Edição anterior (1456):
segunda-feira, 05 de novembro de 2018
Ed. 1456:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1456): segunda-feira, 05 de novembro de 2018

Ed.1456:

Compartilhe:

Voltar:


  Cidade

Prédios históricos da cidade sofrem com falta de manutenção

 

Patrimônio petropolitano precisa de maior fiscalização e rigidez dos órgãos responsáveis

João Vitor Brum joaovitor@diariodepetropolis.com.br

Petrópolis é conhecida por sua vasta história, que encanta visitantes e moradores com seu charme, em imponentes construções, importantes para a história do país, grande parte tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Entretanto, muitas construções sofrem com a falta de manutenção e fiscalização, o que pode causar prejuízos irreparáveis à história da cidade.

Pelo menos 40 conjuntos são tombados pelo Inepac ou pelo Iphan na cidade, incluindo palácios, casas de personalidades importantes, rios etc. Os órgãos são responsáveis pela preservação do patrimônio histórico, a nível estadual e nacional, respectivamente.

Há algumas edições, o Diário vem apontando, em diferentes ocasiões, o estado precário de construções da cidade, como o Conjunto Arquitetônico Rio Negro, que abriga nove prédios na Avenida Koeler. O espaço, inclusive, já foi sede do Governo do Estado. Alguns casos chamam a atenção da população e de instituições que defendem a preservação do patrimônio, pelo descaso notado em locais que deveriam ter mais atenção por parte dos órgãos responsáveis.

- Nada se constrói a partir do zero. O passado é a base para o presente, que ilumina o futuro. Falta interesse público e uma visão ampliada sobre a importância de nossa memória cultural – disse Myriam Born, presidente da AMA Petrópolis, Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico.

– O povo precisa se apropriar cada vez mais de sua história para orgulhar-se, no bom sentido. A autoestima é fundamental para o desenvolvimento sadio da vida numa sociedade urbana – completou Myriam.

Construída na Praça da Liberdade em 1874, a Casa Franklin Sampaio é um dos mais emblemáticos exemplos do abandono do patrimônio histórico local. O abandono do espaço vem sendo denunciado há anos, e não recebe reformas há mais de uma década.

Em 2000, os donos do imóvel e a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) fecharam um contrato de comodato - espécie de empréstimo gratuito de cosias que não podem ser substituídas, como no caso do imóvel, tendo como única obrigação da parte beneficiada a devolução do mesmo no prazo determinado -, que duraria 25 anos. O objetivo da Firjan era instalar sua sede no local, e faria a restauração da casa para que isso fosse possível. A Federação chegou a investir cerca de R$ 860 mil na revitalização, mas, em 2007, pediu rescisão do contrato e encerrou a reforma. Depois disso, o local foi abandonado pelos proprietários e segue em estado precário até os dias atuais, sem previsão de obras.

Segundo o Iphan, responsável pelo tombamento da casa, o local foi vistoriado pela última vez no dia 25 de setembro, na companhia da proprietária. Cinco dias antes, o local foi visitado pelo órgão, junto da Defesa Civil, sendo constatado um desabamento do forro do pátio interno, que, segundo o Iphan, não prejudica o imóvel como um todo, que não corre risco de ruir.

O órgão informa, ainda, que os telhados foram feitos recentemente e que, embora haja pontos com infiltrações e desabamentos, o conjunto também está estável. Não foi apresentado qualquer projeto de revitalização do espaço.

Prédios do antigo Fórum, dos Correios e do Banco do Brasil também passam por problemas

Inaugurado em 1859, no estilo neoclássico, o prédio do antigo Fórum, localizado na Rua do Imperador, coração do Centro Histórico, também sofre com a falta de manutenção. Do lado de fora, pode-se ver inúmeras paredes, portas e janelas descascadas, pontos em que as estruturas de acabamento cederam, partes de portões de metal enferrujadas e destruídas e falta de pintura em toda a estrutura, além das pichações que tomam conta do prédio.

