Edição anterior (2096):
quinta-feira, 06 de agosto de 2020
Ed. 2096:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2096): quinta-feira, 06 de agosto de 2020

Ed.2096:

Compartilhe:

Voltar:


  Incêndio
 

Queimada atinge Castelos do Açu e consome área de mais de 100 campos de futebol

Força-tarefa com 70 homens, 16 viaturas e um helicóptero em combate

Fogo ameaça espécies raras só existentes nos campos de altitude do Parnaso

Jaqueline Ribeiro - Especial para o Diário

Bombeiros, brigadistas e guarda parques retomam nesta quinta-feira (05.08) o combate às chamas que desde terça-feira se lastram pelos campos de altitude do  Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Uma força tarefa foi montada para o combate que acontece em uma área de difícil acesso. A suspeita é de que a queimada teria sido provocada por um balão. O incêndio chegou ontem aos Castelos do Açu -  parte alta do Parque. Equipes conseguiram impedir que o fogo atingisse o abrigo de montanha instalado no local. Em 24h as chamas, que começaram na manhã de terça-feira consumiram 100 hectares - área correspondente a 100 campos de futebol. No fim do dia, no entanto, a estimativa de equipes do Parnaso era de que os prejuízos podem chegar a  200 hectares de vegetação. Considerados por ambientalistas como uma área sensível do Parnaso, os campos de altitude abrigam espécies endêmicas (que só existem lá), além de espécies raras, ameaçadas de extinção.

- Já é um incêndio de grande magnitude e com isso precisamos de um esforço muito grande de vários órgãos para o combate. Foram 70 homens trabalhando  nesta quarta. Amanhã serão cerca de 80 homens no combate. O indicativo é de que o fogo foi provocado balão, pois no dia anterior ao incêndio, as equipes de brigadistas perceberam o sobrevoo de três balões - conta o comandante do 15º Grupamento do Corpo de Bombeiros, tenente coronel Gil Kempers.

De acordo com o comandante, a força tarefa montada para o combate reúne homens do Corpo de Bombeiros, ICMBio, IBAMA, Inea, Defesa Civil e Guarda Civil municipal e mobiliza 16 viaturas e um helicóptero.  - São muitas equipes para combater uma ocorrência como esta que poderia ter sido evitada - destaca.    

O Posto de Comando Avançado foi montado na Fazenda Marambaia em Correas próximo ao Bonfim. Por volta de 8h da manhã combatentes foram lançados na montanha pela aeronave do dos Bombeiros. Mais tarde, por volta de meio-dia um sobrevoo para reconhecimento foi realizado.  Após o sobrevoo, o comando operacional direcionou a aeronave para lançamento de água com uso do Bambi Bucket (HELIBALDE) nos pontos mais críticos, visto que as chamas chegaram aos paredões onde o combate terrestre é inviável.

A ação do vento, topografia, e o  tempo seco e quente corroboraram para a propagação das chamas que atingem a parte Alta do Parque, com focos maiores próximo a Pedra da Bandeira em direção a Trilha do Caxambu Açu, Chapadão, Ajax e Castelos do Açu, seguindo em direção ao Circuito do Índio nas vertentes que fazem divisa entre os municípios de Magé, Petrópolis e Guapimirim.

O chefe do Parnaso, Leandro Goulart, destaca que a situação é preocupante uma vez que os focos já começaram nos campos de altitude, área mais sensível do parque.

- Um incêndio nos campos de altitude causa uma grande preocupação em relação a conservação da bioversidade. É uma área com  um tipo de vegetação mais rasteira, que fica no alto da montanha, com uma serie de espécies endêmicas - que só ocorrem naquele local - é uma área que tem uma vegetação extremamente peculiar, que ocorre em poucos trechos de mata atlântica. Por isso os incêndios nos campos de altitude sempre causam grande preocupação - destaca Leandro Goulart.    

No fim da tarde parte das equipes foi retirada das frentes de combate.  Vinte e oito homens, no entanto, permaneceram na montanha - 10 do ICMBio, 23 IBAMA, quatro voluntários e um operador de rádio da ROER.  De acordo com o Parnaso, a equipe iria pernoitar no abrigo do Açu para vigilância e monitoramento da área.  

Bombeiro alerta para risco de queimadas durante a estiagem

Sem previsão de chuvas para os próximos 15 dias, o Corpo de Bombeiros faz um alerta sobre os riscos da estiagem e um apelo à população para que evite queimadas. -  A gente pede encarecidamente que as pessoas não soltem balões.  No dia anterior, as equipes de brigadistas perceberam o sobrevoo de  três balões,  por isso temos o indicativo de ter sido balão.  A gente pede que as pessoas não façam queimadas, que por favor não queimem lixo, não façam limpeza de terreno com fogo. Estamos em um período de umidade relativa do ar bem baixa, sem previsão de chuvas nos próximos 15 dias. Então pedimos que a população ajude para evitarmos incêndios desta proporção - afirma o tenente-coronel Gil Kempers

A nova força-tarefa de combate aos incêndios florestais foi montada uma semana após um outro grande incêndio que destruiu 673 hectares de mata na Reserva Biológica de Araras, onde o fogo começou com o incêndio criminoso de um veículo, cujo proprietário foi preso.  A ocorrência exigiu uma força tarefa que mobilizou 100 homens, 18 viaturas, um helicóptero e dois drones.

Partes da equipe atuaram também no combate a focos de incêndio em dois pontos distintos do Parnaso. No Caxambú, onde o fogo destruiu 47 hectares de mata no Morro do Cobiçado e na região do Taquaril, na Posse, onde o fogo consumiu uma área correspondente a 30 campos de futebol na Pedra do Elefante.

 



Edição anterior (2096):
quinta-feira, 06 de agosto de 2020
Ed. 2096:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2096): quinta-feira, 06 de agosto de 2020

Ed.2096:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior