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  Cidade

Retrospectiva: relembre os assuntos que marcaram 2018

Philippe Fernandes

O ano de 2018 foi marcado por acontecimentos em diversas áreas. Seja em temas sobre a cidade, a política, a economia ou casos de polícia, o Diário de Petrópolis procurou levar aos leitores todos os acontecimentos, dia após dia, do nosso município. Neste ano, o país viveu pontos agudos da crise política e institucional, como no período da greve dos caminhoneiros. Por outro lado, os eleitores tiveram a oportunidade de escolher o novo presidente, governadores, deputados federais e estaduais, marcando um novo ciclo para o país. A retomada da economia deu, neste ano, seus primeiros sinais, com saldo positivo na geração de empregos inclusive em Petrópolis. Confira os principais destaques deste ano.

 

Um ano de crimes chocantes

 CÂMERA de segurança flagrou a ação da filha que assassinou friamente a mãe

Petrópolis teve mais de 9 mil registros de ocorrência em 2018, mas alguns casos ficaram marcados

Entre janeiro e novembro de 2018, as delegacias policiais de Petrópolis receberam 9.222 registros de ocorrência. No entanto, alguns casos de violência ficaram marcados e chocaram a cidade.

O crime que mais gerou perplexidade foi cometido por Paloma Vasconcelos, de 21 anos, no Bingen. Com o apoio do namorado, de 25, ela assassinou friamente a própria mãe, a comerciante Dircilene Botelho Garcia, de 51 anos. Paloma abraçou a mãe e usou um lenço com formol para desmaiá-la, no corredor da casa. Após arrastar a comerciante para a cama, ela, com a ajuda do namorado, aplicou uma seringa de ar para tentar gerar um estado de embolia pulmonar, além de tentar colocar um saco plástico na cabeça da vítima, com o objetivo de provocar a morte por asfixia. Um crime quase perfeito. Eles não contavam, porém, que o casal havia instalado uma câmera escondida no quarto, com o objetivo de identificar o autor dos constantes furtos de dinheiro no guarda-roupas. O equipamento registrou toda a ação. Paloma confessou o crime e se entregou.

Homem se suicida após tentar matar ex-mulher

Outro caso que chocou a cidade aconteceu no início de dezembro. Margarete de Castro Silva, de 53 anos foi baleada quatro vezes pelo ex-marido, na empresa Sette Ferro e Aço, na Estrada União e Indústria, em Nogueira - onde a vítima trabalhava como auxiliar de serviços gerais.

O gerente da empresa informou que quando chegou para abrir o estabelecimento, a funcionária e o rodoviário estavam conversando na calçada. Carlos Alberto Ramos Gonçalves, que trabalhava como motorista na Viação Cascatinha, estava uniformizado. Ele e a ex-esposa conversaram por alguns instantes e quando a porta foi aberta, a mulher entrou junto com o gerente. O rodoviário foi atrás e efetuou os disparos pelas costas da vítima. Em seguida, o motorista encostou o cano do revólver no peito e puxou o gatilho. Ele morreu na hora. A mulher resistiu, mas morreu no último dia 19, após ficar duas semanas internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Teresa.

Chacina no Fazenda Inglesa

No dia 2 de março, um duplo homicídio levou pânico a moradores da comunidade do Alto da Derrubada, no Fazenda Inglesa. As vítimas estavam em um bar da comunidade e foram surpreendidas por homens armados, que chegaram em um veículo não identificado. Bruno dos Santos, de 21 anos; e Marcos Lucas Vieira de Santa Rosa, de 22, foram assassinados a tiros enquanto estavam dentro do estabelecimento. Outros dois rapazes também ficaram feridos. No local, os agentes da PM encontraram estojos de pistola .40, um pino de cocaína, um celular da marca LG, vários fragmentos de chumbo, duas correntes e um relógio.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Polícia Civil revelaram, posteriormente, o momento em que dois policiais militares - Leonardo Fontes Neves e Max Rodrigues da Silva, que são lotados na Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro - executaram dois homens e feriram outros dois.  Policiais civis da 105ª Delegacia de Polícia de Petrópolis identificaram os policiais militares como dois dos três autores do crime.

 Motorista morto no São Sebastião

No início de outubro, o rodoviário Edson Carlos Maximiniano, de 54 anos, foi executado com vários tiros no rosto quando saía para o trabalho, no São Sebastião. Ele era pai de um homem que foi preso dias antes com tonéis de drogas e material para endolação de cocaína, e teria sido vítima de vingança. Zezão, como era conhecido, estava acompanhado da esposa, de 44 anos, a caminho da empresa onde trabalhava, na Rua Coronel Veiga. Por volta das 3h30 da manhã, o carro que dirigia, um Fusca vermelho, foi cercado pelos assassinos, instantes depois de sair de casa. A mulher não foi ferida.

Um ano agitado na política

Jair Bolsonaro teve votação avassaladora na cidade, seu grupo político venceu outras disputas

Em outubro, os brasileiros foram às urnas para escolher presidente, governadores, deputados estaduais e federais. E a onda conservadora que levou Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto também se refletiu em Petrópolis: na cidade, o presidente eleito teve 62,44% dos votos válidos no primeiro turno e 74,20% no segundo turno.

No Estado, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) surpreendeu e venceu a disputa para o Governo. Witzel desbancou o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), considerado favorito durante toda a disputa. Os dois candidatos apoiados pelo bolsonarismo também venceram a disputa para o Senado: Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD).

O PSL elegeu a maior bancada da Alerj (13 cadeiras) e fez 12 deputados federais no Estado. O deputado federal mais votado de Petrópolis é do partido: Daniel Silveira obteve 21.501 dos seus 31.789 votos em Petrópolis. Com base eleitoral na cidade, Hugo Leal (PSD) foi reeleito, com 14.868 dos 63.561 dos seus votos na cidade.

Na disputa por vaga na Alerj, o PSL também mostrou força: Rodrigo Amorim, deputado mais votado do Estado, teve 14.075 votos  em Petrópolis, ficando atrás no município apenas de Rubens Bomtempo (do PSB, com 22.191 aqui e 23.670 no total do Estado) e Gilda Beatriz (MDB), (14.537 em Petrópolis e 16.834 em todo o Estado). Entre os candidatos com base eleitoral na cidade, o único que se elegeu foi Marcus Vinícius Neskau (PTB), com 6,2 mil dos 30 mil votos no município.

Os petropolitanos também votaram sobre a continuidade ou não da atividade turística por tração animal. E o recado foi claro: 117.113 pessoas votaram pelo fim da exploração da tração animal - 68,57% dos votos válidos. Outros 53.668 eleitores (31,34%) votaram pela continuidade da atividade. Pouco mais de 13 mil eleitores votaram em branco (4,42%) ou nulo (3,10%).

 

Mais um ano de operações e prisões

O ano também foi marcado pelas consequências de investigações que apuraram atos de corrupção. No dia 7 de abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso, após ter sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção e lavagem de dinheiro. No Rio, pela primeira vez um governador foi para a cadeia durante o seu mandato. Luiz Fernando Pezão foi detido com base nas investigações da Lava-Jato, apontando que o emedebista sucedeu a liderança da organização criminosa montada por Sérgio Cabral.

Além disso, tiveram prisão decretada no final de novembro os deputados estaduais Marcus Vinícius Neskau (PTB); André Correa (DEM); Chiquinho da Mangueira (PSC); Coronel Jairo (MDB); Luiz Martins (PDT); Marcelo Simão (PP); Marcos Abrahão (Avante); Paulo Melo (MDB); Edson Albertassi (MDB) e Jorge Picciani (MDB); além do deputado federal eleito Vinícius Farah (MDB). Nos casos de Albertassi, Melo e Picciani, foram expedidas novas ordens de prisão. Picciani está cumprindo pena domiciliar, conforme determinação judicial. Os parlamentares são suspeitos de lotearem cargos em empresas que prestavam serviços para a Alerj e para o Detran durante o segundo governo Sérgio Cabral, além de receberem propinas mensais.

Em Petrópolis, a Operação Caminho do Ouro resultou na prisão do ex-presidente da Câmara, vereador Paulo Igor (MDB) e na decretação de prisão de Luiz Eduardo da Silva, o Dudu (Patri) - que não foi localizado pelas autoridades policiais. Ambos são investigados por peculato e fraude em licitação e estão em liberdade, após conseguirem habeas corpus em setembro.

A greve que paralisou o país

Caminhoneiros cruzaram os braços no final de maio, por conta do alto preço do óleo diesel

 Filas quilométricas em postos de combustíveis se tornaram comuns em maio

No final do mês de maio, um dos sinais mais agudos da grave crise institucional vivida pelo país foi demonstrado com a greve dos caminhoneiros. Os profissionais protestaram contra as sucessivas altas no preço do óleo diesel e mostraram força, paralisando o país. Postos ficaram sem combustíveis e serviços essenciais, como o transporte público e a coleta de lixo, tiveram que funcionar de forma fracionada. O protesto teve apoio de 87% dos brasileiros à época, segundo o Datafolha.

Em Petrópolis, as consequências foram claras: em pleno início da alta temporada, as principais ruas estavam desertas, como se a cidade estivesse em período de férias. A greve derrubou os índices de ocupação hoteleira: dos 80% registrados no final de semana anterior à greve, o número caiu para 20%. Um exemplo pode ser encontrado no Sesc de Nogueira: da ocupação diária de 70% no mês, o número caiu para 10% em um dos dias de paralisação. A Rua Teresa, por sua vez, teve queda de 40% durante a greve. No Brasil, a demanda por bens industriais caiu 8,3%, a indústria recuou 10,9%; e o volume de serviços caiu 3,8%.

A paralisação foi iniciada no dia 21. Após uma corrida dos motoristas, que fizeram filas quilométricas para encher o tanque, começou a faltar gasolina e etanol nos postos. A situação só começou a ser normalizada no dia 29, quando mais postos foram abastecidos e as empresas de ônibus (que possuem tanque próprio, estavam desabastecidas e operaram de forma parcial) receberam os combustíveis.

