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  Geral
 

Mudanças climáticas: uma realidade cada vez mais próxima

Chuvas fora de época acendem alerta para a realidade a ser enfrentada pela população de Petrópolis

Wellington Daniel

Petropolitanos se assustaram com a chuva forte do dia 16. Totalmente fora de época e forte, o temporal causou o alagamento de ruas. No Doutor Thouzet, foram registrados 73 milímetros. A situação deixou a pergunta sobre o que está acontecendo com o clima. Para especialistas ouvidos pelo Diário, são conseqüências das mudanças climáticas que afetam o planeta devido a ações humanas.

O professor de História e Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Anderson Campos Felipe, traz o panorama histórico de como tudo começou.

- Essas transformações começam a partir de 1750. É um período que o planeta começa a ser modificado pela ação direta do homem. E quando a população começa a pontuar que está mais quente ou mais ventos que antigamente, isso provoca questionamentos ao meio acadêmico. Então, motivados por estas situações de mudança, começou a ser feito um estudo por especialistas. E a partir deste estudo foi criado na ONU o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). E os estudiosos chegaram ao Efeito Estufa – explicou.

Anderson ainda aponta que o planeta está na 4ª Revolução Industrial, onde o ritmo de consumo é intenso. Sendo assim, é necessário que o consumo seja freado. Também é necessária a educação ambiental e o reflorestamento. A temperatura da Terra deve subir 2°C até 2.100, mas se nada for feito, este aumento deve ser de 6°C.

- Começou-se a perceber que com o desenvolvimento do homem e da tecnologia, três gases estavam modificando uma camada da Terra, impedindo a troca de calor que ocorria normalmente. Estes três gases (metano, dióxido de carbono e nitrato de óxido) passaram a ficar na superfície da Terra. E todo esse estudo também colocou como ponto certo que a temperatura vai aumentar. Ainda que o homem faça qualquer tipo de ação até o ano de 2.100, a temperatura tende a aumentar 2ºC. Se nada for feito, a temperatura vai aumentar 6ºC. E a grande preocupação é que toda transformação ocorrida no planeta, tem a conseqüência no próprio homem – afirmou.

 Causas

Entre as causas para o aquecimento, estão as queimadas. Além de, por vezes causarem desmatamento, esta prática também emite CO2 para a atmosfera.

- A Prefeitura está trabalhando com o Plano Inverno. É extremamente importante, pois as queimadas são grandes responsáveis pela emissão de CO2, que é um dos principais gases do efeito estufa. Por isso, temos estudos de áreas suscetíveis de incêndios, para evitar isto. Se cuidamos de queimadas, estamos cumprindo nossa missão perante a ONU – explicou Anderson

O chefe de fiscalização também da Secretaria de Meio Ambiente, Miguel Fausto, explica que o número de denúncias de queimadas é o segundo no ranking.

- Nessa época de seca, tende a aumentar os números de queimadas. E das denúncias que recebemos, 49% é desmatamento e queimadas vem logo em seguida com 19%. Queimada é crime ambiental. Na área ambiental, quando ocorre crime, a pessoa responde em três esferas diferentes, que são autônomas. A multa pode chegar até R$ 47 mil, dependendo a gravidade do crime ambiental – disse.

 Construções

A engenheira civil, Marceli Fernandes da Rocha, explica que as construções também precisam ser feitas com estudos, tanto para evitar impactos ao meio ambiente quanto para evitar que seja feito em áreas de riscos. Ela trabalha com licenciamentos na Secretaria do Meio Ambiente.

- Para fazer licenciamento ambiental das construções, temos que respeitar algumas situações e analisar áreas de proteção e reservas legais. No licenciamento, limitamos isso nas construções. Quando a construção é feita sem um estudo, a pessoa corre muitos perigos – afirmou.

Novas tecnologias também estão começando a ser utilizadas na construção civil para evitar impactos ao meio ambiente. Uma delas, é a eficiência energética das edificações, que é um sistema de maior efetividade nos gastos energéticos, como climatização, iluminação e aquecimento de água. Marceli conta um pouco mais do que tem sido feito.

- Entendemos que o uso racional da água, a eficiência energética das edificações, a utilização de madeira legal e de energia solar, a eliminação dos desperdícios, o correto gerenciamento dos resíduos e o emprego de materiais com baixa pegada de carbono, são meios para enfrentar a ameaça das mudanças climáticas – contou.

 Defesa Civil

 

Petrópolis possui hoje 234 áreas de alto risco geológico e hidrológico. Segundo a Defesa Civil, o número corresponde a 20% da população. Ao Diário, o secretário da pasta, Coronel Paulo Renato Vaz, explica que a cidade vem trabalhando em dois eixos para enfrentar as chuvas fortes: operacional e preventivo.

- Dentro desse quadro e também entendendo que Petrópolis é uma das cidades do Brasil mais vulneráveis a desastres naturais, nós trabalhamos no eixo operacional, com os planos de verão e inverno, e o eixo preventivo, pensando no presente, mas, sobretudo no futuro. Este é o terceiro ano, na nossa gestão, que trabalhamos com os dois eixos e estamos vendo resultado. Tivemos a redução do número de ocorrências, desastres e mortes – afirmou.

Sobre os planos, o coronel afirmou que os planos não são finalizados no início de outro. Assim, cobrem-se os eventos climáticos de estações diferentes.

- Nós pensamos o verão no inverno e o inverno no verão. Os planos se iniciam, mas não terminam. A data de lançamento é uma data de atualização. Mas o plano da outra estação continua vigente, até a sua própria atualização. Porque nada impede e cada vez mais nós vemos isso, que tenhamos deslizamentos de terra, inundações, rolamentos de blocos rochosos, vendavais, tempestades e raios. São ameaças de desastres característicos do verão, ocorrendo no inverno – explicou.

A Defesa Civil tem trabalho também na prevenção. Entre as ações, a principal tem sido o ensino a crianças, através de uma ação nas escolas.

- Na prevenção, estamos realizando a Defesa Civil nas Escolas, que é o carro chefe. Temos um trabalho em 180 escolas municipais, por lei, e estamos tendo a adesão voluntária de escolas estaduais e particulares. Também temos o SOS Chuvas, com estagiários de engenharia e arquitetura de universidades da cidade, visando coibir construções irregulares e impedir a expansão de áreas com ocupação desordenada – disse.

Alguns moradores ainda ligam para a Defesa Civil reclamando do barulho das sirenes e ameaçando danificá-las. O secretário lembra que a importância do sistema, explicando que este é o último estágio no processo para alerta sobre chuvas.

- Eu peço à população que acredite no sistema de alerta e alarme da Prefeitura. Se não acontecesse nada, maravilha, ela está ali justamente para que não aconteça nada. É importante que as pessoas entendam que a sirene é o último estágio desse processo, ou seja, ele existe não propriamente dito para alerta, mas sim para alarme. O risco não começa a partir dali, o risco já é iminente. Quando a sirene toca, é porque a pessoa já deveria ter saído de sua residência. Não é que ele pode funcionar, ele já funciona e salva vidas – concluiu.

 

 



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