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  Cidade

Moradores e comerciantes do Centro de  Petrópolis se unem para cuidar de cães abandonados

Cheetos passeia pelo Centro com sua nova roupinha

 

João Vítor Brum, com informações de Letícia Knibel, especial para o Diário

 

Dados da Associação Mundial de Veterinária estimam que há cerca de 200 milhões de cães abandonados no mundo, 30 milhões deles apenas no Brasil. Em Petrópolis, não há um levantamento exato sobre o assunto, mas a situação é facilmente percebida ao andar pelas vias da cidade. Com o crescente número de animais nas ruas, parte da população se uniu para ajudar, pelo menos um pouco, a melhorar a vida dos bichos, que ganharam o apelido de "cães comunitários". Apenas no Centro Histórico, há cerca de 30 animais sob cuidados da comunidade, e, nas últimas semanas, pelo menos seis foram vítimas de agressão.

Ao redor da cidade, há diversos pontos com casinhas, potes de ração e comida e cobertores para os animais. Em alguns locais, inclusive, os cães ganharam roupas feitas de flanela para não passarem tanto frio ao longo do inverno.

É o caso do Cheetos, que geralmente fica entre as Ruas Montecaseros e 7 de Abril. Há pelo menos três semanas, o cachorro passeia pelo Centro com sua nova roupinha, doada por comerciantes da região.

Funcionários de lojas da região comentam que o cão é muito querido por todos, e que recebe muito carinho, mesmo morando na rua. Pessoas que passam regularmente pelo local já o chamam pelo apelido.

Em outro ponto do Centro, em frente ao Shopping Pedro II, há outras casinhas. O empresário Antônio Tavares, proprietário da Giselle Jeans, conta que todos os comerciantes do entorno ajudam a cuidar dos cães.

- São animais muito amados, mesmo morando nas ruas. Quando somem por um tempo, fico muito preocupado e sempre fico de olho. É importante lutar por estes bichos, que são indefesos e não têm culpa de serem abandonados - salientou  Antônio.

A protetora independente Aline Ferreira Gallo, 41 anos, conta que trabalha com proteção animal há 20 anos, e diz que sempre que vê um animal com um problema não consegue não ajudar, apesar de não ter condições financeiras para bancar todos os resgates.

Com isso, a protetora acaba pedindo ajuda aos amigos por meio de uma página no Facebook, onde posta vídeos e fotos dos animais com dificuldades e em situações ruins.

- Sempre recebo colaborações para arcar com as despesas das clínicas veterinárias, tratamentos, ração e outros cuidados necessários de acordo com cada animal resgatado - disse Aline.

Os animais, na maioria das vezes, ficam sob os cuidados da protetora, até estarem aptos para adoção. Em seguida são levados às feiras, nas quais busca um lar definitivo para os mesmos.

Gallo destaca que esse é um trabalho bem minucioso, que requer muita atenção, uma vez que os animais precisam passar por um processo de cuidados preventivos até que possam ser adotados (desde o tratamento inicial, passando pela castração, vacinação e vermifugação). Os interessados em adotar o animal precisam assinar um termo de responsabilidade e recebem visitas dos protetores para saber se o cão ou gato conseguiu se adaptar ao novo lar.

O protetor Domingos Galante estima que, apenas no Centro, cerca de 30 cães sejam "comunitários". Segundo ele, já foram 50 animais, mas alguns morreram e outros foram adotados. Ele conta, também, que as casinhas instaladas na cidade são padronizadas, resistentes à água e fruto de doações. 

- O trabalho das casinhas começou há aproximadamente dois anos, e agora acredito que tenhamos algo em torno de 35 espalhadas pela cidade. As casas são colocadas em locais onde já sabemos que há cães comunitários, e custam R$ 290 cada. As doações são essenciais para a ajudar estes animais.

Além dos locais citados, há casinhas na Rua Souza Franco, nas Praças Duque de Caxias, Oswaldo Cruz e João Augusto Borba (São Sebastião), entre outros.

Seis cães agredidos nos últimos 15 dias

 Cachorro agredido sendo socorrido

Nesta semana, quatro cachorros comunitários foram brutalmente agredidos no Centro. Destes, dois seguem internados na Clínica Amigo Bicho, um está em um lar temporário e o último está em uma hospedagem aguardando uma cirurgia. Os animais foram encontrados com ferimentos graves e não há suspeitos.

- Tinha uma cachorra no cio, com muitos cães atrás dela. Suspeitamos que, como a região tem muitas pessoas em situação de rua, algum deles possa ter feito mal aos animais devido ao tumulto que vinha sendo causado. Fico muito revoltado, e infelizmente não temos como saber quem fez esta maldade pois a área não tem câmeras - disse Galante, que comentou, ainda, que outros dois cães foram agredidos nas últimas semanas.

- Estamos tendo muitos casos de agressão. Há cerca de 15 dias, deram um tiro de chumbinho em uma cadela e outra foi cortada com facão, no Duarte da Silveira. O que atrapalha é a impunidade. O homem que matou dois gatos há alguns meses, por exemplo, não sofreu consequências, além da exposição na mídia. Ele pagou cesta básica e ficou por isso mesmo - completou Domingos.

Neste ano, a Coordenadoria de Bem-estar Animal (Cobea) atendeu 307 vistorias - entre fiscalização preventiva, orientação e denúncias de maus tratos. Os casos mais comuns são os de abandono de animais. Após uma visita da equipe da fiscalização, os responsáveis pelos animais são orientados sobre quais as medidas devem ser adotadas. Caso não cumpram com as exigências, podem ser multados de acordo com o crime cometido. A retirada do animal só acontece nos casos mais graves, com o apoio da Justiça.

 



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