A paralisação culminou com a demissão do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, e com as demandas dos caminhoneiros atendidas: o preço do óleo diesel foi congelado por seis meses, com redução de R$ 0,46; uma medida provisória isentou o pagamento de pedágio em caminhões com eixo suspenso (quando eles não transportam cargas); e a garantia de 30% dos fretes da Conab para os caminhoneiros autônomos. O valor dos demais combustíveis, no entanto, não teve a mesma redução.

Primeiros sinais de saída da crise econômica

Após anos de recessão, cidade voltou a ter saldo positivo na geração de empregos

Em 2018, Petrópolis ensaiou os primeiros passos de retomada da economia, após uma recessão que durou três anos. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, pela primeira vez desde 2015, o saldo de contratações foi positivo. Entre janeiro e novembro deste ano, foram contratadas 19.517 pessoas, e outras 18.860 deixaram seus postos de trabalho, gerando 657 vagas na cidade.

O setor de serviços foi o principal responsável por essa retomada. Mais de mil empregos foram gerados neste tipo de atividade: 8.926 pessoas foram contratadas, e 7.842 foram desligadas. O subsetor de serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção, foi o principal responsável pelo resultado, com a admissão de 3.467 funcionários e 238 novos postos de trabalho. O comércio e a administração de imóveis também teve bom desempenho, com 2.198 pessoas contratadas e 2.069 desligadas de seus empregos, gerando saldo positivo de 129 novas vagas.

A construção civil ainda teve saldo negativo neste ano: 1.565 pessoas foram demitidas de seus empregos, e outras 1.486 foram contratadas, o que representa dizer que 79 empregos foram fechados em onze meses de 2018. Situação semelhante viveu o comércio, um dos segmentos mais afetados pela crise econômica: 6.010 pessoas foram contratadas, mas 6.229 foram desligadas, gerando um saldo de menos 219 postos de trabalho. Apesar dos dados, no entanto, houve uma recuperação no final do ano, na preparação para o Natal: em novembro, por exemplo, 781 pessoas foram contratadas, gerando saldo positivo de 216 empregos.

A indústria da transformação ainda amarga resultados desfavoráveis: em onze meses, 3.022 pessoas deixaram seus empregos, e 2.913 foram empregadas - ou seja, 109 empregos a menos no setor. Um dos subsetores com resultado negativo foi o da indústria têxtil, com o fechamento de 191 empregos. No total do ano, 1.340 pessoas foram desligadas, e 1.149 foram admitidas em 2018. A indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, por sua vez, teve bom desempenho entre janeiro e novembro, com saldo positivo de 123 empregos (711 contratações e 588 demissões).

Os resultados seguem tendência nacional de retomada da economia. Somente no mês de novembro, foram gerados cerca de 58 mil vagas formais de trabalho, o melhor resultado para o período desde o ano de 2010.

Cai o número de vítimas no trânsito

Sala de Trauma do Hospital Santa Teresa realizou 921 atendimentos, índice 8,21% inferior ao de 2017

Dados da Sala de Trauma do Hospital Santa Teresa mostram que o número de vítimas de acidentes de trânsito caiu na cidade em 2018, na comparação com o ano passado. Entre janeiro e novembro, foram efetuados 921 atendimentos, o que representa uma média de 83 casos por mês. O número aponta para uma redução de 8,21% na comparação com o mesmo período de 2017, quando houve 1.004 atendimentos.

Em 2018, a maioria das pessoas atendidas se acidentou após casos envolvendo motocicletas (foram 448 casos, que representam 48,64% do total). Em seguida, estão pessoas que sofreram acidentes de carro (364, que somam 39,52% do número de vítimas). No ano, 109 pessoas (11,83%) foram atropeladas.

Levando em conta todos os 1.193 atendimentos realizados pela Sala de Trauma em 2018 (o que inclui outros tipos de acidente, como queda, agressão, perfuração por arma de fogo, perfuração por arma branca, corte por linha de pipa, queimadura, entre outros), a grande maioria (967, ou seja, 81,05% do total) foi levada por equipes do Corpo de Bombeiros. Outras 194 pessoas (16,26%) foram encaminhadas pelo atendimento da Concer, 96 (8,04%) foram ao hospital por meios próprios e 91 (7,62%) foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

Entre as 455 internações na Sala de Trauma entre janeiro e novembro, o cenário é parecido: 355 (78,02%) foram levadas pelo Corpo de Bombeiros. Outras 62 (13,62%) foram encaminhadas pelo Samu e 38 (8,35%) pela Concer.

Entre os acidentes graves deste ano, está a morte de Adriano Ventura, de 37 anos, que faleceu após uma colisão envolvendo um carro de passeio e uma carreta, no quilômetro 70 da BR-040, no início deste mês. Outras três pessoas ficaram feridas, sendo duas em estado grave, e uma de forma moderada.

Em outubro, outra vítima fatal foi a publicitária Priscila Vogel, de 31 anos. Ela morreu após cair no Rio Piabanha com o carro que dirigia. Filha única, a petropolitana morava no Rio de Janeiro e estava na cidade para visitar os pais.

 

 

 



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