Edição anterior (1735):
domingo, 11 de agosto de 2019
Ed. 1735:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1735): domingo, 11 de agosto de 2019

Ed.1735:

Compartilhe:

Voltar:


  Geral

Pais solteiros são cada vez mais comuns

Leonardo Cerqueira destaca pontos positivos e negativos de criar, sozinho, sua filha de 15 anos

Antônio Reuther

 

O Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo do mês de agosto, surgiu, no Brasil por conta do publicitário e jornalista Sylvio Bhering, em 1953, segundo registros históricos. A data é celebrada no mundo inteiro e homenageia anualmente a figura familiar paterna.

Com a celebração da data, neste domingo (11), o Diário de Petrópolis conversou com Leonardo Cerqueira, pai solteiro há mais de um ano, para contar sobre as dificuldades em cuidar sozinho dos filhos, e também saber a respeito dos pontos positivos em ter essa grande responsabilidade.

Leonardo contou que já trabalhou com diversas profissões e, que no atual emprego, fica difícil administrar o tempo conciliando o trabalho com as tarefas de casa. Além disso, informou que, em certos dias, ter um tempo exclusivo com sua filha, Maria Eduarda, de 15 anos, é quase inviável.

- Atualmente eu trabalho como caminhoneiro, mas já trabalhei de tudo. Estampador, bordador, mecânico. No meu emprego atual, é bem difícil ter um tempo só com minha filha. Quando você é caminhoneiro, não tem hora pra voltar para casa. Saio 5h e, dependendo do número de entregas, volto depois de 19h. Gosto muito do que faço, mas a parte ruim é não ter um bom tempo com minha filha. Ela tem 15 anos e é uma fase bem complicada. Ela precisa de alguém para conversar, dar conselhos e eu faço o que posso. Eu, particularmente, admiro demais os pais que têm que cuidar de mais de um filho sozinho. Eu, com uma filha, já sinto bastante dificuldade – contou.

A psicóloga Rosilene Pontes Amaral destacou a importância da presença do pai na formação do caráter da criança e disse que casos como esse são cada vez mais comuns.

- A figura paterna é de extrema importância para o bom desenvolvimento da criança. Crescer sem pai ou sem mãe pode ser um fator traumático para a mesma. As relações entre pais e filhos são fundamentais para a formação da personalidade do indivíduo. É difícil quantificar uma dor e sofrimento causado por essa ausência, mas o psicólogo pode ajudar na orientação dos pais e familiares a fim de reverter o dano. Tem sido notável a evolução da estrutura familiar no Brasil e novos tipos de família estão se apresentando, seja ela constituída por um pai, uma mãe, dois pais ou duas mães – completou Rosilene.

Leonardo também disse que, apesar de ser cansativo cuidar de tudo praticamente sozinho, há um lado positivo: tal situação o força a ter mais responsabilidade e aprender coisas novas, dando ainda mais valor para a filha.

- Quando chego em casa não tem comida pronta, tem que fazer janta, olhar roupa para lavar, dar atenção à ela, conversar sobre escola, ainda mais que está em uma fase complicada. Às vezes é difícil. Eu tento dar conselhos e faço meu melhor. O principal ponto, que eu acho positivo, é que eu acabei criando mais responsabilidade. Às vezes você é casado com uma mulher e acaba ficando mal acostumado. Chega do trabalho e já tem tudo pronto, roupa lavada e janta feita. Nesse período em que eu estou cuidando da Maria Eduarda sozinho eu já aprendi bastante coisa. Aprendi a cozinhar e a cuidar da casa. Claro que não da forma que a mulher consegue fazer, mas já é alguma coisa. É complicado, mas você acaba aprendendo cada dia mais – completou.

Ausência de figuras paternas pode ser prejudicial

O Diário também entrou em contato com psicólogas para saber sobre o que a ausência de um dos responsáveis pode causar na vida dos filhos.

A psicóloga e pedagoga, Jéssica Wayand de Azevedo, disse que as famílias com apenas um responsável são cada vez mais comuns. Além disso, contou que a ausência de um pai ou de uma mãe pode acarretar em prejuízos na vida de um indivíduo, inclusive na fase adulta.

- Famílias compostas por apenas pai e filhos ou por mãe e filhos são cada vez mais comuns no mundo, seja por divórcio ou mesmo por viuvez. A ausência de pai ou de mãe na vida do indivíduo acarretará prejuízos por toda a vida, inclusive na fase adulta, pois pode reduzir sua autoestima e até resultar em um conflito de papéis. Afinal, como serei bom pai se não tive um pai em minha formação? Qual seria o papel de uma mulher na família se eu não tive uma influência feminina na minha família?.

A especialista destaca ainda que filhos negligenciados por um dos pais durante a sua infância poderão crescer com fortes sentimentos de rejeição e menos valia. Como poderia então amenizar tais efeitos na vida desses filhos? A resposta é simples: buscando figuras representativas. A criança pode não ter uma mãe biológica presente, mas afetivamente pode ter uma avó que supra essa ausência. "Geralmente temos a felicidade de contarmos com alguém que nos dê o amor que nos faltava, seja tia, avós, um padrasto ou madrasta e até mesmo alguém que nem faça parte, de fato, da nossa família. Ausência se preenche com amor e com atenção", disse Jéssica.



Edição anterior (1735):
domingo, 11 de agosto de 2019
Ed. 1735:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1735): domingo, 11 de agosto de 2019

Ed.1735:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior