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  Geral

Pandemia: 43 mortes e 111 internados em um mês em Petrópolis

Município teve 2.255 novos casos de covid-19 em 30 dias

População deve reforçar uso de máscara e distanciamento social

Jaqueline Ribeiro - especial para o Diário

Fotos  da E/D - Rafael G. de Castro  - Marcos Lisere -  Paulo Cesar Guimarães

Em 30 dias, pelo menos 43 famílias petropolitanas perderam algum parente para a covid-19. Somente nos primeiros 16 dias deste mês, 26 pessoas morreram na cidade em consequência de complicações provocadas pelo novo coronavírus. Desde o início da pandemia já são 335 petropolitanos mortos por conta da doença.  O número de óbitos, no entanto, pode ser ainda maior uma vez que até sexta-feira (18.11) ainda havia sob investigação 31 exames de pacientes que morreram com sintomas da doença.  O desrespeito às regras de distanciamento social, o não uso de máscaras de forma correta e as freqüentes aglomerações vêm provocando a aceleração da contaminação entre os petropolitanos. Nos últimos 30 dias 2.255 novos casos foram confirmados na cidade. Com isso Petrópolis já tem 10.743 casos positivos da doença.

O alerta sobre a aceleração na velocidade de contaminação vem sendo feito por especialistas e intensificado desde o mês passado por médicos, que frisam a importância da colaboração de cada pessoa para conter o avanço da doença e evitar mortes.  Assim como ocorre em outros municípios a contaminação vem crescendo entre os jovens, que levam o vírus para dentro das casas e muitas vezes contaminam idosos. Isso vem fazendo com que  apesar de circularem menos, idosos sejam maioria entre os mortos na cidade.

Dentre os 10.743 petropolitanos que tiveram resultado positivo para a doença, 7.945 estão na faixa etária entre 20 e 59 anos. Pessoas que tem mais de 60 anos e somam 2.121 casos positivos, mas são maioria entre os mortos. Dentre os 335 óbitos registrados na cidade, 258 tinham mais de 60 anos.  O cenário já havia sido apontado pelo professor da UFRJ Guilherme Travassos, que faz parte da equipe que monitora os dados sobre a covid-19 no estado do Rio

- Isso acontece porque a contaminação está aumentando na faixa etária mais jovem, aquelas pessoas circulam mais estão levando o novo  coronavírus pra dentro das casas e infectando sobretudo os mais idosos - explicou o professor da UFRJ, Guilherme Travassos, em entrevista ao Diário na semana passada.

O aumento progressivo no número de casos e a gravidade refletem no número de internações na cidade, que em um mês subiram 198%, passando de 56 no dia 18 de novembro para 167 na última sexta-feira. Considerando dados divulgados pelo município, entre segunda e sexta-feira desta semana 23 petropolitanos precisaram ser hospitalizados por conta da doença. Dentre os pacientes que estavam internados na sexta-feira, 66 estavam em leitos de UTI e 102 em leitos clínicos.   

 Infectologistas já alertavam para aceleração e importância da prevenção 

O quatro grave de saúde pública provocado pela Covid-19 e a necessidade de reforçar as medidas de prevenção para conter a aceleração no número de casos, vinha sendo alertado por infectologistas da cidade e reforçado sobre tudo a partir da segunda quinzena de novembro, quando o número de internações voltou a subir na cidade. Esta semana a ocupação rápida de leitos gerou manifestações públicas e apelos de infectologiastas.

 - A  situação que estamos vivendo, que é extremante grave Se a gente não tomar uma medida radical agora, vamos ter com certeza o pior momento da pandemia de covid-19, com o maior número de mortos. A vacina está chegando e deve resolver o problema, mas enquanto a imunização não chega, vamos ficar em casa, evitar aglomeração e seguir com todos os cuidados para nos protegermos - afirmou Marco Liserre, do Hospital Unimed Petrópolis.

