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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

A Lei de inovação e a transformação de Petrópolis em um polo tecnológico

A Lei de Inovação de Petrópolis apresentada em outubro passado e que está sendo avaliada pela câmara municipal é a primeira no Estado do Rio. A minuta da lei, que segundo informações da própria Prefeitura foi elaborada com a ajuda do Sebrae, propõe a criação do Sistema Municipal de Inovação, do Conselho Municipal de Inovação e do Fundo Municipal de Inovação, além do selo de inovação de Petrópolis e do Plano de Sustentabilidade e de Inovação do governo municipal.

Assim, a estrutura de incentivos proposta pela Lei almeja, simultaneamente, estimular o empreendedorismo e a inovação em empresas privadas que se abrigam na cidade juntamente com a inovação na gestão municipal, buscando inserir Petrópolis no conceito de cidade inovadora. Segundo o prefeito Bernardo Rossi, a base de conhecimento técnico e científico do município, que inclui as universidades localizadas na cidade pode contribuir com projetos voltados para a administração pública.

Teremos a oportunidade de comentar mais sobre o conceito de cidade inovadora nos próximos artigos. Antes, contudo, é fundamental compreender melhor a importância desta Lei para a cidade. Também é muito importante que a aplicação da Lei se dê a partir de uma compreensão clara dos objetivos que devem nortear uma política de estímulo à inovação em Petrópolis. Vejamos cada um destes pontos: em primeiro lugar, a importância da Lei de Inovação para a economia de Petrópolis.

Petrópolis já possui uma parcela significativa de sua economia voltada para atividades tecnológicas de ponta, especialmente no setor de tecnologia de informação e comunicação. Informações da Prefeitura dão conta de 480 empresas no segmento, com um faturamento anual em torno de R$ 355 milhões, o que corresponde a aproximadamente a metade do faturamento do turismo na cidade, que é a sua atividade econômica mais evidente. Destacam-se o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que dispõe desde 2015 do Santos Dumont, o maior supercomputador da América Latina, utilizado nas áreas de energia, química, meteorologia, banco de dados e data mining, biologia e nanotecnologia, com a possibilidade de uso do supercomputador por empresas.

Outros destaques no segmento de tecnologia em Petrópolis são a empresa francesa de telecomunicações Orange, com aproximadamente 200 milhões de usuários no mundo, a empresa alemã Carl Zeiss Vision do setor de optoeletrônica, presente em mais de 40 países, e o Parque Tecnológico da Região Serrana, o Serratec, abrigando cerca de 20 empresas. Por tudo isto, a criação de uma lei de incentivo à inovação é da maior importância para multiplicar este segmento na cidade, que possui evidentemente grande potencial.

No que diz respeito à clareza dos objetivos que devem nortear a atuação das instituições que estão sendo criadas para estimular a inovação em Petrópolis, vale destacar que a Lei propõe a criação do Fundo Municipal de Inovação, que terá recursos provenientes de transferências dos governos federal e estadual, convênios, contratos, contribuições e doações de pessoas físicas e jurídicas. Assim, uma compreensão adequada da natureza dos processos que resultam em inovações é condição indispensável para que os recursos sejam aplicados de forma produtiva. Ocorre que os processos de inovação não são simples.

Não basta reunir empresas de tecnologia de ponta em uma cidade para criar um polo de inovação. O desenvolvimento de um polo de inovação bem-sucedido exige o reconhecimento de importantes sinergias que existem entre as empresas que investem em novas tecnologias, universidades que difundem novos conhecimentos e instituições públicas que apoiam as empresas e devem facilitar a comunicação entre elas e as universidades. Em outras palavras, trata-se de promover a articulação entre os agentes envolvidos na constituição do sistema local de inovação, em vez de simplesmente atrair e instalar empresas de tecnologia na cidade. Esta articulação é indispensável na aquisição, absorção e geração de novo conhecimento que possua valor econômico no mercado, condição essencial de uma inovação bem-sucedida.

Nos próximos artigos vamos aprofundar este tema, decisivo para o futuro econômico da cidade.



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