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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Como cidades inteligentes protegem seu patrimônio histórico e turístico: a experiência de Valência, na Espanha

             Temos discutido nos últimos artigos as possibilidades das novas tecnologias de informação e comunicação para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e também para o aperfeiçoamento da gestão pública. As cidades que investem nessas novas tecnologias com estes dois objetivos vêm sendo chamadas de cidades inteligentes.

Vimos no artigo do domingo passado que as novas tecnologias de informação e comunicação também têm sido usadas no planejamento do turismo, especialmente pelo exemplo da aplicação de big data em Lisboa como ferramenta para identificar as preferências dos turistas, o tipo de experiência que viveram durante suas visitas, seu deslocamento nas áreas visitadas e seu padrão de consumo. A utilização de big data permite extrair todas estas informações pois é uma tecnologia que possibilita analisar um grande volume de dados, mesmo que estejam em formatos diferentes e não sejam estruturados, com grande rapidez.

Esta análise poderia trazer informações fundamentais para o planejamento turístico em Petrópolis, que combina o chamado turismo cultural, com a visita a museus e locais históricos, com o turismo de aventura e ecológico. Estas duas atividades possuem características diferentes, que seriam identificadas com precisão pelo uso de big data.

Hoje vamos abordar uma outra possibilidade entre as novas tecnologias de informação e comunicação, que também pode ser muito importante para Petrópolis, dado o seu patrimônio histórico de grande valor cultural e turístico: a chamada internet das coisas. Na internet das coisas temos sensores e atuadores conectados à internet que podem auxiliar em várias tarefas, como, por exemplo, a conservação do patrimônio histórico, com maior eficiência e economia.

Uma experiência importante neste sentido se encontra em Valência, na Espanha, na Igreja de São Tomás e São Felipe Neri. Trata-se de uma igreja do século dezessete, declarada monumento nacional em 1982. O valor da igreja não se limita à construção: ela possui obras artísticas muito importantes, como as pinturas de Juan de Juanes, Jerônimo Jacinto de Espinosa, José Vergara e Vicente Lopez.

A conservação do acervo da igreja e da sua própria edificação impunha desafios aos órgãos responsáveis pela sua manutenção. Em primeiro lugar, pelo gênero de ameaças que podem comprometer o edifício e seu acervo, que vão desde variações de temperatura e umidade relativa a pragas como cupins. Em segundo lugar, pelo efeito cumulativo destas ameaças: como a deterioração provocada se acumula com o tempo, a detecção dos problemas logo no começo é essencial para proteger o item atacado com efetividade e baixo custo.

A solução encontrada foi instalar sensores ligados em rede à internet, sensores estes que transmitiam periodicamente dados que possibilitam identificar imediatamente alterações nocivas ao patrimônio provocadas por alterações nas condições do ambiente, infiltrações, ou o ataque de pragas como cupins.

Este sistema de sensores permitiu o monitoramento simultâneo de um grande volume de itens, evitando a necessidade da instalação de uma quantidade elevada de equipamentos para o monitoramento no local do acervo, reduzindo significativamente o custo de manutenção. Além disso, o ganho em precisão permite aos responsáveis identificar com maior precisão e rapidez os locais onde o risco de deterioração é maior. Para reduzir ainda mais os custos de manutenção, os sensores utilizam baterias que, de acordo com a tecnologia de comunicação de dados digital sem fio escolhida, podem dispensar manutenção por até 20 anos.

Por último, a disponibilização dos resultados dos sensores na internet apresenta os dados selecionados e formatados, e aciona alertas específicos de acordo com o tipo de especialista que acessa as informações: restauradores, administradores etc., ao mesmo tempo em que impede o acesso a pessoas não autorizadas. Tudo isto de forma interativa, em que o usuário pode por em ação o processo a partir da sua interface.

Os ganhos em eficiência e economia desta aplicação da internet das coisas à preservação do patrimônio histórico já foram atestados. O valor de uma tecnologia assim para a cidade, que dispõe do Palácio Quitandinha, da Catedral São Pedro de Alcântara e da Casa de Santos Dumont, entre outros, é enorme. As condições para a cidade se aproveitar destas novas tecnologias, por outro lado, estão presentes em Petrópolis, pelas empresas que aqui estão, pelo Laboratório Nacional de Computação Científica, e pelas Universidades, como a UCP e a engenharia da UFF. A Lei de Inovação, que passou em primeira discussão na Câmara dos Vereadores e aguarda emendas pode ser o instrumento para preservar também o patrimônio da cidade.



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