Edição anterior (2293):
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Ed. 2293:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2293): sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Ed.2293:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Ar-condicionado? Agradeça à cerveja

Neste Carnaval de 2021 – pelo menos do Sudeste para cima, embora esteja fazendo calor no Sul – o ar-condicionado (ligado) foi muito mais usado do que confete e serpentina. E acho que cerveja, também. Donde esta homenagem a ambos.

Ar-Condiciondo. E repito o início de um artigo de há cinco anos, que abrange nossos dois “personagens”” : você gosta de ar condicionado? Então agradeça à cerveja.

O
  engenheiro alemão Carl von Lide

E isso porque para ser produzida (e apreciada com prazer), a cerveja precisa ser refrigerada, especialmente na fase de maturação, quando a sua temperatura deve ficar em torno de 0ºC. Como no verão europeu isso era praticamente impossível (embora já existissem geladeiras nos EUA desde 1866), o físico e engenheiro alemão Carl von Linde desenvolveu em 1894 -- a pedido da cervejaria Guinness, (irlandesa) -- um revolucionário método de arrefecimento que foi batizado de técnica de Linde, para a liquefação de grandes quantidades de ar.

Resumindo, essa técnica recorreu ao princípio da contra-corrência, através do qual o ar é sugado para uma máquina que o irá comprimir, pré-arrefecer e, por fim, descomprimir. Hoje, aperfeiçoados, os ares-condicionados são compostos por um condensador, um evaporador, um ventilador, além de um conjunto de serpentinas resfriadas dentro do aparelho por uma substância -- R-22, à base de cloro, flúor e carbono. O ar sugado do ambiente passa pelo condensador, que promove a troca do calor pelo frio, percorre esse circuito das serpentinas e é “expulso” , já refrigerado, para o ambiente externo.  

Cerveja. Além de “mãe” do ar-condicionado, cerveja também é cultura. Shakespeare, por exemplo,  faz 14 menções à palavra “ale” e cita cinco vezes a palavra “beer” ao longo de sua obra teatral (cerca de 40 peças).

O que nos leva a duas conclusões: uma é que no tempo de Shakespeare – ele viveu de 1564 a 1616 – a cerveja já era uma bebida muito popular no Reino Unido e, a outra, é que além de gênio, o bardo de Stratford-Upon-Avon  gostava de uma “amarga” (*) quase que hereditariamente. O pai dele era o mais próspero comerciante de “ales” da região.

Um gole de história: a cerveja é provavelmente proveniente da Mesopotâmia (talvez mais precisamente da Suméria, atual Iraque), mas foi no antigo Egito que ela iniciou a sua carreira de sucesso universal. Inscrições em hieróglifos de mais de 3 mil anos a.C. testemunham o gosto daquele povo às margens do Nilo pela henket e pela zythum (**). E, curiosamente e por conta do movimento pendular da história, as cervejas eram totalmente artesanais.


 Duas egípcias produzindo cerveja

De lá, correu mundo. E os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.


 A deusa Ceres

Sim, mas o que é a cerveja, afinal? É o resultado da fermentação alcoólica do mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  Outro ingrediente muito importante é o lúpulo, uma trepadeira de origem europeia que muito embora tenha parentesco com a maconha,  não possui propriedades entorpecentes.

Além do lúpulo, dezenas de estirpes de fermentos naturais, ou cultivados, são usados pelos cervejeiros, o que resulta nas duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus,  porque estupidamente gelado só chope. E chope é a versão “primo de bermuda” dessa nobre irmã do vinho, tão nobre e antiga quanto ele.


 Cerveja é muito diurética e essa pérola do humor inglês transporta para esses totós a disciplina de esperar a sua vez... nos pubs!

(*) A adição do lúpulo à fórmula da cerveja, introduzida pelos monges nos anos 700 d.C., serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse. 

(**) A henket era um cerveja suave, com pouco álcool, e cujo aroma lembra camomila e sândalo. Já a zythum ou zythos, apreciada por todas as camadas sociais, significa em grego “vinho de cevada”. E teve tal importância que zitologia é o estudo da cerveja, como enologia é o estudo do vinho.

 


 



Edição anterior (2293):
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Ed. 2293:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2293): sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Ed.2293:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior