gente que diariamente se vê confrontado pelas suas enormes realizações.
 

 



Edição anterior (2015):
domingo, 17 de maio de 2020
Ed. 2015:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2015): domingo, 17 de maio de 2020

Ed.2015:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior