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  Covid-19

Número de infectados pelo coronavírus pode ser 10 vezes maior

Pessoas assintomáticas podem transmitir o vírus sem saber

Jaqueline Gomes

 

De acordo com o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na última segunda-feira (18), o país registra 254.220 casos confirmados de covid-19, 100.459 pacientes recuperados e 16.792 óbitos. Porém, este número pode ser 10 vezes maior em se considerando as subnotificações e pessoas assintomáticas. É o que revelam a pesquisadora em Saúde do CESS/UFRJ (Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro) Chrystina Barros ( E/foto), e a geriatra e psiquiatra Roberta França (D/foto).

Segundo Roberta, de 100 pacientes infectados pelo novo coronavírus, 80 desenvolvem a forma branda ou assintomática, ou seja, apresentam sintomas leves como de um resfriado ou gripe comum.

- São pessoas que não precisam de hospitalização, que ficam curadas com medicação de gripe comum. Elas vão passar pela doença como se nada tivesse acontecido, o que não quer dizer que não adoeceram, mas passam pela covid-19 de uma forma muito branda, por algum motivo ainda desconhecido. De um modo geral não vão adoecer gravemente, vão criar anticorpos. O grande problema é a transmissibilidade, ela pode contaminar inúmeras pessoas. Com isso, temos subnotificação de todos os números, a quantidade de infectados e mortos pode ser 10 vezes maior do que o contabilizado – considera a geriatra.

Os assintomáticos não realizam testes e não temos como saber quantos são. Ele pode transmitir, em média, em contato direto, de duas a três pessoas, mas, em ambiente de aglomeração pode contaminar todas que estiverem próximas.

- Quantas pessoas que ele tiver contato podem ser contaminadas, ainda mais se ele tossir, pois os perdigotos podem atingir até 5 metros de distância, o risco de contaminação é gigantesco – revela Roberta.

A pesquisadora da UFRJ também alerta para este alto risco de disseminação da doença.

- O que se tem hoje é que uma pessoa transmite para outras duas ou quatro, mas, o assintomático pode não ter uma preocupação por não se sentir doente, e pode ser um grande foco de disseminação da doença. Toda pessoa precisa considerar que pode ser um agente transmissor, isso é um dado importante que tem sido levantado em outros lugares do mundo – orienta Chrystina.

Subnotificação de casos

De acordo com a pesquisadora, hoje temos 261 mil casos confirmados e 17 mil óbitos, se pensarmos que muitos não têm sintomas e outros não procuram unidades de saúde, podemos já ter 1,2 milhão, até 2 milhões de infectados, incluindo as assintomáticos.

- Mas, essa questão dos números é uma análise difícil, porque são estimativas, não são dados concretos. O Ministério da Saúde e Ibope iniciaram um trabalho onde tentam mapear o número de casos, fazendo uma investigação epidemiológica, mas, por enquanto não temos dados mais efetivos – explicou.

As duas reforçam a importância do isolamento social, hábitos de higiene como lavar bem as mãos e o uso de máscaras.

- A população precisa entender que o vírus é um dos mais capazes de contaminação rápida, daí a importância do distanciamento social, de lavar as mãos e principalmente de usar máscaras, é uma questão de cidadania, nossa curva tem projeção de crescimento porque não estamos fazendo o dever de casa. Se levar em consideração que 20% vão ficar graves e precisar de hospitais, UTI e aparelhos, em um universo de 100 mil pessoas, não há sistema de saúde que suporte uma situação dessas. Já passamos de 16 mil mortes, se não compreendermos nossa responsabilidade nesse processo estamos condenados a ver uma mortandade jamais vista no nosso país – alertou a geriatra e psiquiatra Roberta França.

Chrystina Barros reitera as considerações de Roberta.

- É importante reafirmar que não existe vacina, somente tratamentos de suporte e de caráter experimental, que podem ser usados com a análise de caso a caso. Portanto, fique em casa, se necessário sair mantenha distância das outras pessoas, lave as mãos, use máscaras, respeite o próximo e não divulgue fake news. Apenas informações corretas devem ser disseminadas. Com tranquilidade, sabedoria e ciência vamos passar por isso – ressaltou.

Imunidade

A pesquisadora da CESS/UFRJ disse que vários estudos vêm sendo realizados para saber se a pessoa curada da covid-19 fica imune à doença.

- Existem vários estudos sendo feitos, entre eles, um norte americano onde de 600 pessoas avaliadas, apenas 3 não desenvolveram imunidade. As evidências, até o momento, são de que não tem caso comprovado de reinfecção, o que em tese indica que há sim imunidade, mas, não se sabe se é temporária, ou seja, se depois de algum tempo, se exposto ao novo coronavírus, pode se infectar novamente, ou se é permanente. Isso vai ter que ser acompanhado ao longo do tempo. Se olharmos pelo aspecto de epidemiologia, se não houvesse algum tipo de imunidade os casos da Itália, França e até a própria China não teriam uma queda. O que temos é que parece haver imunidade, mas, é preciso acompanhar por mais tempo e, enquanto não tiver uma vacina ou tratamento mais eficaz, com certeza precisamos intensificar as medidas de higiene e isolamento social para evitar a sobrecarga do sistema de saúde – concluiu Chrystina Barros.



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