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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

 

A Importância do Centro Histórico e Suas Necessidades Críticas: a Segurança

Desde o domingo passado comecei a tratar daquilo que chamei de “o coração de Petrópolis”, que diferencia a cidade de todas as demais no Brasil: os conjuntos arquitetônicos do Centro Histórico. O Centro Histórico é o cerne da vida administrativa e política de Petrópolis, seu núcleo urbano mais importante e foco da vida turística na cidade.

No artigo passado afirmei que a preservação dos conjuntos arquitetônicos que compõem o Centro Histórico exige medidas urgentes em três áreas: mobilidade, segurança e conservação. É consenso entre os que vivem ou visitam Petrópolis que hoje a qualidade de vida e a própria atividade turística no Centro Histórico estão comprometidas pela dificuldade de locomoção (especialmente em horários de pico), pelos problemas de segurança e pela má conservação de vários itens do patrimônio histórico.

Vimos no domingo passado que foi dado um passo importante para enfrentar os problemas de mobilidade no Centro Histórico (e em outros pontos importantes) com o Plano de Mobilidade Urbana. Como se trata do primeiro plano neste sentido, obviamente haverá a necessidade de correções e aperfeiçoamentos, mas o esforço de planejar a cidade, ainda mais com a utilização de quadros da própria Prefeitura (ao invés de contratar uma consultoria para elaborar o plano) contribui para consolidar uma cultura de planejamento na administração municipal, e para superar a prática comum no país: o tratamento do problema da mobilidade urbana caso a caso, sem sistematização e de forma ineficiente.

Todavia, ainda não há notícia de um esforço consistente de planejamento nas outras duas dimensões críticas do Centro Histórico: a segurança e a preservação do patrimônio histórico. Este planejamento se torna tanto mais necessário na medida em que o município vem investindo em tecnologias inteligentes voltadas para a segurança.

A Guarda Civil da cidade já dispõe de um ônibus de videomonitoramento, que vem sendo utilizado com bons resultados. Além do ônibus, há também uma central de monitoramento que, de acordo com a Prefeitura, controla 56 câmeras de monitoramento em funcionamento, que devem aumentar para um total de 80. Ainda de acordo com a Prefeitura, os pontos já monitorados se localizam na Rua Teresa, várias ruas do Centro Histórico, Mosela, Av. Ipiranga, Bingen, Quitandinha, Alto da Serra, Bonsucesso e Posse.

A Prefeitura não tem investido apenas em equipamentos para tecnologias inteligentes: as câmeras fixas deverão permitir fazer o reconhecimento facial, por meio de convênio que será feito futuramente com a Polícia Civil. Independentemente disso, A Prefeitura informa que em um ano de funcionamento, o Centro Integrado de Operações de Petrópolis (Ciop) já registrou 265 imagens de crimes ou suspeitas, 71 de ocorrências de trânsito e 126 de outras situações.

É exatamente neste ponto que entra a questão do planejamento. Esses equipamentos estão gerando um volume já significativo de dados e informações, volume este que vai crescer sem parar daqui por diante, e é preciso que esses dados sejam analisados e consolidados, de forma a auxiliar na aplicação dos recursos de segurança da cidade.

Esta análise e consolidação dos dados somente pode ser realizada a partir de um plano para a segurança da cidade, que identifique as necessidades em termos de segurança, assim como os objetivos que devem ser alcançados para que Petrópolis se torne uma cidade segura. Por si só, os dados não geram uma resposta coerente por parte dos órgãos de segurança: o planejamento deve preceder o estudo dos dados.

Este planejamento se torna tão mais necessário quando consideramos que, por segurança na cidade não devemos entender apenas segurança pública, mas tudo aquilo que pode tornar Petrópolis menos segura: violência urbana, acidentes de trânsito e outros sinistros, especialmente incêndios, que já causaram muitas vítimas na história da cidade, continuam acontecendo e pondo em risco o patrimônio do Centro Histórico. Assim, os equipamentos para tecnologias inteligentes tendem a gerar não apenas um grande volume de dados, mas dados oriundos de situações heterogêneas (roubos, assaltos, acidentes, princípio de incêndios etc.). O planejamento da segurança na cidade é necessário para dar coerência a todas estas informações, e ajudar na formulação de políticas.

Há ainda mais uma necessidade crítica do Centro Histórico, que também ainda não recebeu a devida atenção, e que está diretamente ligada ao problema da segurança, interpretado desta forma mais ampla: a preservação do patrimônio histórico. Ela será discutida no nosso próximo artigo.



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