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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Mapeando os Recursos de Petrópolis para a Recuperação da Pandemia

A teoria econômica moderna que analisa empresas e mercados afirma que o sucesso competitivo de uma empresa depende, em grande medida, do emprego de recursos que não podem ser imitados ou copiados por outras empresas. Se uma empresa hipotética emprega na sua atividade recursos que outras empresas conseguem obter ou copiar a baixo custo, as demais empresas poderão produzir os mesmos bens e serviços que a empresa hipotética, aos mesmos custos. Em função disso, a concorrência com a empresa hipotética será tão intensa que esta última terá de reduzir seus preços e seus lucros para sobreviver.

Já se a hipotética empresa que estamos considerando possui recursos que não podem ser copiados, ou adquiridos de algum fornecedor a baixo custo, ela vai desfrutar de uma posição confortável, pois não haverá concorrência significativa, já que ninguém consegue oferecer os mesmos produtos aos mesmos custos. Por conseguinte, a nossa hipotética empresa não precisará reduzir seus preços e seus lucros para sobreviver. Assim, o futuro de uma empresa depende, entre outras coisas, do tipo de recursos que a empresa dispõe para produzir: quanto mais específicos à empresa forem esses recursos, maiores os ganhos.

Na verdade, esta é uma regra que pode ser generalizada para além da realidade das empresas: bens e serviços produzidos com recursos específicos (que não podem ser imitados) geram ganhos significativamente maiores do que produtos que podem ser oferecidos por qualquer um, em qualquer lugar. Ocorre que o turismo que movimenta boa parte da economia de Petrópolis é um desses serviços que emprega recursos específicos, ou seja, recursos que não podem ser imitados, ou adquiridos por outras cidades. Esses recursos são os nossos museus.

Com efeito, o Museu Imperial, o Palácio Rio Negro, a Casa de Santos Dumont etc., não podem ser imitados como atração turística por outras cidades. Dito de maneira mais simples (apesar das peculiaridades de cada uma), há muitas praias, há muitas trilhas para mountain bike, mas há apenas uma coroa de D. Pedro II. Os nossos museus conferem à Petrópolis recursos únicos e inimitáveis para a atração de turistas à cidade.

Assim, a recuperação do turismo na cidade pós-pandemia e a recuperação da própria economia de Petrópolis que o turismo ajuda a movimentar dependerão em grande medida de um conjunto de fatores. Em primeiro lugar, da implantação de um conjunto de protocolos de segurança, que assegure a proteção do visitante e a qualidade da visita aos museus da cidade, para que a retomada da atividade turística não seja prejudicada, mesmo com a flexibilização das restrições sociais.

Em segundo lugar, a recuperação do turismo na cidade depende da retomada, com protocolos de segurança, daquelas atividades que expandem e aprofundam a experiência da visita aos museus, como o Som e Luz e o Sarau Imperial. Superada a pandemia, essas atividades devem ser ampliadas e incorporadas aos outros museus da cidade, como forma de incentivar o turismo para além de uma observação estática (e geralmente pouco estimulante) dos acervos dos nossos museus.

Em terceiro e último lugar, a recuperação do turismo na cidade depende da ampliação do público dos nossos museus pela incorporação da tecnologia de informação e comunicação, por exemplo, com o desenvolvimento de aplicativos para celulares que proporcionem visitas virtuais aos museus e contato com o seu acervo no ciberespaço, conforme mencionei no artigo do último domingo.

Neste último caso, é sempre bom lembrar que Petrópolis possui um polo de tecnologia, com empresas capacitadas a desenvolver estas ferramentas para o ciberespaço. Por sinal, o subsetor de serviços de tecnologia da informação e comunicação foi um dos que apresentou a menor queda em abril: apenas -1,1%, enquanto que as atividades turísticas viram o seu volume sofrer uma variação no mesmo mês de nada menos do que -54,5%! Assim, o subsetor de de serviços de tecnologia da informação pode ser um outro motor de recuperação da economia petropolitana.

Pode-se formar um mecanismo de crescimento virtuoso na cidade, unindo museus, turismo e tecnologia. É só mapear os recursos de que a cidade dispõe, e olhar para a frente.



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