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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Rio, 7 de fevereiro de 2019. Gastronomia ou alimentação

Conceitualmente, “a gastronomia é a alimentação pensada e sentida, é a alimentação cultural e não automática. Acima de tudo, o encontro da arte com a alimentação”, como preconiza o meu amigo Roberto Hirth, ex-presidente da nossa confraria Os Companheiros da Boa Mesa (na foto com a sua Letícia)


  

Já a historiadoras Dolores Freixa e a jornalista gastronômica Guta Chaves (em livro publicado pelo SENAC) ,ambas estudiosas dos prazeres do paladar, não hesitam em classificar a GASTRONOMIA como um inventário patrimonial tão importante culturalmente quanto os museus, as festas, as danças e os ritos religiosas.

 
 

Por falar em ritos religiosos, temos aqui um bom exemplo: o pesquisador francês Roger Bastide (foto Google, acima),  que viveu em Salvador no início dos anos 40 e escreveu um trabalho importante (O Candomblé da Bahia), relata – entre tantas curiosidades — por que a cozinheira dos terreiros (e por projeção, a vendedora de acarajé de rua) é velha, ou se veste como velha?

 
 

Porque segundo o mandamento dos orixás, a mulher menstruada está poluída, não deve se aproximar dos alimentos. E a idosa já está na menopausa!

 
 foto do site linguagemeafins.blogspot.com

Nessa linha, ainda, o nossos brasileiríssimo Gilberto Freyre (foto de arquivo, abaixo) é mais extensivo: “a gastronomia fotografa e reflete a sua classe social. E o inventário do uso de panelas, utensílios, recipientes e das tradições populares: o cantos dos pregões, as tabuletas dos vendedores e a geografia do doce, nos contam mais do Nordeste profundo do que muito tratado de sociologia”.


 Bom e o conceito de alimentação?

Para o mestre Antonio Houaiss (ele próprio um gourmet e, na foto embaixo, em pé, discursando no almoço de lançamento da referida confraria, em dezembro de 1982 no falecido restaurante Don Peppone, do Sidney Regis), é o abastecimento renovado do conjunto das substâncias necessárias à conservação da vida; sustento.

 
 Um gole de história:  o conceito de gastronomia acompanha a marcha das sociedades (para frente e para trás) e, de certa forma, estamos de volta para o futuro. Ou seja, antes, no campo, o fogo era o polo aglutinador.
Era em torno dele que se preparavam os alimentos e se reuniam os nômades. Mais de 10 mil anos depois, ou seja, hoje em dia, ele continua polo aglutinador, mas em vez do fogo — são as lâmpadas de led que aglutinam.  A boia de luz, sobretudo em restaurantes, porque é impensável um restaurante estrelado da atualidade não exibir uma cozinha-aquário, aonde chefs e cozinheiros trabalham à vista de todos — iluminados — como em um making-off de artistas no camarim.
Com tal cenografia (às vezes) que a comida servida em público não é  apenas um fator de alimentação, nem mesmo gastronomia. É uma experiência cinematográfica. Em alguns restaurantes, se aproxima de uma odisséia no espaço, com efeitos especiais.

Vejam este Inamo, em Londres. Todo digitalizado.

E mais mil outros exemplos: embaixo d`água, que mudam de endereço…

Outras vezes, no entanto, como escrevi no meu blog imediatamente anterior sobre os quiosques-chiques — em que se bebe champagne francês descontraidamente —  nem fogo, nem lâmpadas de led.

É o por-de-sol à esquerda do Morro Dois Irmãos quem ilumina a alma da gente. E todo o Rio de Janeiro!


 

 


 


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