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Pacientes enfrentam dificuldades após amputações

Transporte e adaptação são apontados como dificuldades enfrentadas

Natália Rodrigues natalia.rodrigues@diariodepetropolis.com.br

Difícil hoje em dia não encontrarmos pessoas que foram amputadas, devido a agravamento causado por doenças ou por conta de acidentes. Algumas optam e se adaptam as próteses facilmente, outras se adéquam a nova realidade e escolhem não colocá-las. Os pacientes apontam dificuldades durante o processo pós-amputação, que envolve a locomoção e sessões de fisioterapia, até as consultas para a colocação das próteses, que tem um valor alto, custando até mais de R$ 10 mil, mais é garantida a todos pelo SUS.

O vereador Marcelo da Silveira explicou que uma das maiores dificuldades enfrentada pelas pessoas que tiveram membros amputados é a ausência de um centro de reabilitação na cidade. Hoje em dia, todos os pacientes são encaminhados para o Instituto Fluminense de Reabilitação localizado em Niterói.

 - Não é que as pessoas não queiram colocar próteses, mas infelizmente Petrópolis não tem um centro, uma oficina de reabilitação, então todas as pessoas são direcionadas na maioria dos casos para Niterói, pois o SUS garante esse direito a elas. Hoje em dia, uma prótese custa entre R$ 8 mil à R$ 12 mil e quase ninguém pode pagar por isso - disse.

Para o parlamentar um transporte especificamente destinado a atender esses pacientes é outra pedra no caminho, principalmente para as consultas no instituto em Niterói.

- Muitas pessoas tem dificuldades por conta de locomoção, alguns anos atrás, tínhamos um carro da Secretaria de Saúde que levava essas pessoas para fazer fisioterapia, mas hoje não temos isso. Quando a pessoa precisa sair de casa conta com a ajuda de alguém, mas quando não tem algum familiar disponível ela não consegue ir fazer as sessões de fisioterapia, e na maioria das vezes a dificuldade financeira não permite que ela faça a fisioterapia em casa. Além disso, tem a questão da locomoção até o instituto, pois depois da liberação do fisioterapeuta, o paciente tem a primeira consulta, e caso esteja preparado, porque durante a amputação o coto (parte restante do membro que foi amputado) fica inchado então tem que ser esperado um tempo para secar, será feito um molde que precisa ser várias vezes experimentado, por isso, a necessidade de ir algumas vezes a Niterói. Infelizmente hoje tem uma van que sai da cidade ao amanhecer levando pacientes para vários lugares e isso cansa,a pessoa aguarda o dia inteiro o transporte até retornar à Petrópolis - falou.

O vereador aponta um aumento no número de casos em jovens e alerta que a principal causa são os acidentes envolvendo motos.

- Infelizmente algumas doenças, como o diabetes, geram para um quadro de amputação, mas estamos percebendo um crescente número de casos de pessoas que tiveram membros amputados devido a acidentes, principalmente com motos. Temos visto pessoas cada vez mais jovens passando por essa situação e isso é muito preocupante - disse.

Jorge Henrique dos Santos ou simplesmente Jorginho como é mais conhecido, trabalha há anos vendendo guloseimas nas ruas do Centro da cidade. Devido a complicações na saúde, em 1996, ele recebeu a noticia de que precisava amputar a perna direita. Na época, uma prótese foi usada para substituir o membro que foi retirado.

- No início foi muito difícil porque eu corria, participei de várias corridas, jogava futebol, basquete era como um atleta amador, mas aí aceitei que a minha vida era essa e comecei a usar a perna mecânica – falou.

Quatro anos se passaram e novamente a notícia bateu em sua porta, a segunda perna também seria amputada. Desta vez, Jorginho optou por não usar as próteses que eram oferecidas e preferiu usar cadeira de rodas.

- Resolvi fazer da cadeira de rodas a minha arte, lógico que no inicio foi difícil a transição, afinal você muda a sua vida totalmente, um dia você tem as pernas, depois perde as duas pernas. Não queria sair de casa, os amigos se afastaram, mas também eles não poderiam ficar comigo 24 horas por dia. Recebi muito apoio e ajuda dos meus pais e de toda minha família, mas meus filhos ainda eram pequenos e só com o salário do benefício que recebia era pouco para manter a casa, na época minha esposa também tinha ficado desempregada então vi que precisava fazer algo – disse.

Após cinco anos adaptado a cadeira, Jorge começou a vender balas no Centro da cidade, onde ficou conhecido por sua simpatia e alegria. Ele relata que com o passar dos anos, houve melhorias para os cadeirantes, mas muita coisa ainda precisa ser feita.

- Sempre encontrei dificuldades, mas fui me adaptando a todos elas. Claro que comparando desde o início até hoje tiveram melhorias, principalmente em relação ao transporte, todos os ônibus são adaptados consigo me locomover, às vezes esbarramos em um ou outro que não funciona, mas o importante é não desistir. O que falta ainda e muito é a adaptação nos prédios antigos, nas lojas que não tem rampa, por diversas vezes até para eu fazer um lanche preciso da ajuda de alguma pessoa porque não tem como entrar na loja, não tem espaço para a cadeira entrar, só quem conhece a nossa batalha entende o que passamos – contou.

Procurada pelo Diário, a Secretaria de Saúde informou que usa o sistema de regulação do estado do Rio de Janeiro para o atendimento dos pacientes amputados. Ao ter o membro amputado em Petrópolis, o paciente passa por fisioterapia que prepara o coto para a prótese. Ao receber a solicitação da prótese, a Secretaria de Saúde envia o pedido para o sistema de regulação do estado, que encaminha o paciente para o Instituto Fluminense de Reabilitação, em Niterói. Em até 60 dias o paciente passa por consulta para se efetuar a adequação da prótese.

A secretaria informou ainda que mantém o transporte para pacientes que fazem tratamento no Instituto Fluminense de Reabilitação em Niterói. A solicitação do transporte deve ser feita na Secretaria de Saúde, que fica no Centro Administrativo – Rua Barão de Rio Branco, 2.846. O telefone para informações é 2233-8855 ou 2233-8255.

Para os pacientes que fazem tratamento de fisioterapia na cidade, que apresentam dificuldades de locomoção, após avaliação do quadro clínico, é recomendado o tratamento domiciliar. O fornecimento de transporte para o tratamento na cidade, é feito em casos específicos, quando há recomendação médica. 



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