Edição anterior (2131):
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Ed. 2131:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2131): quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Ed.2131:

Compartilhe:

Voltar:


  Economia

Petropolitano paga, em média, R$ 181,74 por 15 produtos da cesta básica

Arroz, óleo de soja e café foram os maiores vilões; veja as principais causas para as altas

Wellington Daniel

 

A pesquisa de preços do Diário de Petrópolis, realizada ontem (09), aponta que o petropolitano paga, em média, R$ 181,74 por 15 produtos da cesta básica. Sentindo os efeitos das altas nacionais de preços dos alimentos, este valor subiu 3,6% em pouco menos de um mês, já que na pesquisa do dia 12 de agosto, era necessário desembolsar cerca de R$ 175,44 para comprar os mesmos produtos.

Neste período, o óleo de soja, o arroz e café foram os principais vilões para os consumidores da cidade. Este primeiro, da marca Liza de 900mL, subiu cerca de 23% na média, indo de R$ 5,83 para R$ 7,17. Em um dos estabelecimentos, a alta chegou a 50%, de R$ 4,99 para R$ 7,49.

Já o arroz, foi de R$ 25,53 para R$ 28,51 na média, com alta de 11,7% no período. Mesmo percentual de aumento para o café, indo de R$ 9,87 para R$ 11,03. A psicóloga Raquel Martins, de 26 anos, percebeu a alta no arroz, óleo, feijão e carne nos últimos meses. Para ela, é necessário pesquisar.

- Eu faço compra todo mês e acompanho há um certo tempo a alta dos preços. Quando eu ia antes, conseguia trazer bastante coisa, mas agora, com o mesmo valor, estou trazendo muito pouco. Impacta muito no orçamento da casa. O que tenho observado é que, muitas vezes, o pessoal tem feito trocas no mercado ou não comprar no primeiro estabelecimento, fazer uma pesquisa de preços – afirmou.

Causas

O consenso entre os especialistas é que a alta do dólar têm sido um dos principais fatores para os aumentos. Ontem (09), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,24% em agosto, puxado em grande parte por alimentação e bebidas, que registrou 0,78% de variação. Em julho, o resultado do grupo tinha ficado em 0,01%.

- Temos dois componentes que ajudam a explicar as altas nos alimentos, não só em agosto, mas ao longo deste ano de 2020. O primeiro deles é a questão do auxílio emergencial que tem sustentado a demanda principalmente dos componentes da cesta básica, que é o caso do arroz e do feijão. Outro fator é a questão cambial. O câmbio num patamar mais elevado acaba estimulando as exportações e, com isso, a oferta de alimentos no mercado doméstico acaba ficando mais restrita. E com esta oferta mais restrita, os preços sobem – explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Já o professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, acredita que o Auxílio Emergencial não tenha causado este impacto. Para ele, foi o dólar alto que movimentou os preços e a inflação tem se mantido em baixa, devido a queda de outros setores, como educação. Questionado sobre previsão de melhora, o especialista diz que é preciso torcer para a melhora do câmbio.

- Bem objetivamente, a questão principal é o câmbio. O que temos que torcer para que aconteça é uma queda do dólar, que pode ser importante para os preços dos produtos no mercado interno – afirmou.

Para José Maurício Soares, diretor do departamento de agricultura de Petrópolis, a sazonalidade pode ter influenciado um pouco, mas não em tudo. As épocas também fizeram os preços da cebola, batata inglesa e alho diminuírem, de acordo com Kislanov. Soares também afirma que a população petropolitana não precisa se preocupar com as altas dos produtos produzidos no município.

- Os preços nossos da economia local, teve um pequeno aumento. Mas a demanda de alguns produtos aumentou bastante, então tem a ver com a lei da oferta e da procura. Nos nossos produtos, não tenho percebido grandes aumentos. Com relação aos produtos locais, podemos ficar mais tranquilos – disse.

Supermercados

A Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) divulgou uma nota em que demonstra preocupação com as altas. A Asserj cita a alta do dólar e a sazonalidade como um dos motivos e diz que o setor tem sofrido pressão com os aumentos de forma generalizada. Em um vídeo, o presidente da associação, Fábio Queiróz também cita o Auxílio Emergencial e o distanciamento social, como causadores do aumento de demanda.

- Os supermercados estão negociando estreitamente com os fornecedores. Quanto menor o preço de compra, menor o preço de venda, somos meros repassadores de preço. Todos sabemos. Estamos sacrificando as nossas margens, a maioria dos supermercados do Rio de Janeiro estão vendendo abaixo do preço de custo ou a preço de custo. Também recomendando ao consumidor as substituições. A batata e as massas apresentam-se como ótimas opções para o arroz. Usar a criatividade e pesquisar bastante o preço – disse Queiróz.

A Asserj também diz que o abastecimento encontra-se regular, como foi durante toda a pandemia e pede que o consumidor não faça super estocagem.

