Edição anterior (2128):
segunda-feira, 07 de setembro de 2020
Ed. 2128:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2128): segunda-feira, 07 de setembro de 2020

Ed.2128:

Compartilhe:

Voltar:


  Cidade

Manter pontos históricos é preservar cultura local, afirma historiadora

De acordo com a historiadora Maria Angela Gomes, cuidar do patrimônio histórico da cidade é responsabilidade com a História

 

Wellington Daniel


 Conhecida pelo seu rico patrimônio histórico, Petrópolis abriga prédios de bela arquitetura, monumentos e arquivo histórico abrangente. Para a historiadora Maria Angela Gomes, os monumentos históricos não devem ser vistos como importante apenas para o mercado turístico. Segundo a especialista, mantê-los é uma questão de preservação da cultura local.

- Os pontos históricos são importantes não só para o mercado turístico da cidade, seu papel está muito além do que se pode mensurar economicamente, está na cultura e na educação. Mantê-los é uma questão de preservação da cultura local – afirmou.

A historiadora lamenta o descaso com o patrimônio histórico no país.

- Como historiadora lamento pela falta de preservação dos monumentos e acredito que poderíamos explorar muito mais as nossas riquezas. Nosso Arquivo Histórico é muito rico e conta com informações privilegiadas que atraem pesquisadores de diversas partes; cuidar de nosso patrimônio é uma responsabilidade com a História do Brasil e do mundo – disse.

Importância da História

Maria Angela Gomes também conta que, nos anos 1930, havia um pensamento voltado para a modernidade e rompimento com o período monárquico. Com isso, houve a destruição de diversos pontos turísticos.

- Inclusive é nesse contexto que é criado o IPHAN, justamente com o objetivo de trazer esse equilíbrio. Atualmente compreende-se que esse pensamento é equivocado, pois não precisamos romper com o passado para seguir adiante, muito pelo contrário, precisamos resgatar o passado, aprender com ele, para assim construir o novo. Todo ponto histórico é rico em informações, cultura, conhecimento e deve ser plenamente valorizado – explicou.

A História é importante para a formação da identidade. É assim que o indivíduo passa a compreender que as realidades históricas não são isoladas do mundo, mas parte do processo em que está inserido, de acordo com a historiadora.

- Lembrar a história de uma localidade é tratar de assuntos referentes a uma determinada região apesar de estar relacionada a uma história global, ou seja, a história de uma localidade se caracteriza pela valorização de aspectos particulares, mas é um ponto de partida para a formação de uma identidade em diversos níveis – disse.

Para a historiadora, é complemente possível conciliar história de desenvolvimento. Ela explica que a história interpreta os vestígios do passado através da problematização, de perguntas e de questões. Com isso, é necessário um conhecimento do passado para garantir sociedades justas.

- A história é um movimento, está em movimento e é extremamente necessária para sociedade, pois se compreende que o que transforma a sociedade são os sujeitos transformadores, ou seja, as pessoas, nesse sentido o conhecimento histórico possibilita um olhar consciente para sua própria sociedade e para si mesmo. É imprescindível que haja um conhecimento do passado com o objetivo de garantir sociedades justas e assim um desenvolvimento saudável em todos os níveis e camadas sociais – concluiu.

Órgãos responsáveis

O Diário procurou a Prefeitura quanto às ações de preservação do patrimônio. O município informou que a Comdep, Secretaria de Obras e Instituto Municipal de Cultura e Esportes mantém um trabalho constante na manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos turísticos, monumentos e pontes.

O município administra alguns dos principais equipamentos turísticos e históricos, como Museu Casa de Santos Dumont, Museu Casa do Colono, Theatro D. Pedro e Palácio de Cristal.

Questionada sobre o Palácio de Cristal, a Prefeitura disse que as obras foram paralisadas devido a problemas financeiros com a empresa responsável, que decidiu pelo distrato amigável do serviço. Um novo processo foi aberto e o segundo colocado convocado, tendo um prazo legal para aceitar ou não a obra.

- Tão logo o município tenha os devidos ajustes legais e contratuais, e o segundo colocado aceitando o trabalho, o serviço será retomado. É importante lembrar que há mais de 20 anos o Palácio não passava por uma reforma como esta. O atrativo vai receber banheiros novos e acessíveis, além da troca do piso e de toda a parte elétrica. A reforma vai custar R$ 1.144.768,83, com maior parte do recurso proveniente de emenda parlamentar – afirma a nota.

Quanto ao 14 Bis, a Prefeitura disse que o equipamento será revitalizado e reinstalado em breve. Já em relação ao Painel Djanira, o município disse que já recebeu o parecer técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e segue os trâmites legais para marcar uma data para a licitação de restauração da obra.

O Iphan disse que reconhece o valor inestimável de Petrópolis para o Patrimônio Cultural Brasileiro. A cidade conta com cerca de 1.000 bens tombados e 10.000 em área de entorno, em mais de 130 logradouros. As edificações ao entorno, mesmo não sendo tombadas em si, não podem interferir na leitura visual ou na volumetria dos bens protegidos. O escritório do Instituto na Região Serrana se localiza em Petrópolis, no Palácio Rio Negro.

- Desta forma, os técnicos do Instituto acompanham de perto o estado de conservação dos monumentos através de fiscalizações periódicas – conclui a nota.

O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural também foi procurado, mas não retornou o contato até o fechamento.



Edição anterior (2128):
segunda-feira, 07 de setembro de 2020
Ed. 2128:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2128): segunda-feira, 07 de setembro de 2020

Ed.2128:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior