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  Geral

Peritos alertam: cenas de crimes devem ser preservadas

Equipe do Posto Regional de Petrópolis destacou a importância em não mexer nos locais

João Vítor Brum - joaovitor@diariodepetropolis.com.br

 

A perícia criminal é indispensável na resolução de crimes, tendo um papel decisivo no processo de investigação da Polícia Civil. Para que o trabalho pericial seja bem-sucedido, é essencial que as cenas de crimes e acidentes, seja qual for a natureza deles, sejam preservadas, como destacou a equipe do Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis em entrevista ao Diário. Qualquer alteração nos locais pode afetar a solução do caso e atrapalhar todo o inquérito.

Os postos regionais são ligados diretamente à Polícia Civil do Rio de Janeiro, e, no total, há 19 no Estado, um deles em Petrópolis. A equipe é composta por peritos criminais e legistas; papiloscopistas; técnicos e auxiliares de necropsia; investigadores e inspetores de polícia; oficiais de cartório e comissários.

Investimentos estaduais, municipais e privados vêm sendo realizados no posto petropolitano, que funciona em um espaço anexo ao Hospital Alcides Carneiro, em Corrêas. Apenas em 2019, aproximadamente R$ 1,3 milhão foi injetado no local.

A diretora da unidade, a médica perito-legista Mary Laura Garnica, destaca que o trabalho pericial está passando por uma grande evolução ao longo dos anos e tem recebido cada vez mais atenção do Estado,

- A perícia, no geral, está evoluindo muito. A criação da Secretaria de Polícia ajudou muito, pois temos mais investimentos para a área em todo o Estado. Recebemos equipamentos de grande importância, como o Flatscan, além de viaturas, cursos de aperfeiçoamento, entre outros incentivos – disse Mary Laura.

- Desde o início da intervenção no Estado, verbas para insumos, softwares, equipamentos, entre outros foram liberadas, e parte disso tudo ainda está chegando e irá ajudar muito no trabalho – destacou o chefe da Perícia Criminal, Marcelo Ribeiro.

Mary Laura apontou, também, que, apenas em 2019, o número de laudos periciais emitidos na unidade de Petrópolis, que conta com 30 servidores, passou de sete mil.

 

População não deve mexer em locais de crimes

Como o trabalho dos peritos depende diretamente dos vestígios deixados no local de um acidente de trânsito, homicídio ou outro tipo de crime, é essencial que toda a área seja preservada da melhor forma possível. A equipe do Posto de Petrópolis salienta que até os menores detalhes podem alterar o andamento de um processo investigatório.

- A maior necessidade que nós, como peritos, temos ao levantar os vestígios e falar da dinâmica do local, é a preservação do local do crime. Cada objeto, cada marca para nós conta um fato. A maior parte destes vestígios não é reconstruível. Uma vez destruídos, não tem volta – ressalta Marcelo.

Por exemplo, em um caso de arrombamento é preciso saber por onde o invasor entrou, como ele entrou, no que ele tocou, entre outros detalhes mínimos, para que assim o autor do delito seja identificado. Entretanto, quando há feridos ou outras circunstâncias excepcionais, a intervenção da população pode ser essencial.

- A regra é não é mexer em nada, mas há exceções. O ideal é que, quando for necessário entrar na cena do crime, a pessoa trace uma rota para ir e voltar do local, além de avisar ao perito que passou por ali e apontar aonde mexeu – enfatiza Anna Paula Rawstron, subchefe da Perícia Criminal da unidade.

Os profissionais destacaram, também, que muitas pessoas guardam as cápsulas de balas em casos envolvendo armas de fogo, o que também atrapalha, e muito, no trabalho da polícia.

Até mover um veículo ou objeto após um acidente de trânsito com vítimas, com ou sem vida, pode influenciar na descoberta do responsável pelo ocorrido. Um detalhe aparentemente pequeno para leigos pode se mostrar determinante na resolução do caso.

- O primeiro elo que chega até a população é a Polícia Militar, que realiza o isolamento da área, ou o Corpo de Bombeiros, que realiza o atendimento e, caso seja necessário, também isola o local. Até a chegada destas forças de apoio, a população deve interferir o mínimo possível. O ideal é contatar, imediatamente, a polícia – completa Anna Paula.

- Um inquérito é formado por provas objetivas e subjetivas, e as primeiras, em grande parte, se encontram na cena do crime. Muitos profissionais de diferentes áreas estão envolvidos no processo, mas precisamos da ajuda da população para otimizar o trabalho – disse Marcelo.

 

A ciência contra o crime

A equipe do Posto Regional de Petrópolis recebeu, em 2019, equipamentos de grande importância para auxiliar e agilizar o trabalho, como o Flatscan, o Espermograma, a Sala Lilás, um espectrômetro de infravermelho, entre outros. O chefe da perícia destaca que a tecnologia é uma grande aliada das forças de segurança na resolução de crimes.

- Muitos equipamentos importantes estão sendo trazidos à cidade, o que vai agilizar, e muito, o trabalho. Usar a ciência contra o crime é muito útil e ajuda toda a população – frisou Marcelo.

O Flatscan, equipamento que permite o scanner de raio-x para o laudo pericial, voltado para investigações de suspeitas de homicídios ou confirmação de causa de morte sem a necessidade de incisão dos corpos para conclusão dos laudos.

O município é um dos oito do Estado a contar com o equipamento, resultado de um investimento de R$ 800 mil conseguido por meio de uma parceria entre os governos estadual e municipal.

Vale ressaltar que, em casos de intoxicação, por exemplo, não é possível o uso do equipamento. Em outras situações, como perfurações de arma de fogo, o Flatscan é útil para encontrar o projétil, sendo necessária uma incisão menor do que o usual. 

Há, também, o FTIR, um espectrômetro de infravermelho usado na identificação de substâncias, com destaque a entorpecentes, usado principalmente em apreensão de drogas.



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