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  Artigo

Pandemia e Saúde Oral 

 

Teresa Chacur de Miranda

Doutora em Odontologia pela UFRJ

 

Um ano e meio após os primeiros confinamentos, dentistas de todo o mundo enfrentam as consequências da pandemia de COVID-19 na saúde oral: Maior incidência de cáries e doenças gengivais mais avançadas.

Houve mudanças nas rotinas provocadas pela Covid19.

As pessoas deixaram de escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia. Comeram mais frequentemente, entre as refeições, e, devido ao confinamento, deixaram de ir ao médico e ao dentista. Durante a primeira onda do surto COVID-19, os consultórios dentários em todo o mundo foram forçados a fechar.

Por vários meses, todas as consultas odontológicas tiveram que ser adiadas ou canceladas, exceto os tratamentos de urgência e emergência.

A Organização Mundial de Saúde relatou que os serviços de saúde oral estavam entre os serviços essenciais de saúde mais afetados por causa da pandemia COVID-19.

Setenta e sete por cento dos países que integram a OMS relataram interrupção parciais ou totais, nesse tipo de atendimento. Entre a primeira e a segunda onda, os consultórios dentários em muitos países puderam reabrir.

Os dentistas sempre seguiram os mais rigorosos protocolos de prevenção e controle de infeções e revisaram as medidas de higiene exigidas pelos governos durante a pandemia de COVID-19.

Além disso, uma pesquisa recente indicou que os odontólogos têm taxas de infeção de SARS-CoV-2 significativamente mais baixas do que outros profissionais de saúde na maior parte do mundo, principalmente porque sabem lidar corretamente com as medidas de proteção.

Contudo, muitas pessoas ainda evitam os check-ups de rotina e só vão ao dentista quando sentem dores extremas. Muitos desenvolveram cárie dentária avançada e complicações relacionadas, incluindo infeções, o que torna o tratamento mais complexo.

Atualmente, os dentistas têm feito um balanço exato das consequências de, pelo menos, um ano de interrupção do atendimento e tratamento dentário.

Pacientes de alto risco são incentivados a fazer um check-up dentário a cada três a seis meses.

Em vez disso, muitos deles esperaram de nove meses a um ano, ou mais, entre as consultas. Muitos relataram dores de dente graves e complicações, como lesões de cáries extensas e doenças gengivais, levando alguns para extrações, e quando possível salvar o dente, se estabeleciam tratamentos endodônticos.

A cárie dentária que poderia ser tratada com uma restauração simples, em muitos casos evoluiu para um estágio de periodontite apical e abscessos, o que demandou um tratamento mais sofisticado.

Uma das maiores consequências do isolamento foi a constatação de que os problemas de saúde oral, que não eram considerados urgentes durante o surto da pandemia, tornaram-se de fato urgentes depois de terem que esperar dois anos para procurar tratamento.

As crianças por terem estado mais tempo dentro de casa por conta do isolamento, acabaram bebendo mais sucos de caixinha, comendo mais balas, chocolates e doces.

Esse tipo de alimentação inadequada, acompanhada de menor monitoramento paterno na higiene bucal, causou o aumento da incidência de cáries. Esse cenário é bem diferente de quando a rotina da criança já estava programada, com horários muito bem estabelecidos pela escola.

Manter os bons hábitos de higiene oral, como escovação diurna e noturna é importante.

De acordo com uma pesquisa global conduzida pela Unilever, as crianças refletem o comportamento dos pais em detrimento da sua própria saúde. Elas têm sete vezes mais probabilidade de evitar a escovação se os pais não escovarem os dentes dia e noite. Os dentistas entrevistados concordaram que a mudança nos hábitos de higiene oral das crianças resultou na mudança na rotina dos pais.

Apesar dos desafios contínuos por causa da pandemia, é crucial, agora, que os pais priorizem as suas rotinas de higiene oral, bem como as dos seus filhos.

 

Sabe-se que o estresse, medo e a preocupação diante de uma ameaça à própria saúde ou à saúde de entes queridos, e as mudanças de rotina com o distanciamento social, alterações nos padrões de sono, de higiene e de alimentação, e um possível aumento do consumo de cigarros e bebidas alcoólicas podem prejudicar o bem-estar e a saúde das pessoas.

Esses fatores também podem ser cruciais no aumento da incidência de cáries, doenças periodontais, perdas dentárias e câncer oral.

O estresse pode motivar os indivíduos a negligenciar adequados padrões de alimentação e higiene oral.  Por isso, durante um período conturbado como esse que estamos vivenciando, é importante adotarmos estratégias para proteção da saúde tentando manter uma rotina à vida normal, com horários regulares para alimentação, sono e exercícios. Além disso, deve-se procurar garantir uma adequada higiene oral, escovando os dentes duas vezes ao dia por dois minutos e utilizando fio dental pelo menos uma vez ao dia.

O confinamento em casa, o medo e a ansiedade durante o surto de COVID-19 podem levar a hábitos alimentares nada saudáveis com padrões irregulares de alimentação e frequentes lanchinhos associados a uma alta ingestão calórica. Sabe-se que o consumo de carboidratos simples e açúcares entre as refeições pode levar ao aumento da incidência de cáries. É recomendado reduzir o consumo de doces e refrigerantes e priorizar uma alimentação mais saudável e rica em frutas e vegetais frescos.

Além disso, existem evidências de que a dieta está diretamente relacionada com o sistema imunológico e a susceptibilidade a doenças. Uma adequada ingestão de nutrientes tais como ferro, zinco, vitaminas A, C, E, B6 e B12 é vital na manutenção da função imune.

O aumento do estresse também pode contribuir para a ocorrência de disfunções nas articulações temporomandibulares, bruxismo, fratura de dentes e de lesões por herpes simples. O exercício físico, a prática de meditação e a ajuda profissional especializada podem amenizar os estragos durante este período.

Na realidade, a saúde bucal deveria receber uma atenção especial pelas políticas públicas de saúde, pois pode impactar não apenas o bem-estar geral do paciente, mas, também a sua saúde como um todo. As doenças periodontais por exemplo, podem estar associadas a condições sistêmicas severas tais como efeitos adversos na gravidez, doenças cardiovasculares, diabetes, desordens respiratórias dentre outras.

Dessa forma, durante este difícil período da Pandemia de COVID-19, a população poderia receber instruções a respeito da importância da manutenção da saúde oral através da adoção de métodos preventivos simples de cuidados de higiene oral. É importante mostrar a importância da escovação dos dentes duas vezes ao dia com pasta fluoretada e utilização de fio dental uma vez ao dia. De maneira geral, as escovas devem ser trocadas pelo menos a cada 3 meses e, especificamente, nos indivíduos com COVID-19, essa troca deve ser mais frequente.

 Agora seria um bom momento de aproveitar que a família está reunida e inserir o consumo de água natural e de uma alimentação saudável, principalmente para as crianças. Afinal, existem doenças diretamente ligadas a questão da alimentação: diabetes, problemas circulatórios e sobrepeso são, também, reflexos de maus hábitos alimentares.




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