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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 


ALQUIMIA E CIÊNCIA

A palavra Alquimia, etimologicamente, significa química. Ela possui conotações variadas, especialmente quando impregnada de conteúdos místicos.

Na dimensão mais científica, porque mesmo nesta há conteúdos subjetivos, ela compreende as experiências de vários pesquisadores na busca de diferentes elementos, sendo uma precursora da química científica.

Lembramos que, partindo dos quatro elementos clássicos (ar, terra, água e fogo), os primitivos pesquisadores, muitas vezes confundidos com feiticeiros, começaram a procurar sub-elementos e novos elementos. As reações químicas entre as substâncias que pesquisavam às vezes causavam explosões, especialmente quando manipulavam enxofre. Isso bastou para que tal elemento e o seu cheiro ficassem associados a coisas satânicas e diabólicas.

Reações químicas entre dois compostos ou dois elementos resultando em um terceiro pareciam viabilizar a possibilidade de transmutação da matéria, ou seja, obter um novo material a partir de alguns outros. Naturalmente, isso imediatamente sugeriu que seria um grande negócio a transformação de metais mais abundantes e baratos no cobiçado ouro. O chumbo era o elemento de preferência para tais pesquisas, por ser bastante pesado (como é o ouro) e bastante trabalhável, por meio da aplicação de calor.

Em um certo ponto, as pesquisas puramente físicas começaram a compreender uma dimensão metafísica. Analogamente à transformação de reles metais em ouro, poderia ser tentado o aprimoramento do homem em seu estado comum para um novo patamar de homem sábio, perfeito e bom. Idealizava-se no imaginário medieval a busca pelo Santo Graal e pela Pedra Filosofal.

A procura da Pedra Filosofal é então denominada pelos alquimistas como 'a Grande Obra', que resultaria de um processo em quatro etapas: 1) a 'obra em negro', fusões e putrefações; 2) a 'obra em branco', fases de filtração e purificação; 3) a 'obra em amarelo', que seria a etapa de transformação de chumbo ou prata em ouro; e, por fim 4) a síntese do processo, com a obtenção da Pedra Filosofal.

Tudo isso era descrito através das mais herméticas e esotéricas simbologias, presentes em livros de personagens fictícios, como Hermes Trismegisto (origem do termo "hermético", referindo-se a coisas ocultas) e exploradas por aqueles cientistas que se confundiam com charlatães, como o médico Paracelso, um suíço, médico, astrólogo e alquimista, que viveu na primeira metade do século XVI, com grande aceitação de seus tratamentos em várias cortes europeias.

Enquanto faziam suas experiências, sempre olhadas com suspeição por envolvimento com fatores sobrenaturais, os alquimistas foram criando seu próprio vocabulário, identificando as etapas do seu trabalho e seu objetivo final. Como já dito, no plano físico, a meta era obter a Pedra Filosofal. Já em seu plano simbólico, a meta era o encontro do elixir da longa vida, o que garantiria uma vida sem doenças e sem morte.

Alguns grandes cientistas ainda atribuíram virtudes à Alquimia, como foi o caso de Isaac Newton. Isso, porém, se deve mais ao componente físico - os alquimistas diriam metálico - da pseudociência.

No plano mais especulativo não podemos deixar de considerar que, embora totalmente descartada de qualquer conteúdo científico, em sua dimensão mística, a intuição da transmutação dos elementos veio a ser confirmada no final do século XIX com as experiências de Bohr e Rutherford sobre a estrutura do átomo. De fato, nos reatores de usinas nucleares, a fissão nuclear (fissão = separação) quebra o átomo do urânio, o que libera enorme quantidade de calor (como se vê em bombas atômicas) e isso cria o Plutônio, elemento também radioativo, como resíduo do processo.

No caso inverso, da fusão nuclear (fundir = juntar), são átomos que se fundem para formar elementos diferentes. O caso mais conhecido na natureza se processa no interior do sol, onde átomos de hidrogênio se combinam formando o elemento hélio e liberando enorme quantidade de energia que chega até nós sob a forma de luz e calor.

A fusão nuclear, promessa de energia limpa e inesgotável na Terra, ainda não foi obtida de maneira controlável, embora alguns aceleradores de partículas construídos em grandes laboratórios de pesquisa a tenham reproduzido em pequena escala. É uma enorme esperança e, ao mesmo tempo, uma enorme ameaça para a humanidade, tendo em vista que os mesmos princípios podem ser utilizados para a construção de um dos artefatos mais mortíferos já concebidos para a destruição, a bomba de hidrogênio.    

 



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