- Também estamos comprando na medida equilibrada e peço ao consumidor que não faça super estocagem. O abastecimento encontra-se regular, assim como, durante toda a pandemia – concluiu.

O Diário procurou os principais supermercados que atuam na cidade. Recebeu resposta apenas do Armazém do Grão e Multimix que, assim como a Asserj, afirmaram que estão com o abastecimento regularizado e que não há necessidade de limitação de vendas. Os estabelecimentos também informaram que estão trabalhando para oferecer os melhores preços.

Órgãos fiscalizadores

O Procon Petrópolis informou que integra a Associação Brasileira de Procons (PROCONSBRASIL). A associação, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão Especial de Direito do Consumidor e a Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor, enviou um ofício à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre a alta, que “expõe de forma clara a vulnerabilidade dos consumidores durante a pandemia”.

O pedido foi atendido ontem (09). A Senacon, ligada ao Ministério da Justiça, deu o prazo de cinco dias para que as principais empresas e associações ligadas a produção e distribuição de alimentos do país expliquem os aumentos. Também chamou os Ministérios da Economia e da Agricultura para discutir os preços.

- Recentemente, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz - ABIARROZ, emitiu nota informando aumento de mais 30% no custo da matéria-prima, além do reajuste ocorrido em decorrência do aumento da demanda desde o início da pandemia. A própria ABIARROZ informa que os preços praticados ultrapassam em 290% do valor do preço mínimo estabelecido pelo governo federal. Os Procons não são órgãos de controle de preço, mas atuam firmemente para coibir as abusividades – concluiu a nota do Procon Petrópolis.

O governo federal também tem demonstrado preocupação com as altas. O presidente Jair Bolsonaro pediu, em algumas ocasiões, a ajuda dos empresários de supermercados. O Ministério da Agricultura também divulgou uma extensa nota em que diz que faz o acompanhamento da produção e processamento de vários produtos para garantir o abastecimento de alimentos no Brasil e orientar a execução de políticas públicas.

Sobre a pesquisa do Diário

A pesquisa do Diário foi realizada através da consulta de preços, pelos aplicativos e sites, dos supermercados Multimix, Bramil e Armazém do Grão. Já para o levantamento dos valores da Rede Economia e do Supermarket, foi utilizado o aplicativo Ifood.

Quanto aos cortes de carnes, o preço no Multimix refere-se a peça ou pedaço. Já no Armazém do Grão, corresponde ao pedaço do acém.

Principais causas para altas

1 – Alta do dólar: exportações ficam mais vantajosas e importações mais caras

2 – Aumento do consumo interno: Auxílio Emergencial e isolamento social fizeram subir as compras de produtos básicos

 

Produtos

Multimix

Bramil

Armazém do Grão

Rede Economia

Supermarket

Média

Arroz Branco Tio João 5kg

R$ 29,99

R$ 27,59

R$ 27,95

-

-

R$ 28,51

Feijão Preto Combrasil 1kg

R$ 7,99

R$ 8,09

R$ 7,99

R$ 8,63

R$ 8,59

R$ 8,26

Macarrão espaguete 8 Santa Amália 1kg

-

R$ 3,99

-

R$ 5,93

R$ 5,36

R$ 5,09

Farinha de mandioca crua Granfino 1kg

R$ 4,49

R$ 4,39

R$ 4,74

R$ 5,07

R$ 5,36

R$ 4,81

Sal refinado Ita 1kg

R$ 1,99

-

-

-

R$ 3,21

R$ 2,60

Óleo de soja Liza 900mL

R$ 6,99

R$ 6,85

R$ 7,49

R$ 6,47

R$ 8,05

R$ 7,17

Farinha de trigo s/ fermento Dona Benta 1kg

R$ 5,99

R$ 4,99

R$ 4,79

R$ 6,47

R$ 5,90

R$ 5,63

Leite Macuco 1L integral

R$ 4,99

-

R$ 4,89

R$ 4,85

-

R$ 4,91

Açúcar União 1kg

R$  2,99

R$ 2,99

R$ 2,99

R$ 3,23

R$ 3,21

R$ 3,08

Café Pilão 250g tradicional

R$ 5,49

R$ 5,2

R$ 5,49

-

R$ 5,9

R$ 5,52

Café Pilão 500g tradicional

R$ 9,99

R$ 10,55

-

R$ 11,87

R$ 11,71

R$ 11,03

Fubá degerminado Granfino 1kg

R$ 2,89

R$ 2,95

R$ 3,39

R$ 3,88

R$ 2,68

R$ 3,16

Contra-filé kg

R$ 34,99

-

-

-

-

R$ 34,99

Acém kg

R$ 24,99

-

R$ 24,99

 

-

R$ 24,99

Alcatra kg

R$31,99

-

-

-

-

R$ 31,99

 


 



Edição anterior (2131):
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Ed. 2131:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2131): quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Ed.2131:

Compartilhe:

Voltar:







Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior