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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

PREPARANDO A ARRANCADA DA CIÊNCIA - FRANCIS BACON

O início do século XVII deve ter sido um tempo fascinante para os pensadores e para os primeiros cientistas. Os personagens desta época que deixaram seu nome na história, mercê de suas enormes contribuições, foram vários. Alguns já comentamos em artigos anteriores. Outro faremos agora , Francis Bacon ( 1561-1626).


Era uma época que o homem preparado era conhecedor de muitas coisas: matemática, filosofia, direito, filosofia natural- ciências-, astronomia. alquimia e  muitos outros conhecimentos.


A tentativa de sistematizar todo conhecimento apresentada, há alguns séculos, na Suma Teológica de Tomás de Aquino, ele mesmo já devedor dos trabalhos anteriores de Aristóteles e de Hugo de São Vitor, já não atendia à explicacão do mundo natural. É nesta época que Descartes no seu Discurso sobre o Método propõe toda uma metodologia científica, baseada na racionalidade dedutiva, que marcou profundamente o pensamento continental europeu. Era uma tentativa de dizer que Deus criou o mundo e que a partir daí o mundo  ele evoluiu sózinho. Nós devíamos ir deduzindo , descobrindo, como se comportavam os fenômenos naturais.


A necessidade de avançar na ciência com método tem , em contrapartida, na Inglaterra , em Francis Bacon, um propositor de caminho alternativo. Francis Bacon foi um dos mais importantes homens públicos da sua época, combinando as suas investigações sobre a filosofia da ciência e os mais variados assuntos  com experimentos alquímicos. Foi um grande Rosacruziano envolvido em investigações místicas, mas sem deixar que isso contaminasse a sua contribuição científica. Isso nos lembra o grande astrômomo e matemático Kepler, sobre o qual já falamos, que ganhava a vida numa época como astrólogo sem acreditar em nada na astrologia. Tempos difíceis. como aliás, os atuais.


A carreira pública de Francis Bacon foi notável tendo sido feito Visconde de St Albans e exercido o posto importante de Chanceler da Inglaterra . Mas, entre outras agruras,  respondeu a processos por desvio de recursos públicos.

 

Bacon  é considerado o primeiro formulador do método indutivo na investigação científica , sendo assim um crítico dos racionalistas dedutivistas como Descartes. Seu trabalho no campo da filosofia da ciência é extremamente importante pela tentativa de eliminar nos processos científicos os principais vícios de pensamento, que frequentemente faziam homens brilhantes se agarrarem a um resultado parcial, que confirmasse seus conceitos ( ou preconceitos), e com isso o adotassem como verdades.

 

Sua obra Novum Organum é muito bonita de se ler e no escopo de um artigo como este comento dois de seus capítulos, que ele trata de Aforismos.


No aforismo 94 ele responde a um homem público que lhe pergunta se poderíamos ter esperança em um futuro melhor. Muito claramente, apesar da terrível situação então vigente ( parece a nossa ? ), Bacon  responde que sim e de uma maneira muito direta diz ao homem público ( quem sabe , o próprio Rei): "Apesar de todas os conselhos e sugestões você persistiu em tomar o caminho errado e as coisas resultaram nefastas. Devemos ter grande esperança que fazendo o contrário do que você fez, os novos tempos possam trazer  dias melhores.


No aforismo 95, ele faz a muito citada comparação entre os homens e as formigas, as aranhas e as abelhas, associando-os  à maneira se de ser desses insetos. Os homens que se preocupam em juntar coisas, acumular, obedecer rigidamente ordens, andar em rebanho seriam como formigas ,escravos da ordem maior do formigueiro humano. Os intelectuais mergulhados em si mesmo, em infindáveis elocubrações da atividade de refletir e no pensar sem ação, vomitando de tempos em tempos, o produto dessas especulações, seriam como as aranhas que autonomamente fazem as suas teias. Muita atividade cerebral pouco produto útil. O verdadeiro modelo devia ser a abelha, que tanto colhe o pólen de várias flores como o elabora formando o mel, de utilidade e beleza enormes. Assim os homens deveriam buscar o conhecimento recolhendo o que existe e elaborando-o em cima dessa contribuição coletiva. 


Este modo de pensar, criativo,  que aponta a defesa da indução,  vai ganhar realmente ganhar um tratamento sistemático por David Hume décadas mais tarde, mas Francis Bacon , que faleceu um quarto de século antes de Descartes, marcou o início da Revolução Científica, sendo por isso decantado como o pai da ciência nos paises da lingua inglesa.



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