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  Cidade

Produtora de desfile do Natal Imperial de 2019 lançará coleção de roupas em dezembro

Segundo ela, “Moda Arte" mesclará diversas linguagens artísticas

Camila Caetano – especial para o Diário

 

Muitas vezes conhecemos profissionais que dominam um assunto com tanta naturalidade que, a sensação que temos ao observá-los enquanto executam, ou mesmo falam de suas funções, é que os mesmos já nasceram predestinado a fazer aquilo. Dafne Souza, uma figurinista e artista petropolitana, é uma dessas pessoas. Aos 15 anos ela já era autônoma no segmento de vestidos de festas. Quando estava no ensino médio, ajudou a diretoria do seu colégio a elaborar um novo uniforme e, em 2019, foi a produtora geral do desfile do Natal Imperial. Hoje, aos 29 anos e assombrada pela crise do novo coronavírus, ela conta que tem produzido uma pequena coleção de roupas denominada “Moda Arte” que deve ser lançada em meados de dezembro.

Por incrível que pareça, na família de Dafne, ela foi a primeira a seguir por esse caminho. Ela optou por fazer faculdade de Belas Artes com ênfase em figurino na UFRJ – escolha que, à primeira vista, chocou muitas pessoas que viviam ao seu redor, já que esperavam que ela fizesse moda. No início da sua carreira como figurinista, Dafne atuava como assistente, no entanto, como sempre foi muito independente em questões financeiras, as funções deste cargo a incomodavam um pouco. Para solucionar esse problema, ela teve a ideia de montar uma companhia de teatro junto com a sua mãe, onde passou a fazer, além dos figurinos, a produção de arte.

- Ninguém na minha família trabalhava nessa área. Desde criança sempre desenhei vestidos, era uma coisa que vinha de dentro de mim mesmo. Minha mãe, por mais que me apoiasse bastante também nunca trabalhou com isso. Desde que eu atuava em meu ateliê, com os vestidos, já estava certo de que eu seria muito independente. Dessa forma, fiz faculdade de Belas Artes na UFRJ com ênfase em figurino, já que na moda em si eu não me encontrava tanto. Enquanto eu fazia faculdade, trabalhava como assistente em algumas óperas e peças de teatro da Universidade, além de fazer os figurinos e continuar atuando de forma autônoma para outras pessoas. Contudo, eu estava muito insatisfeita de ter que trabalhar para alguém, pois, sempre busquei fazer minhas produções, no meu tempo. Trabalhando para outra pessoa, eu tinha que esperar alguém me chamar para trabalhar, para então, depois disso, começar a produzir. Eu não estava feliz agindo dessa forma. Pra não precisar ser empregada de ninguém, minha mãe, que é atriz, me convidou para abrir uma companhia de teatro junto com ela, que é a Construção Cena. Quando isso aconteceu o meu ateliê já existia, mesmo que de forma menos profissional. A partir daí começamos a trabalhar juntas. Eu fiquei responsável pela produção de arte e montagem de figurino. Nós colocávamos as peças em festivais, editais e etc – contou Dafne.

Solução vestível:

A cada novo caminho que a figurinista optava por seguir, mais os horizontes se expandiam ao seu favor. Tendo em vista que atualmente, os espectadores de um evento querem se sentir parte do espetáculo cada vez mais, ela teve a genial ideia de criar a Solução Vestível, que consiste em stands com figurinos relacionados aos eventos que ocorriam na cidade, em que o público podia vestir e se familiarizar com o mesmo. O sucesso da sua iniciativa foi tanto que fez com que ela fosse convidada para ser produtora geral do desfile do Natal Imperial, clássico evento que acontece em Petrópolis. Ela diz que apesar de todas as experiências que adquiriu quando seu trabalho se alinhava às óperas e peças da UFRJ, ter feito a produção geral do desfile do Natal Imperial foi um divisor de águas na sua vida profissional.

- Ano passado, evoluí um pouco junto com o ateliê e começamos a fazer Solução Vestível para eventos. Entendemos que o público quer estar participando das ocasiões não só como espectador, mas, ele também quer se sentir parte do mesmo. Montamos uns stands com cenários onde as pessoas vestiam figurinos atrelados ao tema da ocorrência, e tiravam fotos. Em todos os eventos públicos que tiveram na cidade em 2019 eu fiz isso. A partir daí me convidaram para fazer a produção geral do Natal Imperial e isso foi o auge da minha carreira – disse Dafne, que continuou:- Fiz a produção geral do desfile, que se chamou “Parada Iluminada”. Revitalizei os figurinos que estavam lá e criei vestimentas para mais duas alas. Também atuei fazendo a coordenação de todo o pessoal do desfile, fiz a inscrição, coordenei todos os staffs que estavam participando, e afins. Foi o primeiro trabalho grande que realizei. Coordenei 300 pessoas. Isso foi muito interessante para mim em vários sentidos. Foi desafiador, mas, consegui ultrapassar várias barreiras que eu não sabia que existiam. O retorno foi extremamente positivo – destacou ela, muito feliz com as ocorrências.

Minicoleção de roupas será lançada em dezembro:

Que a pandemia fez muitas pessoas enxergarem as coisas sob uma ótica diferente todo mundo sabe, e, com Dafne não foi diferente. Segundo a figurinista, a incidência da mesma fez com que ela se reinventasse e permitisse que a chama da moda reacendesse em seu interior, já que estava completamente focada nos figurinos e nas soluções vestíveis. Em virtude do isolamento social e das restrições de eventos na cidade, ela conta que viu suas mãos completamente atadas, pois, com a ausência do teatro e outras atividades do gênero, ela ficou um bom tempo sem trabalhar, onde entrou em um processo de reorganização. Após um período pensando sobre o seu futuro, ela decidiu investir na produção de uma minicoleção de roupas denominada “Moda Arte”, em que ela mescla várias linguagens artísticas.

- Eu sempre desenhei, pois, também sou ilustradora. Queria unir meus desenhos, e pinturas, com a moda. Na pandemia, comecei a desenvolver uma linha de roupas chamada “Moda Arte”, que são algumas peças bem finas, em seda pura, e, outras peças de segmento popular, como camisetas. Estou me preparando para lançá-la em dezembro. Essa foi a forma que encontrei para voltar a trabalhar neste momento. Tive que pensar em uma solução que não envolvesse eventos públicos e essas outras atividades que ainda não retomaram. Comecei a estudar estamparia, e também estou fazendo estamparia digital, digitalizando meus desenhos e afins. Foi assim que consegui dar uma volta por cima e lidar com a falta de oferta de emprego, e continuar investindo o que eu tinha – disse ela, que pontua sobre a coleção:- Os tecidos eu já tinha em casa por que há muito tempo ia fazer o trabalho e acabei não fazendo. É um momento que não estou gerado renda com isso, mas, estou investindo para essa renda vir no futuro. Além disso, estou trabalhando, não estou parada. Isso é muito importante por que quando trabalhamos com arte, é muito ruim ficar parada. Fiquei meio depressiva, sem entender o que eu podia fazer. Essa coleção é bem pequena e dependendo do engajamento do público vou continuar com esse trabalho paralelamente ao figurino. Isso que me impediu de ficar mais depressiva – disse Dafne, ansiosa para o lançamento.

Para quem quiser acompanhar de perto, basta seguir Dafne nas redes sociais. No Instagram ela pode ser encontrada como @atelier_dafne_souza. Já no Facebook e no LinkedIn, seu trabalho pode ser visto através dos links https://www.facebook.com/CiaConstrucaoCena, https://www.linkedin.com/in/dafnesouza/, respectivamente.



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