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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Por Que a Economia é Importante para os Museus?

Nas últimas colunas temos chamado a atenção para a utilidade também para os museus das ferramentas que a economia oferece. Isso surpreendeu algumas pessoas, o que é compreensível. Afinal, o economista não se preocupa com lucros? A busca pelo lucro não é nociva para organizações culturais como os museus? Como atribuir preços ao serviço inestimável que o Museu Imperial presta para a identidade e a história do país? Aplicar conceitos econômicos à atividade cultural não seria perigoso? Afinal, reduzir a cultura aos lucros que ela pode produzir significa ignorar todos os benefícios que ela pode gerar, e que não podem ser expressos em valores monetários.

É importante, inicialmente, deixar claro que todas estas preocupações têm sua razão de ser, e os economistas que trabalham com a área cultural têm total clareza que as atividades culturais trazem inúmeros benefícios para a sociedade, que não podem receber expressão monetária e, desta forma, receberem o mesmo tratamento que outra atividade comercial qualquer. A cultura contribui para a formação do caráter de um país, reforça os laços coletivos e a identidade de um povo, algo que não pode ser mensurado monetariamente. Por conseguinte, não se trata aqui de atribuir preços ao serviço (sem dúvida) inestimável que o Museu Imperial presta para o país.

Não se trata também de obrigar os museus a buscar lucros como se fossem empresas privadas. A tarefa principal de um museu é divulgar seu acervo para a população, não gerar lucros. Mas esta divulgação demanda recursos para ser realizada. É aqui que começa a nossa contribuição.

Em primeiro lugar, devemos compreender que a análise econômica trata da forma pela qual os recursos são utilizados. Isso porque qualquer atividade humana emprega vários recursos (máquinas, equipamentos, energia, horas de trabalho etc.), e como os recursos são sempre disputados por várias atividades (as pessoas, por exemplo, podem trabalhar em um museu ou em uma fábrica, o capital que financia equipamentos para um museu pode financiar equipamentos para uma empresa etc.), é fundamental que os museus sejam capazes não apenas de atrair os recursos necessários, mas de utilizá-los da forma mais eficiente possível, para que não enfrentem dificuldades na competição com empresas e outras organizações pelos mesmos recursos.

Assim, face aos problemas comuns de dotação orçamentária, um economista pode ajudar a explorar outras fontes de receita, por exemplo, avaliando a sensibilidade da demanda pelas visitas ao museu a variações de preços. Da mesma forma, um economista pode ajudar no planejamento, ao perceber como a demanda pelas visitas flutua em resposta às oscilações da economia (expansões e recessões).

Por fim, embora os museus não se vejam envolvidos na competição de mercado como uma empresa, eles sofrem indiretamente a competição de outras atividades de lazer, que disputam especialmente a atenção dos jovens. Ainda que boa parte da demanda por visitas aos museus ainda seja garantida por escolas, cada vez mais os museus se veem obrigados a oferecer experiências mais amplas para garantir a renovação dos seus visitantes. Isso significa inovar, tal como o Museu Imperial fez com espetáculos como o Som e Luz e o Sarau Imperial. O economista pode ajudar nesse processo de inovação, que não é muito diferente da necessidade que uma empresa tem de inovar para expandir sua base de clientes.

Não se trata de reduzir os museus a simples empresas. Mas de ajuda-los em um mundo de recursos escassos e intensa competição causada por incessantes novidades digitais a alcançar um sucessos cada vez maior.



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