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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

Significado e Significante
Aproveito essa aparente dualidade extraída da teoria psicanalítica do Lacan(*), segundo a qual “significado” é o conceito, o sentido que a palavra expressa, e “significante” é a sonoridade que a palavra produz, a sua interpretação cognitiva pelo “outro” (digo eu: ou como ela repercute), para ir direto a Guimarães Rosa, o mágico do português escrito e falado no Brasil (“não me casarei nem jamais, nem já-menos”).
 
Ele afirmava que há palavras que nasceram para “sofrer”, como: latrocínio, estupro, braguilha, curra ... E, outos, para serem felizes: beijo, brisa, saudade, amorzinho... Mas há, “no meio”, aquelas que transitam entre o céu e o inferno. Cachaça é uma delas. Escrita pela primeira vez, ao que parece, num texto do português Sá de Miranda, de 1558, ela  foi “a cara” do escravo, do pobre e do pinguço, durante mais de quatrocentos anos! Talvez, por isso, o dicionário Houaiss registre 420 sinônimos para a “marvada”, a “branquinha”, a “danada”, etc.
 
Na área do vinho, há o que acrescentar; ou seja, a associação com a IG, a identificação geográfica e/ou a história. Porca de Murça, por exemplo, o bom tinto português do Douro, muito popular no Brasil, deve o seu nome a esta lenda: no século VII, esse povoado Murça foi assolado por javalis, ursos e uma porca gigante, que a todos assustavam. Até que um cavaleiro de grande força e coragem conseguiu matar a fera. Mas em vez de erguerem uma estátua em sua homenagem, construíram esse monumento à Porca de Murça para lembrar à população o mal que ela causou.
 

 

Vamos adiante: lendo o estupendo  Catalago 2019 da Mistral, vou anotando essas castas de alguns países, das quais  nunca tinha sequer ouvido falar (e vocês?)
Francesas: Borniques, Aligoté,  Noirots, Combottes, Marsanne e Roussanne
Gregas: Agiorgitiko,  Xynomavro,  Assyrtiko,  Moschofilero
Portuguesas:  Avesso, Almafra, Almenhaca, Alvar, Arns Burguer, Azal,  Bastardo, Boal, Budelho, Caínho, Carão de Moça, Diagalves, Donzelinho,  Esgana Cão, Folgazão, Granho, Jampal, Larião , Pé Comprido, Ratinho,  Samarrinho,  Trajadura , Alvarelhão, Arjunção…Bastardo, Borraçal , Carrega Burros, Coração de Galo,  Malandra,  Negra Mole, Patorra, Pical, Preto Cardana,  Rabo e Anha, Ricoca, Sagrantino, Servilhão,  Zé do Telheiro
 
Iitalianas: Aglianico ,  Lagrein,  Pignolo,  Nerello,  Mascalese,  Gallioppo
Líbanesas:  Merweh e Obaideh,  cultivadas desde a época dos fenícios
Alemãs: Muller-Thurgau, Scheurebe
Austríacas:  Gruner (com til no u), Veltiner
E, para finalizar, vejam as castas mais plantadas no mundo atual (segundo artigo da Revista Adega que, por sua vez, foi transcrito do livro “Guia das Castas”, da inglesa Jancis Robinson, em 2020) e interpretem cada um/a qual ou quantas delas expressam a associação que fazemos de uma garrafa de vinho.
? Airén B (Espanha) – 423.100 ha
? Garnacha T (Espanha, França) – 317.500 ha
? Carignan T (França) – 244.330 ha
? Ugni Blanc (Trebbiano) B (França, Itália) – 203.400 ha
? Merlot T (França, Itália) – 162.200 ha
? Cabernet Sauvignon T (França, Bulgária, EUA) – 146.200 ha
? Rkatsiteli B (Geórgia, Rússia, Ucrânia, Bulgária) – 128. 600 ha
? Monastrell T (Espanha, França) 117. 800 ha
? Bobal T (Espanha) – 106.200 ha
? Tempranillo (Tinta Roriz) T (Espanha, Portugal) – 101.600 ha
? Chardonnay B (EUA, França Austrália e Itália) – 99.000 ha
? Sangiovese T (Itália, Córsega) – 98.900 ha
? Cinsault T (França, África do Sul) – 86.200 ha
? Welschriesling B (ex-Jugoslávia, Hungria e Roménia) – 76.300 ha
? Catarratto B (Itália e Sicília) – 75.400 ha
? Aligoté B (Rússia, Ucrânia, Moldova e Bulgária) – 71.800 ha
? Moscatel de Alexandria B (Espanha, Austrália, África do Sul) – 66.900 ha
? Pinot Noir T (França, Moldova, Alemanha, EUA) – 62.500 ha
? Sauvignon Blanc B (França, Moldova e Ucrânia) – 60.700 ha
? Chenin Blanc B (África do Sul, EUA, França) – 53.900 há
Como se dizia nos bons tempos  dos jornalões de muitas páginas impressas,  “cartas para a redação”
(*) Resumindo muito superficialmente, a teoria lacaniana defende que “o sujeito” é constituído pela linguagem, assim como seu inconsciente, de modo que, sem a linguagem, o inconsciente seria um vazio. De acordo com Lacan, a constituição do indivíduo surge da sua relação com o outro, através da linguagem.


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