O local, que atualmente é sede do Cefet na cidade, já abrigou uma Delegacia, quartel do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, além da coletoria estadual. A primeira reforma no prédio aconteceu em 1944, e a última, em 2000. O Cefet foi procurado pelo Diário, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Já o prédio dos Correios, também na Rua do Imperador, sofre com o vandalismo e a má conservação. O espaço, de 96 anos, possui inúmeras janelas quebradas, aparentemente por pedras, e todas as paredes estão repletas de pichações. Em abril deste ano, a entrada principal do local foi fechada para reformas, que não foram iniciadas, e permanece fechada desde então. Usuários do espaço o acessam pela lateral, na Rua Epitácio Pessoa, sendo que o salão onde anteriormente funcionava o atendimento está fechado.

Segundo a entidade, os detalhes sobre a reforma estrutural ainda estão em definição, e, por isso, não há datas definidas para início e término da mesma. Ainda segundo os Correios, será realizada divulgação quando o cronograma com as datas e demais informações forem definidos, além de garantir que a agência voltará a funcionar no local original.

Outro caso emblemático é o espaço que hospedou a primeira casa bancária fundada na cidade, o Banco de Petrópolis, na esquina das Ruas do Imperador e Alencar Lima. Inaugurado em 1928, o imóvel é, atualmente, de propriedade do Banco do Brasil, onde funcionava uma agência da rede, fechada em 2012.

Desde então, o prédio não é utilizado e conta com tapumes do lado de fora, prejudicando a passagem de pedestres. Em março deste ano, a Prefeitura divulgou que estudava uma parceria com o Banco, que possui dívidas relacionadas a impostos junto à administração. A instituição reformaria o local e o mesmo seria assumido pela Prefeitura, como forma de pagamento das dívidas.

Questionada pelo Diário, a Prefeitura informou que o município segue em negociação com representantes do Banco do Brasil, em relação ao destino do imóvel. Quanto à conservação do bem tombado, o assunto vem sendo discutido pelo Conselho Municipal de Tombamento Histórico Cultural e Artístico e, com a aprovação do Conselho, a Coordenadoria de Planejamento e Gestão Estratégica já notificou os responsáveis para que sejam adotadas as medidas em relação às condições do prédio. 

O Banco do Brasil informa que não houve acordo para venda ou permuta do imóvel com a Prefeitura, apesar das negociações. O BB esclarece, ainda, que não possui qualquer tipo de dívida, e que em 2014 foi realizada uma reforma no local. Recentemente, o banco realizou mais uma intervenção no imóvel e há previsão de uma nova reforma para melhorias. O espaço foi colocado à venda em leilão, marcado para o dia 22 deste mês.

O Iphan ressalta que a responsabilidade pela preservação e eventuais intervenções nos bens tombados é dos proprietários. Ao Instituto, cabe prestar consultoria gratuita, analisar e aprovar projetos, fiscalizar obras e o estado de conservação dos monumentos, bem como tomar as medidas administrativas e legais em caso de não cumprimento do Decreto-Lei 25 de 1937.

Nova lei permite mudanças nas estruturas para garantir acessibilidade

Uma nova lei, sancionada pelo Governador Luiz Fernando Pezão na última quarta (31), determina que prédios tombados poderão sofrer alterações para realizar melhorias de acessibilidade. A Lei 8.147/18, de autoria da ex-deputada Tania Rodrigues, complementa o Conselho Estadual de Tombamento e pode afetar diretamente o patrimônio de Petrópolis, que sofre com falta de acessibilidade em inúmeros prédios, muitos públicos, como a sede da Prefeitura, por exemplo.

O texto garante que as obras de acessibilidade, quando necessárias, devem sempre causar o menor impacto possível na aparência da edificação. – Acima de qualquer patrimônio está o ser humano. Todos devem ter seus direitos de ir e vir preservados. Além disso é possível manter o valor histórico dos prédios e respeitar as necessidades do cidadão -, afirmou a autora do projeto, Tania Rodrigues.

Segundo o Iphan, o proprietário de um imóvel tombado deve apresentar o projeto de melhoria ao órgão, que será analisado, eventualmente aprimorado e aprovado. A execução fica por conta do proprietário e o Iphan fiscaliza a obra para garantir que tudo segue de acordo com o planejado.

 

 

 

 

 

 



Edição anterior (1456):
segunda-feira, 05 de novembro de 2018
Ed. 1456:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1456): segunda-feira, 05 de novembro de 2018

Ed.1456:

Compartilhe:

Voltar:


Casando com Estilo








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior