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  VIOLÊNCIA

Número de ocorrências na cidade aumentou 64% na última década

Conselho Comunitário de Segurança quer integração com outras cidades

João Vitor Brum

A segurança é um assunto cada vez mais em voga na sociedade brasileira, que vem apresentando níveis altíssimos de violência ao longo dos últimos anos. Em Petrópolis, considerada uma das cidades mais seguras do Rio de Janeiro, os números são menores, mas seguem aumentando, assim como a sensação de insegurança. Por isso, é essencial a integração entre a população, as forças de segurança e o poder público, visando garantir o bem-estar de todos. Um meio de união entre a comunidade é o Conselho Comunitário de Segurança (CCS), que se reúne mensalmente no Centro e em Itaipava para discutir formas de tornar a Cidade Imperial mais segura.

De acordo com o Atlas da Violência 2018, a taxa de homicídios no Brasil é 30 vezes maior do que no continente europeu, representando mais de meio milhão de assassinatos no país apenas na última década.

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de homicídios em Petrópolis aumentou 54% na última década, o que representa 22 assassinatos há 10 anos e 34 no ano passado.

O número total de registros de ocorrências cresceu ainda mais: em 2008, foram 6.124 casos nas duas delegacias da cidade (4.518 na 105ª e 1.606 na 106ª), enquanto em 2018 foram 10.082 (7.690 e 2.392, respectivamente).

Entre janeiro e abril desde ano, ainda de acordo com o ISP, foram 3.605 registros, contra 2.242 há uma década, um aumento de 60% no número de ocorrências. No mesmo período, 688 furtos e 134 roubos foram denunciados na cidade.

Segundo o presidente do Conselho de Segurança, Guilherme Lacombe, que assumiu a presidência no dia 27/5, é de suma importância que as vítimas registrem os casos junto às delegacias, para garantir a resolução do caso.

- Uma das principais reclamações da polícia é a falta de registro de ocorrência, pois não há como investigar o caso e saber o que realmente aconteceu sem o conhecimento das forças de segurança. Se não for levado à Polícia Militar, não há como ser resolvido – disse Lacombe.

Os CCSs são canais de comunicação entre a sociedade civil e as Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro e, em Petrópolis, recebem apoio, também, da Guarda Civil e do Corpo de Bombeiros. As reuniões do Conselho acontecem mensalmente, alternando entre Centro e Itaipava, e contam com a presença de representantes das duas delegacias do município e de outras instituições importantes para a cidade, além, claro, da comunidade, presidentes de associações de moradores e empresários.

Os membros atuam voluntariamente e assumem como compromisso a redução da violência e da criminalidade e a implantação da paz social petropolitana. Nas reuniões, são discutidas as principais ocorrências registradas na cidade no período e os problemas que preocupam os presentes.

- O Conselho tenta aproximar a população das forças de segurança, buscar o que é necessidade entre a comunidade e unir a sociedade. As pessoas levam as demandas às reuniões, e as mesmas entram no radar das Polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal – disse o presidente do CCS, que informou que um dos assuntos mais abordados pela população é o tráfico dentro de comunidades.

- Um dos assuntos mais tocados pela comunidade é o tráfico de drogas e roubos dentro dos bairros. As pessoas têm receio de expor esses problemas à Polícia e até aos próprios vizinhos, e por isso é importante que ninguém se cale e sempre denuncie – salientou.

O tráfico de drogas vem sido combatido incessantemente pelo 26º Batalhão de Polícia Militar, que apreendeu, apenas nos primeiros meses deste ano, R$ 520 mil em entorpecentes, além de realizar 461 prisões e 42 apreensões de adolescentes.

O Comandante do 26º, tenente-coronel Marcelo Bernardo, também destacou, nesta semana, a importância do registro junto à Polícia para combater a violência.

- Com o registro de ocorrência, fica mais fácil identificar os autores dos crimes. É de grande importância que as vítimas passem características que ajudem na identificação, como aconteceu com o assaltante que fez três vítimas nesta semana – frisou o Comandante.

Além do combate ao crime, as reuniões do CCS também ajudam a desenvolver novos projetos para aproximar a população jovem às instituições públicas, como destacou, no mês passado, o Comandante do 15º Grupamento de Bombeiros Militar, tenente-coronel Gil Kempers.

- Em uma reunião do Conselho, o relato de uma mãe me tocou. Ela contou, na ocasião, que um traficante teria dado uma caixa de bombom a seu filho, que ficou encantado. Saindo de lá, comecei a pensar em formas de aproximar o público infantil ao Corpo de Bombeiros, oferecer uma alternativa – frisou o Comandante, que já deu início a um projeto que irá levar as crianças ao quartel.

Região Serrana irá se unir contra a violência

Petrópolis se unirá a outras cidades da Região Serrana para buscar a resolução dos problemas de segurança registrados. Os municípios irão avaliar as principais demandas de cada um, avaliar quais os maiores problemas em comum e buscar ajuda de organizações.

- Antes de assumir a presidência do Conselho, tive a ideia de unir as demandas da região para procurar a melhor forma de resolvê-las, levando as questões às instituições competentes. Estou muito feliz com esta nova frente que criamos e que esta se tornando realidade – disse.

Já estão sendo realizadas conversas entre os CCSs de cidades como Nova Friburgo, Guapimirim, Paraíba do Sul, Teresópolis, entre outras, e a parceria promete trazer segurança à região como um todo.

- Só na base da ordem pública se chega à segurança. Coisas pequenas, quando controladas, ajudam no panorama completo. Os problemas registrados na 13 de Maio são um exemplo disso – salientou Lacombe, que completou lembrando que a realidade de Petrópolis é muito tranquila, quando comparada a outras cidade, como, por exemplo, a capital do Estado.

- A população petropolitana está acostumada à uma cidade segura, um ambiente tranquilo. É uma realidade diferente da de outros locais. Por isso, casos pontuais se destacam e preocupam a comunidade, já que a cidade não possui este histórico – disse.

- Entretanto, é sempre importante destacar que a não há motivo para a população se desesperar, mas sim se manter atenta, pois a situação está, sim, sob controle. O diálogo em redes sociais toma proporções grandes e, muitas vezes, fora da realidade. É necessário analisar com cautela o que se compartilha, com responsabilidade – finalizou o presidente do CCS.

A próxima reunião do Conselho acontece no próximo dia 24, última segunda-feira do mês, a partir das 19h, no Sicomércio, localizado na Rua Irmãos D’Ângelo, número 48, Cobertura 6.



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