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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Vinhos ambientalmente corretos

Ou seja, vinhos orgânicos ou biodinâmicos. Ou biológicos, como dizem os europeus. Isso para ficarmos na esfera do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado esta semana.

Orgânicos. Para começar, uma distinção: a rigor, não é o vinho que é orgânico — porque o que é orgânica, ou biológica (bio, como designam os franceses) – é a vinha. Não necessariamente o vinho dela resultante. Ou seja: o que a legislação exige para conceder a “certificação biológica” é que os vinhos sejam produzidos a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas, pesticidas e outras químicas, para combater as pragas, corrigir o solo, etc.

Obs: mas a legislação permite a adição de algumas substâncias químicas (inclusive o sulfito, em doses reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor e resistência à exportação, sobretudo quando o mercado comprador é distante.

O essencial é que a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas propicia à vinha e, consequentemente uma maior autenticidade na tradução das características do hoje chamado terroir – para utilizar essa expressão que vai-se tornando clichê.

No passo seguinte, surgiram os vinhos Biodinâmicos (que bem poderiam ser chamados de veganos!). No vinhedo, o ambiente é quase místico: as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral são comidas por gansos (e não aradas por tratores) ou, no máximo, por mãos humanas. Usam-se, também, vespas para combater aranhas que furam as uvas; aveia – que é plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo -- insolação privilegiada (leste-oeste) para o combate dos fungos e outras soluções criativas dentro do rigor ecológico. Em síntese, o cultivo biodinâmico adota as seguintes “cláusulas pétreas”: valorização do solo e da planta em seu habitat natural, através do uso de preparados e compostos de origem vegetal, animal e mineral. Aplicações dos compostos em épocas precisas, levando em consideração as influências astrais e os ciclos da natureza. Aplicação dos preparados biodinâmicos em doses homeopáticas. Preparados biodinâmicos de plantas medicinais, com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas. Proteção do solo: adubação verde e utilização do calendário biodinâmico para a realização das atividades vitivinícolas.

Curiosidade: o mais famoso vinhedo do mundo — La Domainde de la Romanée-Conti — é orgânico desde 1985 e mais. O seu proprietário, o célebre (no universo dos vinhos) Aubert Villaine, decidiu-se pelo cultivo biodinâmico em 2007.


 
  

Finalmente, diria que o elo que precisa ser melhor trabalhado daqui para a frente é a mobilização do consumidor final para que ele responda a essa mudança de relação terra- tecnologia- mercado- saúde, adotando-a e compartilhando-a (embora sabendo que por ora vai pagar mais caro). Como? Bebendo com critério e moderação e, por outro lado, apoiando a escolha (e compra) desses vinhos ambientalmente comprometidos com a sobrevivência do planeta. E nele, a sobrevivência dos nossos filhos, netos, bisnetos e do cacho de uvas que há de nascer “despoluído” em 3019!

 O que torna o produto final mais caro, obviamente. Mas é uma tendência sem retorno.

 



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