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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

N.Sra. também fala português (1)

Além disso, e com todo o respeito, acho que N. Sra. gosta do mês de outubro e do número 7. Se não, vejamos: a sua primeira aparição (pelo menos no eixo Brasil-Portugal) foi na segunda quinzena de outubro de 1717,  nas águas do Rio Paraíba, em São Paulo (donde N.Sra. Aparecida). E, a última, em 17 de outubro de 1917, na Cova da Iria, em Portugal. Aliás foi a última aparição de Maria para os humanos, segundo o Vaticano.

Primeira foto: a multidão em 17/10/1917


 a multidão na Cova da Iria - foto rara publicada no dia seguinte por um jornal de Lisboa

Detalhe: devido ao fato dos pastorinhos terem revelado à vizinhança e comentado “com toda gente” que a Virgem Maria iria fazer um milagre neste dia, (eles a tinha visto nesse ano, mensalmente, desde o 13 de maio) a notícia se espalhou de boca em boca e estavam presentes na Cova da Iria, desde o amanhecer desse 17, cerca de 50 mil pessoas, segundo os relatos da época. E chovia torrencialmente, mas a multidão aguardava com paciência e fé junto às três crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), nos terrenos enlameados da serra. O resto nós sabemos: Ela surgiu, disse ser a N. Sra, do Rosário, pediu que orassem o terço, revelou três segredos e pediu que construíssem uma capela em sua homenagem.

Parou de chover e viu-se o sol.

Hoje, Ela é cultuada por mais de 270 milhões de fiéis que compõem a Comunidade de Povos de Língua Portuguesa e tornou-se uma embaixadora informal da lusofonia. Mas este ano, pelas razões que todos conhecem, o Santuário em Ourém (Santarém) esteve vazio neste 13 de maio, se comparado às cerca de 300 mil pessoa que participam todos os anos. Vejamos como será este 17 de outubro?

Para finalizar, uma curiosidade: todos sabem que é imensa a sua legião de devotos no Brasil, mas poucos sabem que a primeira igreja inteiramente dedicada a ela em nosso país foi construída em Brasília, em 1958, por D. Sarah Kubistcheck, em agradecimento à promessa feita pela cura de sua filha Márcia que sofria há muito de severas dores na coluna. O projeto muito bonito do Oscar Niemayer (ateu convicto) se inspirou no chapéu das freiras e é conhecido como igrejinha da 307 Sul pelos brasilienses.


 igreja em Brasília

Portugal: graças ao louvável esforço e sacrifício dos últimos governos portugueses e da sociedade civil na direção da uma significativa recuperação econômica, Portugal é, hoje, referência em inovação tecnológica, conectividade, infraestrutura rodoviária, agricultura de ponta, robótica e inteligência artificial. E qualidade de vida urbana. Com destaque, ainda, para a responsabilidade ambiental, cuja joia da coroa é a expansão dos “moinhos” de energia eólica e o reposicionamento da indústria vinícola, que refez em todas as grandes regiões produtoras o estilo de plantio, colheita e elaboração. O vinho branco português é atualmente a grande novidade no mapa da enocultura internacional. E a gastronomia em Lisboa -- e Cascais (*) -- e no Porto se reiventa pelas mãos de chefs autorais.


 moinhos no Minho

Como remate positivo, vale registro que as caravelas que ajudaram Portugal a dar novos mundos ao mundo, segunda a feliz expressão de um pensador português, foram agora “promovidas” às fibras óticas da internet — a caravela do século XXI — que (nos) permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Porque como disse recentemente um escritor lusitano, “se os Lusíadas nos conduz por mar até a Índia, nos conduz pela história e pela língua até o DNA de nós mesmos”.

(*) Quando eu morei em Lisboa, Cascais era uma extensão da cidade, como Carcavelos, Estoril, etc. Hoje separou-se orgulhosamente e meus amigos “cascaínos (???)” ficam zangados quando eu confundo. Como os recifenses e os de Olinda: uma coisa é uma coisa, a outra é a outra...

 



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