Edição anterior (1554):
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Ed. 1554:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1554): segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Ed.1554:

Compartilhe:

Voltar:


  Artigos

O Palácio de Cristal, o Museu Imperial e a “marca” Petrópolis
 


 Ronaldo Fiani

 

Recentemente a Prefeitura de Petrópolis anunciou investimentos no Palácio de Cristal, que acaba de completar 135 anos, no montante de R$ 1,4 milhão, recursos liberados pelo Ministério do Turismo. Ainda de acordo com informações da Prefeitura, o Palácio de Cristal seria o segundo atrativo mais visitado da cidade, atrás apenas do Museu Imperial. Trata-se de uma ótima notícia, ainda mais porque o Palácio seria a única estrutura arquitetônica do tipo em atividade no mundo, o que o torna um patrimônio de valor imensurável.

Contudo, ao mesmo tempo em que se contempla o Palácio de Cristal com essa verba, o projeto de digitalização do acervo do Museu Imperial vem sofrendo com o corte de verbas de patrocínio, que está ameaçando a sua continuidade. O objetivo do projeto é contribuir para a preservação, pesquisa, difusão e gestão do acervo. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o projeto iniciado em 2010 e que contava incialmente com 12 técnicos, hoje está reduzido a apenas dois. O projeto se encontra na sua quinta fase, e sua eventual interrupção vai deixar uma grande parte do acervo ainda por ser digitalizado.

Isso pode parecer uma questão menor para o leitor, mas não é. É preciso investir na continuidade do projeto, e ampliar o seu papel na divulgação do acervo do Museu. Isto é muito importante não apenas do ponto de vista do patrimônio histórico e cultural, mas também para a economia de Petrópolis, embora a ligação não pareça, a princípio, algo evidente. Em primeiro lugar, é fundamental colocarmos em perspectiva a importância do Museu Imperial. Segundo a Folha de São Paulo em matéria publicada em 3 de setembro do ano passado, o Museu Imperial recebeu 400 mil visitantes em 2017. No mesmo período, um ano antes do incêndio que o destruiu, o Museu Nacional recebeu 192 mil pessoas, praticamente a metade.

Esses números colocam o Museu Imperial entre os maiores patrimônios culturais do país. Ocorre que patrimônios de grande importância como o Museu têm um efeito importante sobre a cidade que os abriga: eles criam o que se chama “marca de cidade”, algo parecido com o que acontece com as marcas comerciais de bens de consumo. Uma marca comercial bem-sucedida não apenas informa aos possíveis consumidores as características do produto, mas também o diferencia dos demais produtos, como sendo um produto especial.

Por exemplo, o consumidor sabe que a marca Rolex está relacionada a um relógio que se diferencia dos demais relógios, e que um carro BMW ou Mercedes-Benz se distingue dos demais automóveis. Ocorre que um fenômeno parecido acontece com as cidades. A presença de museus e de outros itens de patrimônio histórico de grande importância em uma cidade gera uma marca distinta, que torna a cidade em questão diferente das demais. Basta considerar o que seria Bilbao sem o Museu Guggenheim para tornar isto claro: sem o museu, Bilbao seria lembrada como a cidade dos atentados e da indústria decadente. Barcelona é apenas um outro exemplo de como o acervo histórico e cultural de uma cidade, quando eficientemente divulgado dinamiza sua vida econômica.

Isto porque, por um lado, uma marca de cidade diferenciada ajuda a atrair mais recursos públicos para o desenvolvimento local, pois diferencia a cidade das demais que demandam os mesmos recursos. Segundo o Diário de Petrópolis, os recursos que o Ministério do Turismo destinou ao Palácio de Cristal estão inseridos em um pacote mais amplo de recursos que Prefeitura de Petrópolis obteve, no valor de R$ 9,2 milhões, destinados também a obras de contenção, pavimentação, reforma de quadras esportivas e patrimônio histórico da cidade. Embora o acesso aos recursos tenha se tornado possível pelo esforço da prefeitura para quitar e parcelar débitos federais, sem dúvida a marca associada à cidade de Petrópolis ajudou na competição por recursos com outras cidades.

Em segundo lugar, uma imagem diferenciada de uma cidade ajuda a dinamizar seu turismo mesmo em momentos de crise. Em estudo publicado na revista The Annals of Regional Science em 2015 (Culture-led city brands as economic engines: theory and empirics), Beatriz Plaza, Pilar González-Casimiro, Paz Moral-Zuazo e Courtney Waldron mostram que durante o auge da crise global (2008-2010), a divulgação de notícias e imagens do Museu contribuiu para algo em torno de 36 a 40% das visitas de turistas domésticos e de 22 a 25% das visitas de turistas internacionais ao Museu Guggenheim de Bilbao.

Por estes dois motivos é importante divulgar imagens do Museu Imperial e de seu acervo, utilizando a imprensa e as mídias digitais para ampliar a marca da cidade de Petrópolis, diferenciando-a das demais, atraindo recursos, investimentos e visitantes para a cidade. O projeto de digitalização do Museu não apenas não pode parar, mas deve ser ampliado para ajudar a divulgar a “marca” Petrópolis.



Edição anterior (1554):
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Ed. 1554:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1554): segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Ed.1554:

Compartilhe:

Voltar:







Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior