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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

A lentidão e a rapidez do progresso científico
 
Hoje, quando defendemos o desenvolvimento científico, fundamental para tornar a economia de um país mais moderna, defendemos mais verbas governamentais para pesquisa básica e incentivos para o desenvolvimento tecnológico. Até o início do século XX o quadro era outro.  Chegava-se à ciência partindo das técnicas e sua sistematização em tecnologias , em geral voltadas para um aspecto da produção industrial ou proteção da saúde. Só então procurava-se a explicação da ciência para os fenômenos observados. Era um desdobramento da evolução primitiva das técnicas mais usuais na nossa vida.
 
Os primeiros utensílios fabricados pelos antepassados do homem datam de cerca de 10 milhões de anos passados. São soquetes e pedras afiladas que certamente serviam para retaliar  pedaços maiores de animais caçados para alimento ou para retirar suas peles. O progresso dos nossos antepassados - homo erectus- , em paralelo ao aumento dos seus cérebros, pode ser inferido quando se imagina que levaram 7,5 milhões de anos a obter de um  pedaço de pedra  de mesmo tamanho, cinco vezes mais arestas cortantes de pedras lascadas ,fracionando uma pedra de tamanho igual à original. Depois mais 2,4 milhões  de anos para 0 homo neandertalenses obter com a mesma pedra , já conhecendo onde bater seguindo seus veio, para quebrá-la de forma a obter  um comprimento vinte vezes maior nas suas superfícies cortantes para fabricar facas primitivas de sílex.
 
O fogo parece estar dominado em termos de uso há cerca de 400.000 anos embora a possibilidade de ser aceso quando alguém desejava somente foi alcançada há 40.000 anos. 
 
Nos milhares de anos seguintes o homem aperfeiçoou seus instrumentos de caça como lanças e dardos e de pesca. Em paralelo acorda para a arte e para instrumentos muito simples de sons musicais como flautas que podiam servir para atrair pássaros. Eles vivem ainda em cavernas e decoram suas paredes com  vultos dos animais.
 
Nos últimos 15.000 anos os homens observam mais a natureza, tanto o firmamento quanto o terreno.  O cultivo da terra gera a seleção artificial das sementes de trigo, sorgo e cevada. O vento leva a sementes mais leves e as mais duras o homem colhe das espigas, para comer e depois para semear. Diferenciam-se assim os tipos de vegetais obtidos e a necessidade de proteger suas plantações faz com que os homens construam, perto delas,  choças e cabanas à imagem de suas antigas cavernas. As fogueiras armadas em certo tipo de solo argiloso, aquecem o barro mole e úmido que se solidifica,  produzindo placas e depois potes impermeáveis que permitem o armazenamento de água. A cocção de grãos para amaciá-los e o cozinhar da carne para conservá-la seguem-se. 
 
Algumas dessas pedras por efeito do calor derretem-se em líquidos metálicos, fazendo com que uma metalurgia primitiva se estabeleça onde  solos por elas constituídos  são encontrados. O metal líquido  se resfria, tomando a forma dos recipientes de cerâmica para onde escorre e  permite que armas e ferramentas agricolas mais eficazes sejam fabricadas. Entre 15.000 AEC e 5.000 AEC, a   depender do local da Ásia , África, Europa ou mesmo América, para onde os homens migram em torno de 15.000 AEC, os homens vão dominando essas técnicas e aperfeiçoando-as. 
 
É ainda no final deste período, que a partir da rolagem de toras de madeiras, os homens vão inventando utilizações para a roda, especialmente quando combinada com a domesticação de animais, construindo veículos por eles movidos, utilizados na agricultura, na construção e mesmo em armas de guerra. É sintomático que cerca de 4.000 anos depois da invenção da roda, Colombo e outros exploradores encontrem civilizações avançadas na América mas que não a utilizam, talvez por não existirem animais de grande porte para tracionar veículos ou arados.
 
Tudo isso ocorre na pré-história, período de delimitação muito fluída mas que podemos adotar como o período onde surge a escrita. Costumava-se dizer que antes da escrita não há história como a entendemos e não há ciência. Mas isso não é correto: existe um enorme progresso humano que lamentavelmente não podemos, senão de forma indireta, arrumar num calendário evolutivo.


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