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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

RESPIRANDO CIÊNCIA

Os séculos XVII e XVIII foram extremamente férteis no desenvolvimento da ciência, antigamente denominada “Filosofia Natural”. Com Isaac Newton passou a prevalecer sua “cosmovisão” e caíram os conceitos formulados por Aristóteles cerca de dois mil anos antes. Um ambiente de questionamento de antigos dogmas espalhou-se por toda a Europa. A experimentação e o método indutivo ganharam força nas universidades.

Aristóteles havia afirmado que todos os materiais eram compostos em proporções variadas de apenas quatro elementos: o ar, a terra, a água e o fogo. Para ele, a natureza era perfeita. Tudo que nela existisse consistia na junção de minúsculas partículas de formas exatas (cubos, esferas, tetraedros etc.) Na Alta Idade Média, a Suma Teológica de São Tomás de Aquino acrescentou a isso uma espécie de “carimbo divino”, já que, sendo obra de Deus, a natureza não poderia deixar de ser perfeita. Ai de quem duvidasse!

O homem, prático e curioso, sem se preocupar com tais teorias, já havia aprendido a usar o fogo para derreter os minérios de cobre e de estanho. Ao misturar os dois metais obteve o bronze. Estas descobertas são utilizadas para designar estágios da história da humanidade. Assim, ao longo de séculos passamos da “idade da pedra lascada” para a “idade da pedra polida” e, depois, para a idade dos  metais. A “idade do bronze”, vista acima, foi sucedida pela a “idade do ferro”. Em suma, o diálogo entre experiência e engenho humano sempre existiu, mas só veio a ganhar foros de ciência quando se passou a entender a razão das coisas. Uma vez entendido o processo, ainda foram séculos até decifrar todas as reações químicas que eles encerravam.

Ao longo do tempo, outros materiais foram sendo obtidos. A inquietação e a curiosidade dos homens os levaram a formular novos compostos e também a verificar que alguns elementos, mesmo quando fragmentados ao máximo e submetidos à altas temperaturas, mantinham suas características essenciais. Consolidou-se o conceito de que, além dos 4 elementos essenciais, havia uma diversidade deles. A Escola de Mineralogia de Freiburg, no curso de suas pesquisas sobre os minérios de ferro da Saxônia, trouxe conhecimento das diferentes idades geológicas e propriedades de terras.

Enquanto isso ocorria multiplicavam-se as experiências científicas. Muitas destas experiências eram envolvidas em mistério, misturas que mudavam de cor, venenos e outras que pareciam pretensão dos homens descobrir segredos divinos, daí a química, em sua denominação de então, “Alquimia”, ter um caráter meio mágico, não raro associado à bruxaria.

O principal foco da Alquimia era buscar a transformação dos metais. Ignorando a composição das matérias, guiando-se pelas aparências, a busca principal era transformar chumbo em ouro. Enfim, eram ambos metais pesados e não muito duros. Já seria uma bela façanha se tivessem sucesso em trocar cor do chumbo para o dourado.

Naturalmente, nunca tiveram sucesso. É estranho, porém, saber que Boyle e Newton, dois pilares da Revolução Científica e que chegaram a ser presidentes da Royal Society, entidade científica inglesa, pesquisaram tal tema durante anos.

O conceito de “elemento” progrediu muito com as experiências de alguns ingleses no tocante ao ar. Observaram eles inicialmente que o ar tinha diferentes componentes, pois a queima de gravetos gerava fumaça que se dissolvia no ar. Ao esquentar água, da mesma forma, o vapor também desaparecia no ar. O cheiro de perfumes se difundia pelo ar...

Fazendo-se um líquido fermentado, como o vinho, borbulhar dentro de um vaso de bico fino que resfriavam, verificaram que a fumaça condensada se tornava um líquido. Espantados, ao vê-lo se volatilizar, o nomearam “espírito”.

Observaram também que uma vela acesa deixada em uma caixa de vidro hermeticamente fechada logo se apagava. Um camundongo, porém, vivia algumas horas até sufocar pela falta de renovação do ar. Daí, se percebeu que a respiração era uma espécie de combustão. Cruzar tais experiências com as de Harvey e Malpigi sobre a circulação do sangue e o papel dos pulmões foi um passo: havia um gás que era consumido pela respiração. Esse gás, que transformava o sangue venoso em arterial, era o oxigênio. Depois, observou-se que plantas colocadas na mesma caixa, pelo contrário, não morriam e se desenvolviam. Assim, se identificou que a respiração humana usava oxigênio e emitia carbono, e a das plantas capturava o carbono e liberava o oxigênio.

A partir dessa época, o conhecimento científico tende a ser feito em campos especializados e distintos: Biologia, Química, Física etc. Se nos colocarmos porem , no lugar desses pioneiros da ciência, deve ter sido fascinante testemunhar que descobertas em determinado campo científico possibilitavam outras descobertas em campos diversos e, com isso, perceber a unidade do universo.



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