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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

Escrever com luz

Domingo passado celebrou-se o Dia Mundial da Fotografia. A palavra fotografia vem do grego [fós] ("luz"), e [grafis] ("escrever). Mas numa definição mais enciclopédica, fotografar é essencialmente fixar imagens por meio de exposição luminosa sobre uma superfície sensível. 

Daguerre apresentou seu processo à Academia de Ciências e Belas Artes da França e logo depois requereu a patente do seu invento na Inglaterra. Resultado: a popularização dos daguerreótipos, deu origem às especulações sobre o "fim da pintura", inspirando o Impressionismo. (Para retratar a realidade, basta(va) a fotografia: para interpretá-la, era preciso a intervenção do pintor...)


 
 

A partir daí a fotografia sempre mexeu com a emoção das pessoas. E percorreu um longo caminho até popularizar-se como produto de consumo -- a partir de 1888. A empresa Kodak abriu as portas com um discurso de marketing onde todos podiam tirar suas fotos, sem necessitar de fotografos profissionais com a introdução da câmera tipo "caixão" e pelo filme em rolos substituíveis, criados por George Eastman.

Mas eram fotos em preto e branco. Mais precisamente do preto sobre o branco. E a marca da foto em preto e branco é riqueza de tonalidades. A fotografia colorida é mais bonita mas não tem o mesmo alcance dinâmico. E a primeira foto colorida data de 1861, tirada e composta por James Clerk Maxwell.

E a fotografia colorida foi explorada durante o século XIX e os experimentos iniciais em cores não puderam fixar a fotografia, nem prevenir o “enfraquecimento”da cor, com o passar do tempo. Durante a metade daquele século as emulsões disponíveis ainda não eram totalmente capazes de serem sensibilizadas pela cor verde ou pela vermelha - a total sensibilidade à cor vermelha só foi obtida com êxito total do meio para o fim do século XX.

Mas a grande mudança. produzida a partir do final do século XX, foi a digitalização dos sistemas fotográficos. A fotografia digital mudou paradigmas no mundo da fotografia, minimizando custos, reduzindo etapas, acelerando processos e facilitando a produção, manipulação, armazenamento e transmissão de imagens pelo mundo. O aperfeiçoamento da tecnologia de reprodução de imagens digitais tem quebrado barreiras de restrição em relação a este sistema por setores que ainda prestigiam o tradicional filme, e assim, irreversivelmente ampliando o domínio da fotografia digital.

E mais: a foto digital estabeleceu um novo tipo de cumplicidade, entre o “olhar”que olha e o outro -- que foi olhado.

O primeiro filme colorido moderno, o Kodachrome, foi introduzido em 1935 baseado em três emulsões coloridas. A maioria dos filmes coloridos modernos, exceto o Kodachrome, são baseados na tecnologia desenvolvida pela Agfa-color em 1936. Já o filme colorido instantâneo foi introduzido pela Polaroid em 1963.

A fotografia colorida pode formar imagens como uma transparência positiva, planejada para uso em projetor de slides (diapositivos) ou em negativos coloridos, planejado para uso de ampliações coloridas positivas em papel de revestimento especial. O último é atualmente a forma mais comum de filme fotográfico colorido (não digital), devido à introdução do equipamento de foto impressão automático.

Enquanto a fotografia tradicional era um fardo considerável para os fotógrafos que trabalhavam em localidades distantes - como correspondentes de órgãos de imprensa - sem acesso às instalações de produção. Com o aumento da competição com a televisão, houve um aumento na urgência para se transferir imagens aos jornais mais rapidamente.
 

Surgiu, então, o sensor de CCD que substitui o filme nas câmeras digitais. Em 1990 a Kodak lançou o DCS 100, a primeira câmera digital comercialmente disponível. Seu custo impediu o uso em fotojornalismo e em aplicações profissionais, mas a fotografia digital surgiu neste momento.

Em 10 anos, as câmeras digitais se tornaram produtos de consumo, e estão, de modo irreversível, substituindo gradualmente suas equivalentes tradicionais em muitas aplicações, pois o preço dos componentes eletrônicos cai e a qualidade da imagem melhora.

Finalmente e com a popularização da fotografia digital, surgiram páginas da Internet especializadas em armazenar fotografias. Desse modo, suas imagens podem ser vistas por qualquer pessoa do planeta que acesse a rede. Elas ficam organizadas por pastas e podem ser separadas por assuntos a livre escolha.

Mas a pergunta que me faço, numa paródia ao poema da Cecília Meirelles, é: a foto me repete – ou me responde?



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