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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Museus Criativos

Tenho destacado nas últimas colunas a importância dos museus para o turismo e a economia da cidade. Não obstante shows, o comércio da Rua Teresa e outras atividades, boa parte dos 90% de taxa de ocupação dos hotéis da cidade no último fim de semana pode ser explicada pelas atrações do conjunto arquitetônico do Centro Histórico e pelos museus, como o Museu Imperial e a Casa de Santos Dumont. A vida econômica da cidade seria com certeza bem menor na ausência dos museus e do Centro Histórico, sem falar na perda de qualidade de vida dos seus habitantes.

Por isso a capacidade dos museus de atrair turistas é tão importante para Petrópolis, o que tem nos levado a escrever sobre a gestão dos museus. Neste sentido, uma pesquisa muito interessante foi publicada em artigo no periódico britânico Journal of Travel & Tourism Marketing, volume 36, n. 2 deste ano. O artigo de autoria de Carmen Camarero, María-José Garrido e Eva Vicente da Universidade de Valladolid, na Espanha, se intitula Does it pay off for museums to foster creativity? The complementary effect of innovative visitor experiences (Compensa para os museus promover a criatividade? O efeito complementar das experiências inovadoras dos visitantes).

O leitor talvez tenha se surpreendido com um artigo que aborde criatividade em museus. Afinal, a ideia que muitas vezes se tem de um museu é de algo estático cheio de coisas “velhas”, ou de uma coleção ilustre e intocada de obras de arte. Alguma coisa, de alguma forma, congelada no tempo. Nada mais distante da realidade de um museu bem administrado. Museus são fontes de pesquisas que geram novos conhecimentos, e pelas obras de arte que contém podem estimular a criatividade de seus visitantes, e mesmo o seu empreendedorismo, fornecendo novas ideias para produtos e serviços. Em termos mais técnicos, museus guardam o chamado capital criativo.

Vou ilustrar o que estou querendo dizer com um exemplo concreto. Durante uma visita ao Museu Britânico no início dos anos 2000 observei que alguns pais tinham colocado seus filhos pequenos no chão com papel e lápis de cor, e os pequenos estavam ocupados desenhando uma estátua de um faraó do Egito antigo. De forma espontânea e não planejada, o museu estava desenvolvendo a criatividade das crianças, apresentando um padrão estético (da estátua) diferente daquele ao qual elas estavam acostumadas na sua vida cotidiana. Aquelas crianças, hoje jovens, têm mais chances de se tornarem designers, projetistas, artistas ou empresários criativos, porque foram estimuladas a desenvolver sua criatividade com ideias e padrões estéticos e culturais diferentes.

Mas o que significa exatamente um museu ser “criativo”? Camarero, Garrido e Vicente explicam que criatividade envolve gerar novas ideias, por meio da difusão de ideias que já existem, sua combinação e transformação em algo novo que possua valor para a sociedade. Ou seja, criatividade é base para a inovação, que move a sociedade moderna. Como os museus são guardiões de ideias, histórias e conceitos, eles podem agir como fonte de criatividade e, assim, de inovação.

Como os museus podem estimular a criatividade dos visitantes? Aqui Camarero, Garrido e Vicente trazem informações muito importantes. Em primeiro lugar, não é necessário adotar uma tecnologia sofisticada para estimular a criatividade de seus visitantes. Elas não encontraram um efeito positivo significativo entre o emprego de tecnologia sofisticada por parte dos museus e o número de visitas. Mas acharam um vínculo claro entre o volume de visitas e a capacidade do museu de fornecer uma experiência criativa aos seus visitantes, especialmente quando o museu oferece uma experiência interativa aos seus visitantes. A chave está na participação do visitante. Além disso, o efeito positivo da criatividade sobre o volume de visitas acaba facilitando também o acesso do museu a doações e recursos financeiros, reforçando os benefícios do estímulo à criatividade.

Assim, o sucesso de espetáculos como o Sarau Imperial no Museu Imperial, com a participação do visitante e sua inserção em um contexto histórico, não é um acidente: corresponde a uma tendência internacional.



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