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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Qual é o Retorno do Investimento em um Museu?

Tenho insistido que museus e locais históricos como o Centro de Petrópolis são ativos econômicos muito importantes, gerando lucros significativos para a cidade. Contudo, alguns têm me perguntado que evidências posso apresentar deste fato. Trata-se de uma dúvida justificada, uma vez que qualquer afirmação de natureza econômica deve estar embasada em números que forneçam alguma comprovação daquilo que está sendo dito. Infelizmente, não há nenhum estudo aqui que procure avaliar o impacto econômico de um museu na vida de uma cidade.

Contudo, mesmo sem um estudo deste tipo no Brasil, é possível usar um caso internacional para ilustrar este impacto. Ainda que cada caso tenha suas peculiaridades, dentro de certos limites é possível fazer comparações. Assim, vou retomar e aprofundar o caso do museu Guggenheim em Bilbao na Espanha. Veremos que há semelhanças importantes entre este caso a cidade de Petrópolis.

Bilbao é uma cidade no norte da Espanha, nos País Basco, com população em 2019 estimada em torno de 350 mil habitantes, muito semelhante à população de Petrópolis, pouco superior a 300 mil habitantes. Assim como Petrópolis, Bilbao já teve uma forte vocação industrial, possuindo uma indústria naval desenvolvida que entrou em crise nos anos 1970 e 1980 (um pouco antes da crise na indústria petropolitana), o que motivou a reformulação de Bilbao na direção de uma cidade voltada para a cultura e os serviços.

O passo fundamental nessa transformação de Bilbao foi a abertura do museu Guggenheim em outubro de 1997. A arquitetura do museu foi assinada por Frank Gehry, internacionalmente aclamado arquiteto americano-canadense. Foi uma dos primeiras expansões internacionais do museu Solomon R. Guggenheim original de Nova York.

Os cálculos do impacto econômico do Guggenheim de Bilbao e do retorno do investimento no projeto foram apresentados por Beatriz Plaza em seu artigo The Return on Investment of the Guggenheim Museu Bilbao (O Retorno do Investimento do Museu Guggenheim Bilbao), publicado no volume 30.2 do International Journal of Urban and Regional Research, de junho de 2006. Um dos primeiros números apresentados é impressionante: entre outubro 1997 e dezembro 2004 nada menos do que 7 milhões de pessoas visitaram o museu em Bilbao. Da mesma forma, o museu aumentou os pernoites na cidade em mais de 740 mil, o dobro da população local. Apesar de elevados, esses números não surpreendem, dada a importância internacional da marca Guggenheim.

Porém, o artigo também traz uma estimativa muito interessante do retorno do investimento no próprio museu. Como explica Beatriz Plaza, museus geram efeitos positivos para as cidades, na forma de fluxos adicionais de turistas que movimentam as economias locais. Mesmo assim, é interessante conhecer o retorno que um museu pode oferecer diretamente ao investimento que é feito nele.

Para o cálculo do retorno do investimento no museu, Beatriz Plaza considerou os 159 milhões de euros investidos pelo Tesouro Público do País Basco na construção, cobertura dos custos de instalação, aquisição de acervo e licenciamento de 20 anos da marca Guggenheim, assim como a remuneração (bastante elevada) de Frank Gehry pelo projeto do museu. A uma taxa de desconto de 8% ao ano, mais conservadora (os países europeus normalmente usavam taxas entre 5% e 8% no período), o investimento inicial foi recuperado 9 anos após a inauguração, o que é um prazo excelente para este tipo de investimento. A taxa de retorno sobre o investimento (ROI) encontrada por Beatriz Plaza para o Guggenheim de Bilbao foi de 15,7% sem incluir a aquisição do acervo permanente, e de 10,9% incluindo a aquisição do acervo permanente.

Sem dúvida, são ótimos resultados para este tipo de investimento. Mas o que estes números indicam para os museus de Petrópolis? Ainda que o Museu Imperial e nossos demais museus não possuam a força internacional da marca Guggenheim para atrair visitantes, os investimentos na construção e estabelecimento dos museus de Petrópolis, assim como na aquisição da maior parte de seus acervos já se encontram amortizados há muito tempo, ao contrário do Guggenheim de Bilbao. Isso para não mencionar que aqui não há pagamento a arquiteto internacionalmente famoso a ser deduzido do retorno sobre o investimento. Por conseguinte, a taxa de retorno dos nossos museus pode vir a superar os valores encontrados por Beatriz Plaza para o Guggenheim de Bilbao. Infelizmente, a taxa de retorno dos museus de Petrópolis ainda não foi calculada. Mas o caso do Guggenheim de Bilbao mostra que o retorno potencial dos museus de Petrópolis, sem dúvida, é grande.



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