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Marceneiro de 85 anos conta sobre como foi trabalhar no ramo

Sylvio Serrão trabalhou por 55 anos na área, e, atualmente, faz peças por diversão

 

Antônio Reuther - Fotos - Alcir Aglio

A marcenaria pode ser tratada, tanto como uma arte, quanto um negócio. A antiga profissão, atualmente é ajudada pelo avanço da tecnologia, pois, com as diversas máquinas, com as mais variadas funções, é possível produzir inúmeros artefatos e objetos úteis e apenas para decoração, em maior quantidade, não perdendo a qualidade.

Sylvio Serrão, de 85 anos, trabalhou por vários anos com a profissão e já confeccionou todas as peças imagináveis que as maquinas permitem. Desde luminárias e jogos de tabuleiro, até móveis grandes, como mesas e estantes, que utiliza em sua casa.

Como tudo começou

Sylvio contou que começou a trabalhar aos 14 anos de idade, mas como ajudante em uma fábrica de tecidos. Após orientações de seu pai, se aventurou em uma oficina para aprender algum tipo de profissão. Segundo o pai, Sylvio não teria futuro trabalhando na fábrica, indicando-o para uma oficina de marcenaria.

-Eu comecei a trabalhar com meus 14 anos. Estava em uma fábrica de tecidos, onde fiquei por mais ou menos um mês, mas meu pai disse que eu não teria futuro. Com isso, ele me indicou para uma oficina de marcenaria, composta por dois amigos dele. Meu pai sempre dizia que eu tinha que escolher uma profissão e me aperfeiçoar nela, para dar o meu melhor. Indo para essa oficina, aprendi muita coisa. Fique lá por três anos e, quando saí, estava pronto para trabalhar na área. Nessa época, 1948, haviam muitos serviços ligados a essa profissão. Antigamente, os móveis das casas eram todos bem trabalhados e feitos com carinho – contou.

Após três anos trabalhando na oficina, conseguiu aprender muito sobre a área. Com isso, recebeu cada vez mais oportunidades em outras oficinas. Sylvio disse que a paixão pela área marcenaria, onde trabalhou por 55 anos, começou de forma inexplicável.

-Até hoje não descobri de onde veio esse meu gosto por fazer peças de madeira. Eu me apaixonei por isso. É relaxante e muito bom. Consegui outras oportunidades, e fui rodando, de oficina em oficina, aprendendo cada vez mais. Consegui, não só desenvolver técnicas, como também aprendi a manusear as mais variadas ferramentas. Descobri que é uma área muito mais ampla do que eu pensava. Trabalhei por 55 anos na área e não me arrependo de nada. Dediquei minha vida a isso e me orgulho muito. Fiz peças para vender, e algumas para utilizar em minha casa. Meu primeiro torno foi comprado pelo meu pai, e pago com trabalho. Gosto também muito de ensinar. Dois rapazes aqui da região demonstraram interesse e ensinei com o maior prazer – disse.

Nos dias de hoje, é difícil trabalhar com a área

O senhor contou que, naquela época, era mais fácil conseguir lucrar com as peças confeccionadas. Hoje em dia, Sylvio disse que ainda faz peças de madeira, por gosto, sem compromisso. Antes, o senhor possuía uma pessoa que o auxiliava nas vendas, mas isso acabou.

-Atualmente estou fazendo apenas por diversão. A idade já não ajuda muito. Tenho umas dores no joelho e não posso mais ficar muito tempo em pé trabalhando. Por isso faço sem compromisso. Teve até uma época que eu vendia minhas peças, mas tinha ajuda de uma pessoa que me ajudava. Depois de um tempo isso acabou. Não foi só por isso que eu parei de trabalhar com isso. Hoje em dia, você não vê mais trabalhos como antigamente. Muitas pessoas preferem adquirir peças com madeira artificial, por ser mais barato – alegou.

A única questão que Sylvio lamenta, é o fato de não ter deixado herdeiros. O orgulho marceneiro possui duas filhas, mas, nenhuma delas, se interessou em aprender a profissão. Sylvio disse que adora ensinar.

-Apesar de gostar muito de ensinar, não estou deixando nenhum herdeiro. Acho que é um trabalho que tinha que ser passado para frente, mas, nenhuma das minhas filhas se interessou pelo ramo. Recentemente, veio um menino jovem aqui e pediu para aprender. Se fosse para ele se especializar na profissão, ensinaria com o maior prazer, mas ele apenas queria aprender para fazer uma coisa simples. Infelizmente, não deixei herdeiros. Tive duas filhas que não mostraram interesse pela área – finalizou.

 


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