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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Viajar depois de vacinado...

Sim, uma boa pergunta para quem tem o privilégio de poder viajar (de avião) é: imagine que a vacina contra a Covid19 já está disponível (acho que ainda este ano) e você já tomou as duas doses.

Para onde você iria?

(Eu) se for no Brasil, Curitiba, ver a minha gente de lá. Se for para o exterior – Londres. Ver a minha gente de lá. E curtir a minha atual cidade preferida.

 foto: cachorros na fila

Uma cidade que se supera sempre que precisa. Foi assim na virada do século XIX, quando venceu a imundície das periferias; foi assim no pós-Segunda Guerra, quando se reconstruiu (a cidade e a alma do povo, bombardeadas dia e noite); foi assim quando decidiu despoluir o Tâmisa, nos anos 60 — hoje um dos rios urbanos mais limpos do mundo. E foi assim quando tomou providências (estímulo fiscal, mídia e vontade municipal) para desmentir a “boutade” do Eça de Queiroz: o inglês é um gajo que se veste bem — para comer mal

 Tâmisa

Tanto que de exemplo de má gastronomia até os anos 90 (com as honrosas exceções como os centenários Rules – especialidade: caça e o Simpson`s-in-the- Strand – especialidade: carneiro), Londres é hoje uma diversificada praça de alimentação que vai dos estrelados, aos mais simples, passando pelos gastropubs – estes últimos com ótimos preços. Vou ser, inclusive, audaz: de certa forma, a “mesa londrina” é mais curiosa do que a de Paris. Porque lá, para você achar um rótulo de vinho não-francês na “carte” ou um prato estrangeiro – tem que ir a um restaurante estrangeiro ou temático.

Em Londres, não. Na maioria dos restaurantes – ou nos citados  gastropubs -- você bebe um Malbec argentino, um Carmenère chileno ou…um espumante brasileiro (patrioticamente não vou mencionar qual) ao lado de um bom Bordeaux, Brunello, australiano, neozelandês, espanhol ou português.

E come uma comida contemporânea, elaborada por cozinheiros do mundo inteiro.

Sem falar nas refeições ou compras gourmets nas grandes lojas de departamento. Aliás, quem for a Londres e não visitar (como quem vai a um museu) o Harrods e o Fortum & Mason, por favor me cumprimente de longe! No F&M, então, você participa de um show de elegância e bom gosto: atendentes de casaca (mas sem gravata branca), ilhas de peixes e crustáceos, caviar, embutidos, frios, queijos, ovos, vinhos (um andar inteiro) e embalagens vitorianas para chocolates, biscoitos, frutas secas e, enfim, tudo o que uma deli de luxo apresenta. A preços razoabilíssimos.

 foto: Fortnum and Mason

E mais: além dos parques, jardins, museus, monumentos, há o transporte público. Excelente. Os 150 anos do metrô londrino estão sendo comemorados, inclusive dentro dos próprios. Nas paredes que ladeiam as imensas escadas rolantes, painéis com fotos interativas do frequentador-típico (?) loura, hippie, executivo, lorde, etc, piscam e viram o rosto à medida que você passa por eles. E vários anúncios de jornais usam o gancho para valorizar seus produtos e serviços.

Um gole de história. Londres foi fundada no ano 43 da nossa era, pelos romanos. Chamava-se Londinium e a já no século II, tornou-se a capital da província Romana Britânica. A cidade, nessa época, era cercada por uma muralha onde hoje se localiza a City e a sua população andava à volta de 50.000 habitantes. Mas pelo menos desde o século XIX, o nome Londres se refere à metrópole desenvolvida em torno desse núcleo que, hoje, abriga a sede de mais de 100 das 500 maiores empresas da Europa. É, também – e ainda — um dos maiores centros financeiros do planeta.

 mapa do metrô de Londres

E tudo isso sem deixar de ser amável, cordial. Ah, sim, e uma metáfora para finalizar. Na Maison du Chocolat, o grande sucesso é um sorvete de caramelo ... com sal do Himalaia.

Mais “melting-pot” de um povo que faz da diversidade a sua convergência – impossível!

 



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