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  Covid-19

 “Kit covid” deve ser banido: médicos alertam para os perigos do uso de medicamentos sem eficácia contra o coronavírus

Três pacientes morreram e cinco foram parar na fila de transplante de fígado pelo uso dos remédios

Roberta Müller – especial para o Diário/Foto - Divulgação

           
 Seja através dos grupos de WhatsApp, por parentes ou amigos, ou até mesmo na “propaganda” feita pelo presidente Jair Bolsonaro, muita gente já foi impactada pela promessa de prevenção ao coronavírus pelo uso de determinados medicamentos que foram incluídos no que vem sendo chamado de “kit covid”. Mas, apesar da “fama” da hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes, a  Associação Médica Brasileira (AMB) é taxativa: o kit deve ser banido.

            Recentemente, o uso dos medicamentos levou cinco pacientes à fila do transplante de fígado em São Paulo e está sendo apontado como causa de ao menos três mortes por hepatite causada por remédios. Hemorragias, insuficiência renal e arritmias também estão sendo observadas por profissionais de saúde entre pessoas que fizeram uso desse grupo de drogas.

“Esse é um ponto passivo. Assunto fechado com a colocação da Associação Médica Brasileira (AMB), que reúne todas as sociedades; não existe tratamento precoce da covid-19. Isso já virou piada. Não tem a mínima indicação científica. Não tem o que ser discutido”, frisa Marco Liserre, médico infectologista do município.

Apesar disso, muita gente custa a acreditar na ineficácia dos medicamentos e podem estar prejudicando a saúde por conta do ‘kit covid”. A venda de drogas como a ivermectina, por exemplo, subiu 557% durante a pandemia no país em 2020, se comparado com 2019.

            Para o médico Daniel Falcone, isso é o reflexo de uma população ansiosa por uma solução contra o coronavírus. “A gente fundamenta em dois pilares: por um lado a gente tem a pandemia e as ameaças que o vírus traz, e um povo que aguarda ansiosamente por uma solução que a ciência não possui ainda. Do outro lado a gente tem a ciência, que procurou, entre trancos e barrancos, lá no início e depois de uma maneira mais organizada, encontrar soluções reais e estabelecer publicações que pudessem embasar decisões médicas de uso precoce e preventivo da covid. Naquela época a gente tinha uma Organização Mundial da Saúde (OMS) fazendo publicações de grande impacto, mas de pequena relevância cientifica, o que trouxe muito mais confusão do que realmente apoio para as decisões médicas e acabou acertando a população com uma expectativa frustrada”, explica o médico, que trabalha na linha de frente com pacientes de covid.

Ainda segundo o médico, esses dois pilares antagônicos estão em choque. “De um lado a população esperando e de outro a ciência querendo entregar. E a gente tem pouco a dizer a respeito de tratamento precoce, o que nós podemos dizer a respeito de vacina já é mais contundente, mas em relação a prevenção nossas opções são muito pequenas. Nas discussões sobre esses medicamentos nós não conseguimos ainda embasamento para recomendar o uso. A recomendação do uso precisa partir de uma evidencia cientifica justa e que possa munir o paciente muito mais de vantagem do que de risco”, alerta.

 

Higiene e hábitos saudáveis são boa alternativa para qualidade de vida

            Ainda para o médico, mesmo que não haja, ainda, um medicamento comprovadamente capaz de combater o coronavírus, outras medidas simples podem ser aplicadas no dia a dia das pessoas para o bem da saúde como todo.

“Nós temos ainda muito dilema. Mas o que não é dilema é que a gente sabe que os hábitos de vida e nossa alimentação adequada são as nossas melhores armas. Isso é uma aclamação que a saúde promove desde que o mundo é mundo. Então a gente já sabe, de muito tempo, que vitamina C normalmente favorece a nossa imunidade, assim como a vitamina D, que outros complementos e suplementos alimentares podem ajudar a gente a ter uma resposta inflamatória mais moderada. Essas medidas sim são medidas eficazes. Quem esteve lá no começo da pandemia preocupado com isso e trouxe até os dias de hoje o cuidado com a saúde tem uma larga vantagem”, completa Daniel Falcone.



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