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  Covid-19 QUARENTENA


 

 

Páscoa será celebrada com concerto dos Canarinhos pela internet

Apresentações de anos anteriores serão editadas e exibidas em duas datas

As lindas vozes dos meninos e meninas que compõem os corais do Instituto dos Meninos Cantores de Petrópolis poderão ser ouvidas durante o período de Semana Santa e Páscoa deste ano. Assim como acontece há mais de sete décadas, as apresentações dos coros estarão presentes também durante a quarentena, mas de um jeito diferente. A Igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde acontecem as celebrações da Semana Santa, estará vazia, como recomendam as autoridades. Meninos e meninas que fazem parte dos corais também não estarão reunidos, no entanto, apresentações de anos anteriores estão sendo reunidas para promover, através de uma transmissão ao vivo pela internet, a reflexão sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

“Como a Igreja suspendeu todas as celebrações para evitar a aglomeração de pessoas, diante da pandemia do novo coronavírus, a ideia é transmitir as celebrações pela internet ou pela televisão para não perder a ligação e para que as pessoas em isolamento possam participar de alguma forma. Assim, continuaremos próximos dos paroquianos e poderemos dar um sinal de esperança, de luz e de incentivo para que as pessoas possam continuar a viver mesmo em forma de isolamento. Neste momento, é importante viver o Evangelho e cuidar uns dos outros, com esperança que isso tudo vai passar. É um momento e nós vamos voltar, não mais como vivíamos antes, mas vamos voltar a estar juntos e quem sabe com muito mais intensidade e muito mais amor e com muito mais esperança”, declarou frei Marcos, lembrando que a primeira celebração via internet aconteceu no último domingo, quando foi realizado o Concerto Espiritual da Semana Santa, que teve a participação de mil pessoas.

A segunda edição do “Especial com os Corais dos Canarinhos” será na Sexta-feira Santa, dia 10 de abril. O Concerto Espiritual será realizado às 18h e transmitido ao vivo, simultaneamente, pela página do Facebook dos Canarinhos de Petrópolis, pela página da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e no Youtube pela TV Franciscanos. Na ocasião, será reapresentado o Concerto Espiritual de Finados de 2017, com a obra Stabat Mater, do compositor italiano Giovanni Battista Pergolesi.  No domingo, dia 12, o concerto também será transmitido às 18h, nas mesmas páginas do Facebook. 

"Estamos vivendo um momento muito especial com os Corais do IMCP, historicamente falando. Com a nossa música, esperamos poder adentrar nos lares das pessoas e tocar, mesmo que à distância, as almas destes fiéis cristãos, fazendo com que se sintam por nós abraçados e confortados. Devemos aproveitar este tempo para refletir e meditar sobre quem somos e por que vivemos e, para que essa reflexão seja plena de êxito, queremos contribuir com a nossa música. A todos os nossos cantores e cantoras, incluindo suas famílias e amigos e também ao nosso público, desejamos uma Feliz e Abençoada Páscoa!", comentou o maestro Marco Aurélio Lischt.


 

Há um século a gripe espanhola mudou o mundo

 


 Arqueóloga Joana Freitas fala das mudanças que poderão ter após o coronavírus

 


 A pandemia de covid-19 está a despertar o interesse da população para as epidemias que já assolaram a humanidade.Hoje ou no passado, covid-19 ou qualquer outra pandemia, a humanidade ciclicamente foi posta à prova.

Contudo há uma que é considerada a mais letal de todas elas, a gripe espanhola. A arqueóloga portuguesa Joana Freitas traça o panorama geral desta pandemia. 

“Há cem anos atrás uma pandemia generalizada assolou o globo até às suas partes mais recônditas. Não era uma época fácil, sobretudo no continente europeu onde a primeira grande guerra já contabilizava o seu quarto ano. O clima de guerra, de fome, de doença, de frio e de falta de condições generalizada mostrou ser um ambiente propício ao alastramento da gripe pneumónica, mais conhecida por gripe espanhola.  Os seus danos foram de tal ordem que o surto matou mais gente do que os quatro anos de guerra. O grau de contágio era tão avassalador que os últimos estudos apontam que uma em cada três pessoas foi infetada. Seguindo a demografia da época isso contabilizaria cerca de 500 milhões de pessoas. Deste total entre 50 a 100 milhões viriam a falecer. Percentualmente cerca de 5% da população mundial pereceu.”, refere Joana Freitas.

Como é possível imaginar, esta pandemia espalhou o terror numa sociedade que vivia ainda em clima de guerra e em que a morte fazia parte do quotidiano.

“Nunca antes uma pandemia tinha feito um número tão extenso de baixas e o mundo não teve capacidade de lhe fazer frente. O número de mortos crescia de dia para dia, amontoados nas casas, nos hospitais, nas ruas. Faltavam caixões e lugares de enterro, faltava sobretudo dignidade na hora da morte de depois dela.”, explica a arqueóloga.   

O mundo está em alteração. Novos contextos políticos internos e internacionais estão em formação. Há um novo mundo que se forma não só pelo contexto de guerra mas pelo contexto pandémico. Joana Freitas explica alguns desses pontos:

“O mundo que surge depois da 1ª Guerra Mundial é também fruto desta pandemia.

Curiosamente esta gripe atacava os mais jovens e saudáveis, os mais velhos pareciam escapar sem que se conhecesse a causa. Demograficamente este fator era catastrófico. A população jovem é a força braçal, é o condimento necessário à criação das novas gerações e o mundo estava a perder parte dela.

Globalmente a sociedade releva agora novas formas de pensar. Nem tudo o que acontecia ao Homem eram atos de Deus e era necessário estar no controlo das situações. A ciência começa a fazer avanços, os cuidados de saúde em sistemas incipientes desenvolvem-se mas, especialmente, há melhoras significativas a nível sanitário e de higiene.”

Concluindo, Joana Freitas refere que temos sempre que levar em consideração a época em que ocorrem os acontecimentos e o papel que a história tem em todo o processo de compreensão das epidemias que assolam a humanidade.

“No entanto, temos de ter em consideração a época em que ocorre. Por muitos esforços que fossem feitos os mecanismos de proteção e de tratamento eram insuficientes em relação com a complexidade do surto. Vantajosamente, e contrariamente ao que ocorre hoje em dia, a velocidade de propagação do vírus a nível global foi mais demorada. Realidade essa justificada por uma rede de transportes que não é sequer comparável à que possuímos cem anos depois.

No entanto, e segundo as palavras de L. Spinney, especialista nesta matéria há algo que parece caracterizar a humanidade: “a história demonstra que gostamos de reagir em vez de prevenir”.

É o efeito do esquecimento coletivo. Assim que ultrapassamos uma situação danosa a sociedade tende a esquecer rapidamente e, ciclicamente vê-se obrigada a lidar com o mesmo tipo de questões. O papel da história é exatamente esse, impedir que o esquecimento seja total.”.

 
 

 



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