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  Saúde

Pesquisadora de Saúde e geriatra orientam sobre o coronavírus

Jaqueline Gomes


 A pandemia de coronavírus se tornou o principal assunto em todos os lugares do país. Porém, fakes news vêm trazendo pânico e histeria para a população. A situação é séria e grave sim, mas, precisamos de notícias verídicas que nos ajudem a superar essa doença. A pesquisadora em Saúde do CESS/UFRJ (Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro) Chrystina Barros(Foto D), e a geriatra e psiquiatra Roberta França (Foto E) explicam o que é o covid-19, sua gravidade e formas de prevenção do contágio.

- O coronavírus provoca uma gripe, só que muito mais grave que a comum. Como atinge um grande número de pessoas, sobrecarrega o sistema de saúde e leva a situações insustentáveis para toda a população. Sua letalidade para pacientes até 50 anos de idade é de 2 pessoas a cada mil. Mas, para idosos, diabéticos, hipertensos e pessoas com baixo sistema imunológico, a situação é bem mais grave – explica Chrystina Barros.


 De acordo com ela, os sintomas da doença surgem de maneira inespecífica e são facilmente confundidos com o de uma gripe comum, no início.

- A pessoa infectada pode começar a sentir dor no corpo, de cabeça, febre, tosse e coriza. Em gripes e resfriados esses sintomas costumam melhorar em dois ou três dias. Geralmente a gente sabe como o corpo reage a uma gripe comum. É preciso ficar atento se, a partir daí, a tosse piorar, a febre persistir e se começar a sentir falta de ar. Nestes casos, é indicado procurar uma unidade de saúde, pois as complicações para quem tem o coronavírus aumentam a partir do quinto dia, em média. Ressalto que, em caso de falta de ar o paciente não deve hesitar em procurar ajuda médica imediatamente. O tempo para óbito em decorrência da doença depende de cada pessoa, e se ela tem outras doenças que possam agravar o quadro – orienta a pesquisadora. “O tempo de incubação da doença é entre 3 e 14 dias. Nesse período é que os sintomas se manifestam” – completa.

O tratamento inicial, quando os sintomas são leves, é beber bastante água, repousar, se alimentar de forma saudável e tomar medicamentos com orientação médica. De acordo com Chrystina, é fundamental manter o isolamento social e os hábitos de higiene, mesmo não sendo coronavírus.

- É importante que não sejam propagadas fake news. Notícias que deixam as pessoas ansiosas, tiram a estabilidade emocional e fazem discriminar as outras, não ajudam em nada. Em casos de dúvidas acesse o site www.saude.gov.br. Evite aglomerações. Saiba que, é sério, mas que você vai cuidar da sua cidade na medida em que se cuida individualmente. Mesmo sendo novo e não tendo tanto risco de mortalidade como os idosos, você é responsável por cuidar do coletivo e ajudar o sistema de saúde a dar conta de todos que precisam ser atendidos com esta doença. Precisamos exercitar a solidariedade, nos ajudarmos, e, juntos, vamos passar por isso – afirma a pesquisadora em Saúde da UFRJ.

CUIDADOS COM OS IDOSOS

A médica geriatra e psiquiatra, Roberta França, explica que os idosos são o grupo de risco e de maior vulnerabilidade ao coronavírus. Isso porque, segundo ela, a partir dos 60 anos de idade a imunidade é menor e as pessoas produzem menos glóbulos brancos, que são as células de defesa do organismo. Além disso, os mais velhos tendem a ter comorbidades (associação de duas ou de várias doenças de modo simultâneo).

- Os idosos são mais propensos a ter comorbidades que fazem com que o sistema imunológico fique debilitado. Todas as patologias pré-existentes corroboram para que, quando adquirem uma doença viral ou bacteriana, os pacientes tenham um agravamento maior do que as pessoas mais jovens – diz a médica.

De acordo com a geriatra, para aumentar a imunidade dos idosos não é simplesmente tomar vitamina C, como a maioria das pessoas acreditam. Ela cita uma série de medidas para reforçar a saúde dos mais velhos.

- O aumento da imunidade está atrelado a uma série de fatores como atividade física, alimentação saudável e controle das doenças pré-existentes. Manter o colesterol dentro da taxa, a pressão arterial normal, bons níveis de açúcar no sangue, fazem melhorar seu processo de imunidade. Foco principalmente na alimentação saudável, rica em frutas, legumes e verduras. É fundamental beber bastante água também. Tudo isso contribui para manter o idoso com imunidade melhor. Vitaminas industrializadas não são obrigatoriamente necessárias e, muitas nem são indicadas, lembrando que o excesso de vitamina é tão danoso como a falta dela. Peça sempre orientação médica – orienta Roberta.

A prevenção nesse momento, além do isolamento social, é a higiene. A especialista diz que é fundamental lavar constantemente as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos. A lavagem deve ser em todos os ângulos, entre os dedos, unhas, até o cotovelo e secar com toalhas de papel.

- Evitem as toalhas de pano, pois elas ficam contaminadas, ficam úmidas e ali proliferam fungos, bactérias e vírus. Manter as mãos sempre bem lavadas, usar álcool gel e manter o isolamento social e, se precisar sair de casa por algum motivo imprescindível, ao retornar tire a roupa imediatamente, coloque para lavar, tire o sapato, passe álcool na maçaneta que você tocou, lave as mãos e passe álcool gel – recomendou a médica.

Ela alerta também que, só deve procurar o hospital se tiver agravamento dos sintomas gripais.

- É muito importante que as pessoas compreendam isso. Se você tiver sintomas de gripe comum você não deve procurar as unidades de saúde, porque, em 80% dos casos os sintomas vão melhorar dentro de 5 dias. A maioria das pessoas não vai evoluir para um caso de gravidade. Então, deve permanecer em casa, em isolamento social de 14 dias. Se, neste período tiver uma piora do estado geral, como febre muito alta e falta de ar, aí sim deve procurar o serviço de saúde. É essencial que os idosos compreendam que o isolamento social é absolutamente necessário e, não fazer, em hipótese alguma, automedicação, perguntar sempre ao seu médico o que tomar e não parar com suas medicações de uso contínuo. A última coisa que precisamos neste momento é que necessitem do hospital por outros motivos, pois, todas as unidades de saúde estão voltadas para a situação pandêmica que estamos vivendo – concluiu Roberta França.

 

 



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