 Os infectologistas são unânimes em destacar o risco do grande movimento de pessoas nas ruas.  - A pandemia não acabou. O novo coronavírus ainda está circulando entre nós e de forma muito preocupante. Fala-se muito em segunda onda, mas o que estamos vendo talvez seja o reflexo do relaxamento de medidas de prevenção como o uso de máscaras, lavagem correta das mãos, com água e sabão, uso de álcool em gel e distanciamento social. Sei do esgotamento de cada um, da necessidade de ter uma válvula de escape nesta tensão, mas repito: este não é o momento de aglomerações", destacou o  infectologista e diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE), Paulo Cesar Guimarães, que também publicou o apelo em um video na rede social.

 - Muitas vidas já foram perdidas. Em breve não termos mais leitos em hospitais públicos e também privados para tratar da nossa população. Alguns dos hospitais da nossa cidade já se encontram com lotação quase máxima. Sei que muitas pessoas precisam sair de suas casas para conseguir o sustento de suas famílias, mas as medidas preventivas devem ser respeitadas -  afirma.

O diretor executivo operacional do Hospital SMH – Beneficência Portuguesa de Petrópolis Fernando Baena, também se manifestou quanto ao aumento nos casos. 

-  A situação é extremamente mais grave do que a de maio e junho. Não cabe discutir se foi problema de gestão, seja de órgãos de saúde federais, estaduais ou municipais. Não é o caso de esperar providência de governo algum. É usar o bom senso e se isolar. É preciso parar de ir à rua, parar de entrar em loja, parar de almoçar em restaurante. Essa doença é transmitida através de um talher contaminado. O da sua casa você sabe quem lavou, o do restaurante pode ter sido por um funcionário contaminado e que está assintomático. A saída é a conscientização individual. Não precisa esperar o órgão público decretar o ‘fechamento’, faça você mesmo. Não saia de casa. Isso só não vale para quem trabalha em atividades essenciais, como os próprios hospitais, onde as pessoas são obrigadas a se expor aos riscos para salvar outras vidas. Estamos em colapso. Façamos todos a nossa parte - afirmou Fernando Baena.

O diretor da Faculdade de Medicina, Paulo Cesar Guimaães, lembrou também em uma manifestação nas redes sociais que apesar das boas notícias quanto às vacinas, os cuidados devem ser mantidos.

- As vacinas estão chegando, mas ainda deve demorar um pouco até que elas sejam aplicadas em larga escala.  Se não houver uma grande preocupação da população em relação à prevenção à covid-19, muita gente vai contrair o vírus e infelizmente muitos ainda poderão ir a óbito -  alertou o especialista que fez um apelo aos petropolitanos e sobre tudo aos jovens:   - Por favor, faça o que for possível para se proteger e proteger os outros contra o contágio deste terrível virus. Este é o meu pedido, como médico  infectologista, pediatra e como professor e diretor da faculdade de Medicina de Petrópolis - disse.   

Alerta quanto ao agravamento da transmissão também havia sido apontado também pelo infectologista Luís Arnaldo Magdalena, diretor  médico executivo do Hospital SMH - Beneficência Portuguesa.  

- Estamos em um momento de alta taxa de circulação do vírus e por isso está ocorrendo o aumento na transmissibilidade. Mais do que nunca este é o momento de usar máscaras, evitar as aglomerações e reforçar todas as medidas de prevenção à covid-19.  A cidade hoje tem muitas pessoas contaminadas que estão circulando e transmitindo a doença, por isso a prevenção é importante - alertou o infectologista Luís Arnaldo Magdalena, ao avaliar o aumento de casos que se intensificou na segunda quinzena de novembro.  

O reforço nas medidas de prevenção também vinha sendo repetidamente apontado pelo infectologista e pneumologista José Henrique Castrioto, que destacou há duas semanas que o comportamento da população reflete diretamente na velocidade de contágio. 

- A pandemia não está no fim. Estamos muito preocupados com o aumento das internações. É preciso evitar as aglomerações. A população deve reforçar todas as medidas de prevenção: distanciamento social, uso de máscaras, lavar bem as mãos com água e sabão, uso álcool em gel e todas as demais medidas sanitárias - já alertava o especialista no início deste mês.    

 

 

 

 



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