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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Petrópolis Cidade Conectada Inteligente

Recentemente o Diário de Petrópolis noticiou a ótima classificação obtida por Petrópolis no ranking das Connected Smart Cities (Cidades Inteligentes Conectadas). Trata-se de uma classificação que analisa 70 indicadores em todas as cidades com mais de 50 mil habitantes, em 11 eixos temáticos, identificando as cidades mais inteligentes e conectadas. Os eixos temáticos envolvem: mobilidade urbana, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, economia e governança.

A listagem foi preparada para dados de 2018. No Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis obteve o 3º lugar, ficando atrás apenas de Niterói e da capital. Entre as 100 cidades avaliadas, Petrópolis conseguiu a 27ª colocação, ficando na frente de cidades como Joinville, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e Uberlândia.

Segundo a matéria, a Prefeitura vem trabalhando no levantamento das ações necessárias para ampliar e melhorar a qualidade da conectividade, além de buscar soluções tecnológicas em áreas como: mobilidade urbana, inundações e segurança pública. Ainda de acordo com a notícia, o governo municipal vem estudando projetos que utilizarão sensores em determinados pontos da cidade, sem esclarecer quais os objetivos almejados.

Vivemos nas últimas décadas um grande entusiasmo com rankings. Eles estimulam o espírito de competição, trazendo entusiasmo para quem vê a sua classificação melhorar e preocupação para aqueles que pioram seu posicionamento. Mas é sempre bom ter cuidado nas avaliações. A construção de indicadores sempre envolve algum grau de arbitrariedade, pois envolve selecionar critérios e a adoção de um critério específico pode beneficiar uma cidade em detrimento de outra.

Além disso, são 70 indicadores distribuídos desigualmente por eixo temático (apenas seis indicadores para energia, enquanto são 14 indicadores para governança): uma diferença de posição pode significar em alguns casos simplesmente uma diferença de prioridades entre as cidades.

Ainda assim, essas listas são úteis para efeitos de comparação, e o fato de que Petrópolis se encontra bem posicionada em nível nacional e em posição excelente em nível estadual é motivo para se continuar investindo no caminho da conectividade e da adoção de tecnologias inteligentes. Mas uma boa classificação é resultado de políticas adequadas, e é a análise dessas políticas que deve ser a questão. Por exemplo, a matéria afirma que uma das preocupações da Prefeitura está relacionada a tecnologias que enfrentem os “problemas relacionados a inundações”.

Ocorre que os problemas relacionados a inundações frequentemente envolvem pelo menos duas ordens de questões distintas: questões urbanísticas e ambientais, em que questões relacionadas às duas esferas se combinam e se reforçam, produzindo catástrofes. Por exemplo, com frequência nos mesmos locais onde ocorre a ocupação irregular do solo (problema urbanístico), pelo próprio caráter irregular das edificações há falta de coleta de lixo, que causa assoreamento dos rios, juntamente com queimadas que reduzem a absorção de água no solo pela destruição da vegetação, aumentando o volume de águas pluviais que chegam diretamente aos rios (problemas ambientais). Estes problemas juntos ajudam a provocar inundações.

Por tudo isto, o planejamento pode utilizar rankings como este para trazer à discussão dados novos, mas não pode se orientar apenas por indicadores que são construídos isoladamente para cada eixo temático. A interação entre diferentes fenômenos, como os que acabamos de exemplificar é comum em fenômenos sociais e deve ser considerada na formulação de políticas, e qualquer solução tecnológica inteligente deve levar em conta estas interações, como aquelas que acabamos de descrever.

 



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