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Petropolitana emociona o Brasil em programa de TV

Luziane Rodrigues participou do ‘Caldeirão do Huck’ contando sua história de amor

Wellington Daniel


 À época com 45 anos, uma mulher solteira decide mudar de vida e adotar uma criança. Luziane Rodrigues sempre sonhou em ser mãe e, conhecendo a história de Daniel, vislumbrou a possibilidade. O menino, com hidrocefalia, foi abandonado em um hospital de Duque de Caxias assim que nasceu. Aposentada, Luziane começou a vender bolos para ajudar nas finanças. A história de amor entre mãe e filho ganhou o Brasil no sábado passado (16), quando a boleira participou do quadro “Quem Quer Ser um Milionário”, do programa Caldeirão do Huck, da TV Globo.

Ao Diário, Luziane contou que conheceu a dificuldade de Daniel quando era vendedora de roupas íntimas em uma barraca próximo ao hospital infantil de Duque de Caxias. Funcionários do hospital passavam pelo local e relatavam o que acontecia. Hoje, a criança tem nove anos e utiliza cadeira de rodas desde os três.

- As enfermeiras estavam bem preocupadas, pois elas não achavam que ele iria resistir indo ara um orfanato ou abrigo. Eu sempre tive a intenção de ser mãe, sempre foi uma coisa muito certa e constante na minha vida. Eu já era habilitada para a adoção. Independente da minha condição financeira na época ou em qualquer época, pois sempre lutei com muita dificuldade, aquela história começou a entrar no meu imaginário e comecei a pensar naquela criança dia e noite. E eu decidi que não poderia encerrar aquela história sem fazer nada, eu precisava tomar uma atitude – relatou.

Dois dias antes dele ser transferido para o abrigo, Luziane conseguiu autorização para autorização. Ela só foi conhece-lo no dia da adoção. Para a boleira, o seu filho é um presente dado por Deus. A aposentada conta que era uma pessoa solitária e perdeu os pais muito cedo. Também ajudou a cuidar dos irmãos. Tentou relacionamentos e gravidez, mas não conseguiu. Até que Daniel chegou e a fez “renascer”.

- O Daniel tem hidrocefalia. Não enxerga, não fala e nem anda. Mas escuta muito bem. E por ele escutar, eu consegui fazer com que ele aprenda a me chamar. Para mim, isso é o som dos anjos. Dali para cá, minha vida foi mudando. Não foi eu que encontrei o Daniel, mas ele que realmente mudou a minha vida. Ele é o grande presente que Deus me deu. Eu renasci aos 45 anos – contou.

Atualmente, Luziane mora com o filho apenas. Conta com a ajuda de parentes para estudar e vender os bolos. Às vezes, é necessário levar Daniel junto para as vendas. Ela explica que a entrada no “mundo dos especiais” fez com que ela conhecesse outra realidade.

- A entrada no mundo dos especiais me fez conhecer uma realidade que até então, eu não conhecia, de simplicidade, de verdade, de pessoas verdadeiras e que encaram a vida de frente. Que não tem medo dos preconceitos. E todas as dificuldades que temos, quando entramos neste mundo, vemos que não é nada. Os especiais enxergam a vida em uma outra dimensão. É um mundo maravilhoso que me cativou. E com o passar dos anos, isso me incentivou a voltar a estudar e entrar em psicologia – disse.

 Psicologia

Antes da aposentadoria, Luziane Rodrigues trabalhava com contabilidade. A escolha pela psicologia veio pelo desejo de ajudar outras pessoas, além de seu filho. A futura psicóloga quer trabalhar com questões relacionadas a maternidade, paternidade e adoção. Além deste desejo, há outro maior: quer que Daniel tenha orgulho da mãe.

- Mesmo que ele não me enxergue e não tenhamos uma conversa frente a frente, mas nos comunicamos muito. E eu quero que ele tenha orgulho de mim. Eu quero que ele pense e saiba, não sei como, que eu me esforcei em ser a melhor mãe para ele. Então, resolvi voltar a estudar. Muitas pessoas perguntavam porque eu não fazia fisioterapia, porque eu cuidaria do físico dele. Mas eu queria algo mais, algo que eu abrangesse muito mais pessoas – contou.

 Caldeirão do Huck

Depois de algumas perguntas, Luziane saiu do programa de Luciano Huck com R$ 20 mil. Ela afirma que pretende utilizar o dinheiro para realizar melhorias em sua casa, principalmente com um banheiro adaptado. Também pretende, através da fama que a história tomou, fechar uma parceria fixa de entrega de bolos.

A boleira também conta que, no início, não acreditou que fosse chamada ao programa. Até mesmo quando a produção entrou em contato, ela pediu várias verificações. E apesar de não ter saído com o prêmio completo, Luziane afirma que há outra forma de seu objetivo ser cumprido.

- Depois da participação, recebo comentários do Brasil todo e entrevistas. Estou entrando num mundo que eu nunca imaginei e sem pretensão nenhuma. Nessa apresentação, se eu consegui tocar o coração de uma pessoa para conhecer e adotar alguém nessa condição e que queira abrir essa possibilidade. Se esta pessoa chegar até o final, resgatar e buscar esta criança para ela e constituir uma nova família, eu já vou ter ganhado R$ 1 milhão. Porque uma vida não tem preço – concluiu.

“Porque uma vida não tem preço” – Luziane Rodrigues

“Eu quero que ele pense e saiba, não sei como, que eu me esforcei em ser a melhor mãe para ele” – Luziane Rodrigues



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