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  Projeto Social

Projeto social oferece aulas de artes marciais para crianças na 24 de Maio

150 crianças e adolescentes a partir de cinco anos são atendidos pelo Sai da Rua

Foto: Divulgação

Rômulo Barroso – especial para o Diário de Petrópolis

 

O Dia das Crianças foi criado em 1924, mas só se popularizou na década de 1960, quando a empresa Johnson&Johnson e a fábrica de brinquedos Estrela decidiram aproveitar a data para promover a venda de produtos associados aos pequenos. Porém, mais que o contexto comercial, essa data também deve servir também para lembrar dos direitos e necessidades dos pequenos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) destaca que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar a efetivação do direito, por exemplo, ao esporte e ao lazer. Na comunidade 24 de Maio, no Centro, um projeto social criado há cinco anos usa modalidades de artes marciais para isso. E o objetivo principal da iniciativa é fácil de entender pelo nome: "Sai da Rua".

O idealizador do projeto Sai da Rua é o ex-presidente da Associação de Moradores da Rua 24 de Maio, Fábio Luiz Januário - conhecido na comunidade como Fábio Negão. Depois de cumprir dois mandatos, "algo me incomodou", ele conta.

"Eu via as crianças ociosas na rua e isso me preocupava muito. Foi quando me despertou a ideia do projeto social. Se as crianças não estiverem ocupadas, infelizmente a gente acaba perdendo eles quando viram adolescentes. Consegui montar esse projeto, que já tem cinco anos, com grandes resultados, grande sucesso, que é fruto de um trabalho que não foi só eu que fiz, mas é fruto dos parceiros, dos professores voluntários", diz Fábio.

Hoje em dia, cerca de 150 crianças e adolescentes a partir de cinco anos de idades fazem aulas de jiu-jitsu, muay thai e capoeira, por exemplo. E como muitos deles são levados pelas mães, também tem atividades oferecidas para elas, como aula de zumba e defesa pessoal. O projeto acontece em uma quadra esportiva que fica na comunidade e é totalmente gratuito.

"A única que a gente cobra das crianças é a disciplina. Eles têm regras para seguir: tem que estar bem na escola, respeitar a família em casa e ter disciplina nas atividades", fala o idealizador do Sai da Rua.

 

De aluno a professor

Um dos voluntários é Carlos Arthur Silva, que ministra as aulas de jiu-jitsu. Para ele, o Sai da Rua "veio na melhor hora para essa comunidade", que não tinha opções de lazer para crianças e adolescentes. O professor da arte marcial diz que a pandemia reforçou ainda a importância desse projeto para a 24 de Maio.

"Nesse período de pandemia, que fechou tudo, foi muito triste para nós, professores, passando na rua da comunidade, ver as crianças vendo coisas que não presta, ver muitas adolescentes que faziam parte do projeto se perderem na rua com bebidas e etc. Mas graças a Deus o projeto voltou com força total e isso tá fazendo a diferença aqui na comunidade. Ver os pais elogiando nosso trabalho, isso é muito gratificante para mim, que comecei aqui no projeto Sai da Rua e hoje eu dou aula para minha comunidade", conta.

 

Formando campeões e, quem sabe, profissionais

Algumas das crianças que participam das aulas já participaram de campeonatos em Paraíba do Sul, Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e Três Rios, inclusive, com títulos. Não que esse o foco. Aliás, a busca do projeto agora é ir além do esporte.

"O objetivo não é formar grandes atletas, grandes lutadores. Se acontecer, vai ser muito bom. Mas nosso objetivo principal é ocupar o tempo dessa criança com algo que vale a pena. Além do esporte, agora estou correndo atrás de parceiros para poder oferecer, também, cursos profissionalizantes para esses jovens, que é uma coisa que eles me pedem muito. Muitas vezes eles querem trabalhar, mas falta a qualificação. Então eu quero preparar esses jovens para o mercado de trabalho, é o foco de agora", explica Fábio.

O projeto não faz captação de recursos e acontece com base em doações. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato pelo Instagram (@Projetosaidarua2016). Um dos itens que os responsáveis do projeto estão buscando atualmente são kimonos - quem puder doar também falar diretamente com Fábio pelo telefone (24) 9 8877-3695.

 



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