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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

A Importância do Centro Histórico e Suas Necessidades Críticas: a Mobilidade Urbana

Vamos tratar hoje do coração de Petrópolis, provavelmente aquilo que a diferencia de todas as demais cidades no Brasil: os conjuntos arquitetônicos do Centro da cidade, o chamado Centro Histórico. O Centro Histórico não apenas constitui o coração da cidade do ponto de vista urbano, pois faz parte do primeiro distrito, que concentra a maior parte da população; mas também é o cerne da vida administrativa e política de Petrópolis, pois nele se localizam a Prefeitura e a Câmara dos Vereadores.

Como se não bastassem estas características, o Centro Histórico também é a razão de ser do turismo cultural em Petrópolis, não apenas porque nele se encontram suas principais atrações turísticas, como o Museu Imperial, a casa de Santos Dumont e o Palácio de Cristal, mas principalmente pelos seus conjuntos arquitetônicos, vários deles tombados, não apenas na Rua do Imperador, mas também na Avenida Benjamin Constant, Rua Santos Dumont, Rua Montecaseros, Rua Paulino Afonso, Rua Visconde de Souza Franco e na Rua Dr. Sá Earp.

A própria Rua do Imperador, com seu boulevard, que caracteriza também a Avenida Koeler, juntamente com a Avenida Ipiranga e a Praça da Liberdade (denominada assim porque os escravos libertos se reuniam ali para comprar a liberdade de seus companheiros) constituem parte indispensável do roteiro de qualquer visitante. A preservação destes conjuntos arquitetônicos exige medidas urgentes em três áreas: mobilidade, segurança e conservação.

Na questão da mobilidade, cabe parabenizar a Prefeitura pela apresentação no dia 12 de abril deste ano do Plano de Mobilidade Urbana, conforme exige a Lei Federal nº 12.587 de janeiro de 2012, tendo empregado técnicos da própria Prefeitura em vez de adotar a solução fácil, porém custosa, de licitar a elaboração de um plano. Trata-se de um alentado documento de 600 páginas, voltado para os próximos 10 anos, com propostas de obras de ligação de ruas e rodovias e de intervenções no trânsito, como alterações de mãos de ruas, criação de ciclovias etc.

O sucesso do Plano, como em qualquer plano, vai depender inicialmente da qualidade das premissas adotadas, como, por exemplo, a premissa de que as vias da cidade podem atender ao fluxo de veículos sem a necessidade de alguma restrição, como é o caso do rodízio de placas que foi adotado há muito em São Paulo.

O sucesso do Plano também não está sujeito totalmente à vontade da Prefeitura, uma vez que algumas das obras indicadas envolvem outros agentes, como é o caso da ligação Bingen-Quitandinha, que depende da ANTT e da Concessionária da BR-040. Também não está claro se a Prefeitura disporá de recursos para os investimentos que elenca no Plano, mesmo que eles dependam apenas da sua decisão, o que pode afetar o atendimento dos objetivos propostos.

Todavia, independentemente do sucesso que obtenha, o Plano representa um passo importante na direção correta, que é a de planejar o crescimento da cidade, de forma a melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos e dos turistas que visitam Petrópolis. Deve-se considerar, inicialmente, que este é o primeiro plano do gênero na cidade. Assim, ainda há que aprender e aprimorar os planos seguintes.

A fundação da própria cidade em 1843 se deu a partir do planejamento do Major Koeler, mas de lá para cá boa parte do crescimento de Petrópolis aconteceu de forma caótica, sem planejamento adequado, e esta tradição de planejamento na origem da cidade foi em grande parte, perdida. Além de retomar a tradição do planejamento, conforme vimos o Plano foi elaborado com recursos humanos da própria Prefeitura, o que possui duas virtudes: em primeiro lugar, economiza em recursos escassos, considerando a alternativa muito usual na administração pública brasileira de adquirir planos e estudos de empresas privadas.

Em segundo lugar, ao utilizar os técnicos da própria Prefeitura, o Plano ajuda a criar uma cultura de planejamento da mobilidade na cidade, que tende a se consolidar e atravessar diferentes gestões. Ou seja, na medida em que a cultura do planejamento se incorpora aos técnicos da Prefeitura, a prática de planejar a mobilidade em Petrópolis deve passar a ser algo independente da gestão deste ou daquele prefeito ou partido político.

Esta continuidade do planejamento é fundamental para que os resultados venham, pois, conforme dissemos antes, há um processo de aprendizagem na elaboração dos planos: os acertos de cada plano são explorados nos planos seguintes, e os erros são corrigidos. Petrópolis ainda está no seu primeiro Plano de Mobilidade Urbana, por conseguinte, há muito ainda para evoluir e crescer neste campo.

Todavia, há mais duas necessidades críticas do Centro Histórico, que ainda não receberam a mesma atenção: segurança e preservação do patrimônio histórico. Elas serão objeto de discussão dos nossos próximos artigos.



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