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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

A Gestão da Crise da Covid-19 e a Retomada em Petrópolis: O Caso dos Ônibus Intermunicipais e Interestaduais

A discussão da retomada das atividades em Petrópolis deve naturalmente ser precedida de uma avaliação do avanço da pandemia da Covid-19 na cidade. Três meses depois da adoção de medidas de isolamento social, a situação da doença em Petrópolis se mostra relativamente controlada.

Esta avaliação se baseia em algumas características da doença e em alguns dados. Em primeiro lugar, no que diz respeito às características da doença temos a taxa de mortalidade, ou seja, o número de óbitos em proporção aos contaminados. Essa taxa varia muito de país para país, dependendo, entre outras coisas, das características da população e de seus hábitos. Assim, na Itália, que possui uma elevada proporção de idosos na população total e hábitos de contatos sociais amplos e frequentes, a mortalidade atingiu 14%, enquanto que na Islândia, onde os contados sociais são mais raros e restritos, a taxa não passou de 0,5%.

Em Petrópolis a taxa de mortalidade tem oscilado em torno de 8%, ou seja, de cada 100 infectados, infelizmente 8 doentes vêm a óbito, em média. Trata-se de uma taxa mais elevada do que aquela normalmente esperada, mas, ainda assim, mais reduzida do que aquela verificada em países onde a crise foi mais grave, como na Itália, que acabamos de citar.

Além disso, como não estão sendo realizados testes em massa na cidade, é bastante possível que o número de infectados esteja subnotificado e, portanto, a taxa de mortalidade seja na realidade menor do que tem sido noticiado. Seja como for, salvo casos mais graves como a Itália e a Espanha, a taxa de mortalidade da Covid-19 é bem mais reduzida do que de outras epidemias famosas, como a gripe espanhola, que pode ter alcançado no início do século XX uma taxa de mortalidade global entre 10% e 20%.

Além disso, e de forma importante, a questão não está apenas na demanda que a doença gera para os serviços de saúde, mas também na oferta desses serviços. Com efeito, a redução na velocidade de propagação da doença e no crescimento no número de casos necessitando internação, proporcionados por medidas de higiene e prevenção dão tempo ao sistema de saúde para expandir o número de leitos e se adaptar às necessidades geradas pela doença, o que diminui a necessidade das restrições às atividades econômicas.

Dito de outra maneira, a expansão do número de leitos face à necessidade de internações pela pandemia reduz a necessidade de restrições à interação social, por intermédio de limitações às atividades econômicas. Nesse aspecto, Petrópolis parece estar em uma situação bastante confortável. Dados publicados no Diário de Petrópolis dia 23 de junho dão conta de uma taxa de ocupação de leitos clínicos do SUS de 19,6% e de ocupação de leitos de UTI também do SUS de 27,6%.

Olhando comparativamente, são taxas muito reduzidas, o que aponta para uma expansão dos leitos disponíveis para pacientes com Covid-19 em Petrópolis bastante adequada, face ao crescimento do número de infectados na cidade. Para se ter uma ideia, algumas grandes cidades no país apresentam taxa de ocupação dos leitos de UTI que ultrapassa os 80% (Curitiba teria 100% dos leitos de UTI ocupados, enquanto em Belo Horizonte o índice de ocupação teria alcançado 85%).

Esses números sinalizam a possibilidade de retomada da atividade econômica na cidade, desde que, obviamente, sejam respeitados os protocolos de higiene e segurança nestas atividades. Isso inclui as viagens intermunicipais e interestaduais, essenciais para a retomada do comércio e do turismo na cidade.

Essas viagens podem ser retomadas com medidas de precaução, como redução no número de horários, restrições aos bilhetes que podem ser vendidos em cada horário (por exemplo, limitando-se a uma passagem em cada banco com dois lugares em bancos alternados), com a adoção da obrigatoriedade do uso de máscara durante a viagem e de higienização dos veículos em cada ponto de chegada antes da viagem seguinte, de acordo com as normas de saúde que visam a conter a expansão do coronavírus.

A partir daí, seria necessário apenas monitorar o efeito dessas medidas sobre a taxa de ocupação dos leitos por doentes de Covid-19, por sinal, algo que terá de ser feito de qualquer modo, a partir das recentes medidas de flexibilização adotadas pela Prefeitura. É preciso avaliar continuamente as medidas de retomada da economia à luz da evolução da taxa de ocupação dos leitos de uma forma conjunta, sem discriminar nenhuma atividade econômica, como o transporte intermunicipal e interestadual.



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