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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Roubaram as uvas de Bordeaux!

Agora “eles” pegaram pesado: furto de uvas vitivinícolas! Sim, senhores: a Revue du Vin de France desta semana, informa que a polícia da Gironde, na região de Bordeaux, está investigando uma série de furtos que já somam 6,5 toneladas de castas nobres!


 

Segundo, ainda, o jornal Le Monde, esses traficantes estariam vendendo essas uvas surrupiadas dos grandes châteaux para pequenos produtores da região que tiveram a colheita deste ano prejudicada pelas condições climáticas adversas... ou seja, um Robin Wood francês!

Aliás, roubar e falsificar vinhos vem de longe. Na categoria  roubar , por exemplo, os nazistas alemães pilharam centenas de caves e adegas francesas durante a ocupação dos anos 40. E falsificações não são recentes, sendo a mais célebre a que ocorreu há de 34 anos, quando uma garrafa de Château Lafite safra 1787, que teria pertencido a Thomas Jefferson,  foi a leilão e foi comprada por Malcoln Forbes por 105 mil libras! Sucede que outro biolonário – Bill Koch – que também havia comprado algumas garrafas da mesma procedência,  passou a suspeitar dessa história e descobriu que elas não pertenceram ao ex-presidente americano (parece que até a marca Th.J. nas garrafas foi feita com ferramentas modernas...). O caso corre até hoje na justiça americana.


 Lafite 1787

Mas por falar em Château Lafite vou repetir uma história (verdadeira), porque ela é tão deliciosa que vale a reedição. Ela me foi contada pelo mestre em histórias de pratos consagrados (e vinhos), J.A. Dias Lopes. Vamos lá: uma noite, no sofisticado restaurante Zafferano, no centro de Londres (Belgravia), chegou um elegante senhor – como era português, vamos batizá-lo de seu Manuel —  para jantar na mesa que reservara para dois.

Chamou o sommelier e pediu a carta de vinhos, comentando: “fiz um ótimo negócio com um cliente, que convidei para vir jantar e quero proporcionar-lhe um jantar inesquecível!” O profissional há de ter pensado (maravilha!) e ficou aguardando o comando. Nisso o nosso bom seu Manuel apontou o dedo para um Château Lafite Rosthschild (Premier Cru – 1982).


 Lafite 1982

Nesse ínterim, chega o convidado, um irlandês. O sommelier vai até a adega e vem de lá todo pimpão com a garrafa do precioso néctar e, como manda o figurino, com a rolha na bandejinha de prata. Seu Manuel pega a garrafa, examina o rótulo, o lettering e passa a examinar a rolha. Pega a cortiça com a mão direita, entre o polegar e o indicador, aperta um pouco, gira, olha de cima e exclama (obviamente em inglês): “esse vinho é falso”. Silêncio. O sommelier (também inglês) mantém-se impávido com um almirante de Sua Majestade que visse surgir Napoleão remando num bote em pleno oceano.

Como convém em restaurantes de classe, nada de bate-boca. O sommelier simplesmente disse: “well, o senhor quer escolher outro”? Ao que o nosso personagem respondeu que sim e voltou a examinar a carta (que tinha ficado sobre a mesa) e escolheu um Château Margaux 1970. Veio a garrafa, do mesmo modo que a primeira. Seu Manuel repetiu o mesmo tipo de investigação e proclamou, após prova-lo: “este está excelente!”

O irlandês saiu então da sua perplexidade e perguntou ao lusitano:` ”e como vc descobriu que este Lafite é falso”? E seu Manuel: “porque eu sou fabricante de rolhas no Alentejo e nunca vendi uma única rolha para a Maison Lafite Rosthschild. E a rolha daquele vinho era de sobreiros meus — reutilizada”!

Enviada a garrafa e rolha para a Maison Lafite Rothschild, em Bordeaux, veio dias depois o laudo: SIM, este não é um Lafite 1982. Ele foi adulterado.

Esse fato, rigorosamente verídico, serviu para desbaratar uma máfia  composta por garçons, sommeliers, etc, que vendiam garrafas desse vinhos de milhares de dólares para “alquimistas” que os reengarrafavam,  às vezes com o mesmo vinho mas de safras muito menos valorizadas, ou de vinhos similares, mas da segunda e terceira linha da mesma vinícola, na certeza que é muito raro alguém não profissional pedir um vinho top de linha desses (haut de gamme) em um restaurante e contestar a safra indicada na garrafa.

Mas às vezes dá zebra!

 



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